A cidade parecia diferente naquela noite.
Mais viva.
Mais brilhante.
Mais… perigosa.
O salão principal do hotel escolhido para o evento estava irreconhecível. Lustres imponentes desciam do teto alto como cascatas de cristal, refletindo luzes douradas que dançavam sobre os convidados. Mesas perfeitamente alinhadas, cobertas por tecidos finos, exibiam arranjos florais sofisticados — lírios brancos e rosas suaves, cuidadosamente escolhidos para transmitir elegância e poder.
Era mais do que uma festa.
Era uma declaração.
E no centro de tudo…
Estava Emily.
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Horas antes…
O quarto estava silencioso.
Exceto pelo leve som do tecido sendo ajustado.
Emily permanecia em frente ao espelho, imóvel, enquanto a estilista dava os últimos retoques.
O vestido era…
Impecável.
Longo, ajustado ao corpo, com um caimento que parecia desenhado milimetricamente para cada curva. O tecido, um tom sofisticado entre champanhe e dourado suave, refletia a luz com delicadeza, sem exagero. A f***a lateral subia na medida certa — ousada, mas elegante.
As costas…
Parcialmente descobertas.
Detalhes em renda fina desenhavam padrões quase invisíveis sobre a pele.
E o toque final…
Saltos altos em tom nude, alongando ainda mais sua silhueta.
O cabelo preso em um coque sofisticado, com algumas mechas soltas suavizando o rosto.
A maquiagem…
Clássica.
Olhos marcantes.
Lábios em tom rosado.
Ela parecia…
Intocável.
Emily respirou fundo.
— Está perfeito… — murmurou.
Mas sua voz não carregava apenas admiração.
Havia nervosismo.
Expectativa.
E algo mais.
Algo que ela não sabia explicar.
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— Eu posso entrar?
A voz de Alexander veio do outro lado da porta.
Emily hesitou por um segundo.
— Pode.
A porta se abriu lentamente.
E quando ele entrou…
Parou.
Completamente.
O olhar percorreu cada detalhe.
Sem pressa.
Sem esconder.
— …Emily…
Foi tudo o que conseguiu dizer.
Ela virou-se para ele.
E, pela primeira vez naquela noite…
Ficou sem resposta.
Porque o jeito que ele a olhava…
Não era apenas admiração.
Era algo mais profundo.
Mais intenso.
Mais… perigoso.
— Está exagerando — disse ela, tentando recuperar o controle.
Ele aproximou-se lentamente.
— Não estou.
Silêncio.
Pesado.
Carregado.
Ele parou à sua frente.
Perto demais.
— Você está…
Ele respirou fundo.
— Irreal.
O coração dela acelerou.
— É só um vestido.
Ele negou, quase sussurrando:
— Não é.
Os olhos dele desceram brevemente até a f***a do vestido… e voltaram ao rosto dela.
— Você sabe disso.
Emily engoliu seco.
Desviou o olhar.
— Vamos nos atrasar.
Mas quando tentou passar por ele…
Alexander segurou levemente seu braço.
Delicado.
Mas firme.
— Hoje é importante — disse ele.
Ela assentiu.
— Eu sei.
— Eu estou com você.
Silêncio.
E aquilo…
Aquele simples “eu estou com você”…
Fez mais por ela do que qualquer elogio.
— Obrigada…
Ele soltou o braço dela.
Mas o toque…
Permaneceu.
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O evento começou impecável.
Convidados importantes.
Investidores.
Empresários influentes.
Nomes que carregavam peso.
Vincent estava presente.
Ao lado da esposa.
Observando tudo com atenção analítica.
Helena conversava com elegância, orgulhosa.
Sofia circulava com um olhar mais crítico, ainda mantendo certa reserva em relação a Emily.
E Alexander…
Nunca se afastava completamente.
Sempre por perto.
Sempre atento.
Emily brilhava.
Recebia cumprimentos.
Elogios.
Sorrisos.
— Evento incrível, senhorita Emily.
— Tudo impecável.
— A empresa está em ótimas mãos.
Ela sorria.
Agradecia.
Respondia com elegância.
Tudo estava…
Perfeito.
Exatamente como Catherine havia prometido.
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Mas nos bastidores…
O jogo já havia começado.
Catherine observava de longe.
Com um sorriso discreto.
— Está na hora.
Victoria, ao seu lado, apenas assentiu.
— Já cuidei disso.
Um garçom passou discretamente.
Uma bandeja.
Taças de champagne.
Uma delas…
Levemente diferente.
Imperceptível.
Mas suficiente.
— Sirva ela.
O homem assentiu.
E seguiu.
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Emily conversava com um grupo de investidores quando a taça foi oferecida.
— Champagne, senhora.
Ela aceitou.
Naturalmente.
Sem suspeitar.
Sem hesitar.
— Obrigada.
Levou aos lábios.
Um gole.
Depois outro.
Nada parecia fora do normal.
Ainda não.
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Minutos depois…
Algo mudou.
Sutil.
Quase imperceptível.
Um leve calor.
Subindo pelo corpo.
Ela franziu levemente a testa.
