Capítulo 15

1741 Palavras
Alguns minutos depois... Eu num tava gostano nadinha dessa festa de ricaço. Um monte de gente metida, me olhando como se eu fosse um bicho de outro planeta. E, pra piorá, aquela nojenta num para de me encarâ. Se ela mexê comigo, eu meto a mão na cara dela! Pelo menos, gostei do seu Alessandro. Ele é melhor que aquele cachaceiro do Maike. O rapaz é educado, me apresentou umas pessoa e num ficou me tratano como se eu fosse lixo. Mas essa festa tá chata demais! Dona Cotinha dizia que as festa dos rico era cheia de coisa chique, mas isso aqui num tem graça nenhuma! Rodolfo — Com licença, Alessandro. Posso ter a honra de conversar um pouco com minha sobrinha? Ele apareceu do nada, sorrindo simpático. Alessandro — Claro, senhor Rodolfo. Se me permite dizer, a Sam é encantadora. Me remexo, segurando o copo de bebida com força. Ouvindo a conversa entre o Alessandro e meu pai. Rodolfo — Foi por isso que eu a trouxe. Apesar de simples, Samanta é encantadora. Espero que ela tenha feito boas amizades. Se quiser levá-la para sair algum dia, me avise. Seria bom para ela conhecer a cidade. Alessandro — Uma amiga minha vai dar uma festa de aniversário semana que vem, e já adianto que quero Samanta como minha companhia. Ele sorriu para ela. bufei, irritado, esmagando o copo na mão. Ela, acompanhante dele? Até parece que meu pai vai deixar! Alessandro só pode estar brincando. Rodolfo — Você quer ir, Sam? Sorrindo largamente, ela disse: — Eu posso memo, tio? Prometo que vou me comportá! Cerrando os punhos, coração disparado, a mandíbula travando, me questionei: Que merda eu estou fazendo? Por que estou tão irritado com isso? Ficou louco, Maike? O que há de errado com você?! Meu pai a levou pra longe, mas percebi que o desgraçado continuava olhando pra ela. Não havia segunda intenções, mas estava me incomodando de uma maneira inexplicável. Alessandro — Não sabia que você tinha uma prima tão linda quanto a Samanta. Tem algo nela que me parece familiar… Disse em um tom provocativo. Revirou os olhos e respondi, seco: — Não sabia que gostava de garotinhas, Alessandro. Ela tem 17 ou 18 anos, sei lá. Papai tem mania de achar parentes perdidos por aí… Ele riu. Alessandro — Você é um i****a, Maike. Samanta é espontânea, divertida. Não sei como você não gosta dela… Ah, esqueci. Você ainda tá preso na amargura por causa da Brenda. Cerrando os olhos, voz baixa e carregada de ódio. – Mais um pateta que caiu nos encantos dela… Alessandro gargalhou e se afastou. Eu, por outro lado, comecei a procurar Samanta pelo salão. Mas nada. Onde diabos essa garota foi parar? *** Eu tava apertada demais! Parecia que minha bexiga ia explodi! Passei uma meia hora rodano essa casa gigante procurando o banheiro. Quando achei, entrei correndo e joguei minha bolsa na pia. Mas antes que eu pudesse me aliviá, senti um puxão no cabelo! — AI, SUA MALUCA! Gritei, já me virano e meteno a mão no cabelo da intrometida. Quando vi quem era, quase soltei um grito ainda maior. A nojenta de novo! Mas que raios essa dona quer comigo? Brenda — Me larga, sua selvagem! — Ela gritou, tentano se soltar. Mas eu empurrei ela com força contra a parede. — Larga você, doida! Tá mexeno com a pessoa errada! Brenda — Você é uma mulherzinha sem classe, sem educação! Nunca será uma de nós! Ela cuspiu as palavra, como se eu fosse sujeira. Cruzei os braço e dei uma risadinha debochada. — Melhor do que sê uma cobra venenosa! Pensa que me assusta? Eu num tenho medo de você, não! Ela bufô de raiva. Brenda — Eu vou acabar com você. Espere e verá! — Nossa, ui ui, tô morreno de medo. Cospe mais, seu veneno num me atinge! Antes que ela falasse mais besteira, entrei no troço e fechei a porta. Eu precisava me aliviá antes que fizesse xixi na roupa por causa dessa maluca! Quando saí, a doida já tinha sumido. Graças a Deus! Só que, assim que voltei pro salão, uma mão forte agarrou meu braço. — Onde você estava?! Não suma desse jeito! Era o cachaceiro. Puxei meu braço com força. — Solta meu braço, cara! E num é da sua conta onde eu tava! Ele travô o maxilar e se inclinô pra mim, com aqueles zóio de raiva. — Olha aqui, garota, não me tire do sério… Eu gargalhei. — Ah, vai se catar, seu cachaceiro safado! Mas antes que ele pudesse me respondê, um grito dramático cortô o salão. — MINHA PULSEIRA! ALGUÉM ROUBOU MINHA PULSEIRA! O salão inteiro ficou em silêncio. Eu olhei na direção da voz e vi Brenda, segurando o peito como se tivesse morrendo. Ah, que coisa ridícula. Eu fechei as mãos em punhos e travei a mandíbula. Sabia exatamente o que essa desgraçada faria. A sala estava cheia. levou a mão teatralmente à testa, fingindo choque. Brenda – Ai, meu Deus! Minha pulseira! Alguém roubou minha pulseira! O falatório começou, todos se entreolhando, surpresos. Fernando – Tem certeza, Brenda? Talvez tenha deixado em casa… Brenda – Tenho certeza, Fernando! Eu