FLASHBACK — Narrado por Rosa A dor veio seca, rápida. Como se alguém tivesse apagado a luz de dentro. Senti o chão bater nas costas. A cabeça estalar no canto da parede. E depois… o silêncio. Não escutei mais o choro do meu filho. Nem o pedido do Fábio. Nem o estampido da arma. Tudo virou sombra. Só o gosto de sangue na boca me dizia: tô viva. ** Acordei horas depois. Ou dias. Não sei. A cabeça latejava, os olhos não abriam. Mas senti braços me carregando. Correndo. Fugindo do barraco. Uma voz sussurrava: — “Calma, Rosa… calma…” Não reconheci. Só sei que não era o Evaldo. Não era o Caveira. Então me deixei ir. Porque qualquer lugar era melhor do que aquele. ** Depois veio o escuro de novo. Depois o hospital clandestino, a enfermeira com medo, o cheiro de antisséptico mis

