NARRADO POR REBECA Acordei com o céu ainda cinza, mas o peito já aceso. O corpo doía. A alma também. Mas agora doía de outro jeito. Não era mais ferida aberta. Era cicatriz em brasa. Marca de quem sobreviveu. ** Levantei devagar. Lavei o rosto. Olhei no espelho. Os olhos ainda tinham traço de choro. Mas por baixo... era fogo. Era promessa. Peguei o celular. Rolei até o número da Secretaria. Liguei. Dedo firme. Pulso gelado. — “Prefeitura Municipal, bom dia.” — “Aqui é Rebeca dos Santos.” A mulher reconheceu na hora. A voz ficou mais cuidadosa. — “Sim, senhora Rebeca. A senhora deseja... confirmar a proposta?” Respirei fundo. — “Confirmo. Pode registrar aí que eu aceito essa p***a toda.” Silêncio curto. — “Perfeito. Estaremos formalizando ainda hoje. A unidade no Morr