— Está tudo bem? — perguntou um dos convidados.
— Sim… só… calor.
Ela sorriu.
Mas a respiração estava… diferente.
Mais rápida.
Mais leve.
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Catherine observava.
Atenta.
— Começou…
Victoria cruzou os braços.
— Demorou.
— Agora é só esperar.
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Emily tentou continuar.
Mas…
As vozes ao redor começaram a parecer distantes.
As luzes…
Mais intensas.
Mais brilhantes.
Ela piscou.
Riu.
Sem motivo.
— Desculpa… — disse, cobrindo a boca.
Mas voltou a rir.
Mais alto.
Mais solto.
As pessoas trocaram olhares.
Confusas.
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Alexander percebeu.
De longe.
Franziu a testa.
— O que…
Ele começou a caminhar em direção a ela.
Mas antes que chegasse…
Emily já estava…
Diferente.
Muito diferente.
— Isso é… engraçado — disse ela, rindo novamente.
Mas não havia graça.
A risada era solta.
Descontrolada.
Quase infantil.
Ela levou a mão ao próprio cabelo.
Girou.
Como se estivesse em um palco invisível.
— Música! — disse, rindo.
Mas não havia música naquele momento.
As pessoas começaram a se afastar.
O desconforto crescia.
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— Emily… — chamou Alexander, aproximando-se.
Ela virou-se para ele.
Os olhos brilhando de forma estranha.
— Alex…
Ela sorriu.
Mas não era o sorriso dela.
— Você… você está lindo.
Ele segurou os ombros dela.
— O que você tomou?
— Eu? — ela riu — Nada… só… felicidade!
E então…
Ela começou a dançar.
Ali.
No meio do salão.
Sem música.
Movimentos soltos.
Desconexos.
As pessoas observavam.
Algumas cochichavam.
Outras filmavam discretamente.
A humilhação…
Começava.
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— Pare, Emily — disse Alexander, mais firme.
Ela puxou a mão dele.
— Dança comigo!
— Emily!
Mas ela girou novamente.
Rindo.
— Isso é libertador!
Vincent observava.
Sério.
A esposa ao lado, chocada.
Helena levou a mão à boca.
— O que está acontecendo…
Sofia cruzou os braços.
— Eu sabia…
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E então…
No auge do caos…
As luzes oscilaram levemente.
E uma voz ecoou.
Alta.
Clara.
Fria.
— Todos deveriam saber a verdade.
Silêncio.
Imediato.
Pesado.
Emily parou.
O salão inteiro congelou.
— Isadora não morreu de doença.
O nome caiu como uma bomba.
Emily piscou.
Confusa.
— Ela foi assassinada.
O murmúrio começou.
— E a responsável…
Uma pausa.
Lenta.
Cruel.
— Foi Emily.
Silêncio absoluto.
Por um segundo…
O mundo parou.
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Emily ficou imóvel.
O sorriso desaparecendo lentamente.
— O quê…?
As pessoas começaram a falar.
Alto.
Confusas.
— Isso é sério?
— Assassinato?
— Meu Deus…
Alexander olhou ao redor.
Furioso.
— Quem disse isso?!
Mas a voz não apareceu novamente.
O dano…
Já estava feito.
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Emily começou a respirar mais rápido.
— Não… não… isso…
Ela olhou para Alexander.
— Eu não…
Mas sua fala estava confusa.
Desconexa.
— Eu não fiz…
Mas a droga…
Ainda fazia efeito.
As palavras saíam erradas.
Fragmentadas.
— Ela… caiu… eu…
As pessoas começaram a recuar.
O olhar mudou.
Desconfiança.
Julgamento.
— Isso não é verdade! — gritou Alexander.
Mas o caos já estava instaurado.
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Emily levou as mãos à cabeça.
— Está tudo girando…
Ela riu novamente.
Sem controle.
E aquilo…
Só piorava tudo.
— Não… não… eu…
Lágrimas começaram a cair.
Misturadas com risos.
Desespero.
Confusão.
— Eu não fiz isso!
Mas ninguém sabia no que acreditar.
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Alexander a segurou.
Firme.
— Vamos sair daqui.
Ela tentou resistir.
— Não… eu tenho que explicar…
— Agora não!
Ele a puxou.
Ignorando olhares.
Ignorando sussurros.
Ignorando tudo.
Mas não podia ignorar…
O que já havia acontecido.
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Enquanto saíam…
Catherine observava.
Imóvel.
Satisfeita.
— Perfeito…
Victoria sorriu.
— Ainda melhor do que eu imaginei.
— E isso é só o começo.
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Do lado de fora…
O ar frio atingiu Emily.
Mas não foi suficiente.
Ela tremia.
— Alex… eu não…
Ele segurou o rosto dela.
— Eu sei.
Mas no fundo…
Até ele…
Tinha dúvidas.
E isso…
Era exatamente o que elas queriam.
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Dentro do salão…
O nome de Emily já não era mais o mesmo.
E naquela noite…
Não foi apenas uma festa.
Foi uma queda.
Pública.
Brutal.
Irreversível.