NARRADO POR KEVÃO Eu tava na boca. Sentado na cadeira de sempre. Camiseta colada no peito. Corrente pesando no pescoço. Glock no canto da mesa. Mas a cabeça? A cabeça tava longe. Tava nela. ** Rato encostou do meu lado, mascando o maldito chiclete vagabundo de sempre. — “Chefe… tu viu a cena lá embaixo?” Não respondi. Ele insistiu: — “A Rebeca… tá na quadra. Com a menina. Aline, eu acho.” Apertei o cigarro no cinzeiro, o maxilar travado. — “Fazendo o quê?” — “Dançando.” — “Sozinha?” Ele deu risada. — “Tu acha? A menina tava com vergonha. Rebeca pegou pela mão, levou pro meio da quadra e fez dançar na frente de todo mundo.” ** Fechei os olhos. A imagem veio na hora. Ela no centro da quadra, short grudando na coxa, top colado no peito, o rebolado vindo da alma. E a meni

