NARRADO POR REBECA A música ainda batia no fundo da quadra. Os moleques se dispersavam, suados, rindo, jogando a camisa nos ombros. A Aline ficou por perto. Cansada, mas com um brilho no olhar que me desmontava. Ela tinha dançado. Inteira. Sem medo. Mesmo tropeçando no próprio pé, mesmo com a blusa grudando na barriga. E eu? Eu fiquei só observando. Com o coração cheio. Porque ali, pela primeira vez desde que voltei, eu me vi nela. ** Sentei na mureta pra respirar. Aline veio logo atrás. Se jogou do meu lado, bufando, com a cara suada e feliz. — “Eu quase caí de cara no chão!” — “Mas caiu linda.” — sorri. Ela olhou pra mim. E o olhar ficou mais sério. — “Tu tem uma tatuagem na coxa, né?” — “Tenho.” — “Tá escrito o quê?” Respirei fundo. O suor escorria pelas costas, mas o f

