O barulho do shopping não era, por si só, incomum. Na verdade, era exatamente o tipo de som que qualquer pessoa esperaria encontrar num lugar como aquele: conversas sobrepostas, passos ecoando em diferentes direções, o tilintar de talheres contra bandejas, crianças rindo alto demais, anúncios ocasionais saindo das caixas de som espalhadas pelo teto. Era um ruído constante, quase reconfortante na sua previsibilidade. Um lembrete de normalidade. E talvez fosse exatamente isso que mais incomodava Emily. Porque, enquanto tudo ao redor seguia um ritmo comum, previsível, quase banal… dentro dela, nada estava calmo. Sentada à mesa do McDonald’s, com a bandeja ainda praticamente intacta à sua frente, Emily mantinha as mãos envoltas no copo de refrigerante já diluído, o gelo parcialmente derret

