Narrado por Rebeca O gosto dele ainda tava na minha boca. A raiva… ainda presa na garganta. O tapa que dei foi reflexo. O impulso da dor misturado com tudo o que ele representa. Saí dali com o coração descompassado e os olhos ardendo. Mas não chorei. Não por ele. Desci a ladeira com o sangue quente, os passos duros, o corpo inteiro tremendo — de ódio, de vergonha, de vontade de voltar e terminar de dizer o que ficou entalado. O morro assistia em silêncio. A favela tinha olhares por todos os cantos, mas ninguém ousava falar. Só os cochichos vinham de canto de muro, escondidos atrás de boca suja e medo disfarçado. Fui direto pra quadra. O mesmo lugar onde vi Aline pela primeira vez. O lugar onde eu tentava esquecer o peso do mundo dançando. O corpo doía. Não só da discussão, do beij