vim com ela! E agora… sumiu! Ela olhou diretamente para o meu primo, fazendo drama. – Você é meu marido, deveria ficar do meu lado! Não sou louca! Em seguida, lançou um olhar venenoso para Samanta, cruzando os braços com superioridade. – Aqui só tem pessoas do nosso ciclo social. Nenhum deles precisaria disso. Só há uma estranha aqui. Quem mais poderia ter pegado, além da trombadinha que o Maike trouxe? Foi ela! O clima na sala ficou pesado. Todos olhavam para Samanta, que arregalou os olhos e deu um passo à frente, furiosa. Samanta – O quê?! Tá dizêno que eu roubei tua pulsera? Brenda – Quem mais? Só tem você de estranha aqui. Deve tá acostumada a pegar o que não é seu! Logo se vê que não tem classe. Tentei ntervir, mas Samanta não recuou, seus olhos faiscando de raiva. Samanta – Escuta bem, sua bruxa nojenta! Eu posso num tê classe, mas ladra eu num sou! Pra quê eu ia querê essa porcaria?! Brenda – Ah, claro… Pra vender ou por inveja, já que nunca teve uma. Estávamos no banheiro, só nós duas. Tirei a pulseira pra lavar as mãos e esqueci. Quando voltei, não tava mais lá. Ela sorriu vitoriosa e se virou para Alessandro. – Eu exijo que revistem a bolsa dela! Se não tiver nada a esconder, não vai se importar, não é mesmo? Samanta cerrou os punhos, tremendo de raiva. – Você num tem vergonha nessa cara de cobra?! Tá me chamano de ladra. Brenda – Vamos ver agora! De inocente você só tem a cara, sua sonsa! Sem aviso, Brenda avançou e abriu a bolsa de Samanta sem permissão. E lá estava a pulseira. Todos ficaram chocados. Samanta piscou, incrédula. – Isso é mentira! Isso num tava aí! Eu num roubei nada! Isabela – Deve está havendo um m*l-entendido. Samanta pode não ter tido educação, mas ela não é ladra! Brenda sorriu vitoriosa, segurando a pulseira como se fosse um troféu. Brenda – Te peguei, sua ladra nojenta! Samanta olhou ao redor, sentindo o peso dos olhares. Apertou os punhos e encarou Brenda, avançando até ficar cara a cara com ela. Com a voz carregada de ódio, disse: – Você armô isso, né? Botô essa pulsera na minha bolsa só pra me sujá! Ela riu com deboche. Brenda – E quem vai acreditar em você, hein? Antes que alguém pudesse reagir, Samanta perdeu a paciência e deu um tapa estalado no rosto de Brenda. Ela gritou, levando a mão ao rosto, e se desequilibrou. – Se tem uma coisa que eu num sou, é ladra! Mas você, ricaça, é a pior das bandidas! Uma cobra disfarçada de dama! O silêncio tomou conta do salão até que Seu Rodolfo interveio. Rodolfo – Tem algo errado… Samanta não é ladra, e não vou permitir que a acusem sem uma testemunha ocular! Acredito que está fazendo isso por pura inveja, Brenda. Você já é casada com meu sobrinho! Todos olharam para ela, que engoliu seco. Samanta virou-se para o meu pai, indignada. – Essa bruxa tentô sujá minha honra, tio! Eu juro que num peguei nada! Resolvi me pronunciar, cruzei os braços e olhei diretamente para Brenda. – Você armou tudo isso contra Samanta, Brenda. Ela tentou se justificar, mas Samanta não lhe deu chance. – Você pode me chamá de tudo, mas ladra, não! Nunca mais tente me sujá, porque se fizer isso de novo… eu te dô uns sopapo! Meu irmão, que observava tudo, balançou a cabeça em reprovação. Eduardo – Você deveria pensar antes de sair acusando as pessoas, Brenda. Estreitei os olhos, com a paciência esgotando. – Peça para a sua amiga dizer, Eduardo. Quero ver até quando ela vai continuar acusando a Samanta. Apesar de ser simples, ela tem mais caráter que você. E não é interesseira! Fernando – Não ofenda minha mulher, Maike! Ou as coisas podem começar a ficar feias por aqui! Eu ri com sarcasmo, mas a minha expressão logo se fechou em fúria. – ENTÃO PEÇA PARA SUA MULHER PARAR DE SER v***a E NÃO TENTAR NUNCA MAIS PREJUDICAR A MINHA! NÃO VOU ACEITAR QUE ELA SUJE A HONRA DA SAMANTA POR ESTAR COM INVEJA E CIÚMES! As palavras saíram antes que eu pudesse pensar. Alessandro, que assistia tudo, cruzou os braços, olhando Brenda com desdém. Alessandro – Samanta não parece alguém que faria isso. Com tantas coisas por aí, por que roubaria logo sua pulseira? Fala sério, Brenda. Seja mais inteligente! Meu irmão concordou e se virou para a amiga. Eduardo – E não roubou mesmo! Conta para todos, Ceci! Ela hesitou por um instante, depois respirou fundo e olhou diretamente para Brenda. Cecília – Quando eu ia entrando no banheiro, vi a Brenda colocando a pulseira em uma bolsa… O choque foi geral. Brenda ficou vermelha de raiva e se afastou, furiosa. Samanta virou-se para mim, sua expressão cansada, mas com a cabeça erguida. – Você pode me levá pra casa? Eu num quero mais ficá aqui no meio dessa gente… Pela primeira vez, percebi que Samanta estava realmente chateada. Ela apertava os lábios com força, segurando as lágrimas a todo custo. Sem pensar muito, segurei sua mão e a arrastei para fora dali.
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