CAPÍTULO OITO.
Selene Moreau
A Kaiane e eu nos trocamos, e eu não quero, mas o meu coração está ameaçando me causar um ataque cardíaco a qualquer momento.
Nós descemos diretamente para a praia.
— Eu não vou mentir, eu estou esfomeada... — a Kaiane comenta, virando o seu olhar para o restaurante com vista para o mar, lá do hotel.
— Eu estou com tudo, menos apetite agora... — comento, com o meu estômago embrulhado que fica mais embrulhado quando os meus olhos capturam ele, o Apollo e a sua noiva entrando no restaurante.
Os vidros expõem tudo, e eu nunca quis tanto não olhar para um lugar na minha vida.
Olho para frente, escutando bem audivelmente o meu coração espancando o meu peito.
— Você pode ir, eu ficarei aqui — falo, voltando a olhar para frente, e ela suspira.
— Eu não vou permitir que você se esconda dele, Selene, como se você fosse culpada de alguma coisa — ela diz, e é minha vez de suspirar, querendo lançar, de tão confuso que está o meu estômago.
— Eu não estou me escondendo, eu só não sou obrigada a ter de ver aquilo, ou ficar perto dele, Kaiane — falo.
— Eu não vou para lá sozinha — ela diz.
— Você está com fome, vá, coma e não faça chantagem comigo — falo, colocando óculos escuros no meu rosto.
— Então, eu vou pedir um take away e venho comer aqui com você — ela diz. — O que vai querer? — pergunta.
— Eu estou indisposta, eu como mais tarde, obrigada... — falo. — Vou comprar um milho aqui — falo.
— Como você quiser, eu já venho — ela diz, e eu assinto, sentando-me e pousando os óculos no topo da minha cabeça.
— Moço, me dá um milho e água de coco, por favor? — peço, para o moço aqui, que me dá.
— Valeu! — agradeço, e me contento em observar o mar, ótimo para dar um mergulho, mas a minha mente só trás a imagem daquele canalha.
Termino o meu milho e me levanto, vou dar uma volta por aqui, para espairecer.
— Para onde você está indo? — ouço a voz da Kaiane, que está voltando para a espreguiçadeira.
— Dar uma volta — respondo. — Bom apetite! — falo, e ela sorri, dando o polegar na minha direção.
Eu caminho por aqui, com a minha água de coco, quando me deparo com a bancada com os moços da competição de surf.
— Senhorita Selene, que prazer vê-la por aqui! — o moço com uma camisa azul diz, vendo-me aproximar e eu sorrio.
— Sabe o meu nome — comento, e eles sorriem.
— Todos aqui sabem, não tem como não saber o nome das filhas do senhor Moreau — claro que não tem.
— Então? A competição ainda está aberta? — pergunto, observando o panfleto.
— Amanhã é a última ronda para se qualificar para a final — o outro moço responde.
Humn, interessante.
— Onde eu assino para participar? — pergunto, e eles se entreolham.
— Sem ofensa, mas a senhorita não tem cara de quem sabe sequer pegar numa prancha — era suposto eu ficar ofendida, mas eu rio.
— Vocês só vão saber se eu sei ou não, se permitirem que eu me inscreva, não? — falo, e ele sorri estendendo a ficha de inscrição na minha direção.
— Existem surfistas profissionais participando, só para avisar — ele diz, e eu posso julgá-lo por me subestimar.
Claro que não.
— Certo... — respondo. — Eu não estou preocupada — digo, e eles sorriem.
— Confiança, é disso que nós gostamos! — eles dizem, e eu bato nas suas mãos após assinar a ficha.
— A competição começará as sete horas, se não tiver uma prancha, roupa adequada, ou se atrasar, será automaticamente desqualificada — o outro avisa.
— Não se preocupe, essa não será a minha primeira competição — respondo. — Nos vemos amanhã! — os despeço, colocando a palhinha da minha água de coco na boca.
— Até amanhã! — eles respondem, e eu dou meia volta, agora, pensando na competição, mais animada.
— Estou vendo um sorriso... — a Kaiane comenta, me vendo chegar e eu sorrio. — O que você aprontou? — ela pergunta, e eu rio.
— Amanhã eu tenho uma competição por participar — conto, e ela arregala os olhos.
— Você não fez isso! — ela exclama, enquanto eu descalço os chinelos, pronta para me jogar na água outra vez.
— Eu fiz! — confirmo.
— Selene... — ela balbucia, incrédula.
— Acaba de comer logo, e vem! — falo, caminhando até a praia.
— Eu vou ficar aqui me bronzeando — não sei se deu para perceber, mas a Kaiane não é assim... muito fã de mar.
De pés molhados, para o corpo mergulhado em água salgada.
Se eu pudesse ficava aqui para sempre.
— Sozinha? — eu quase pulo, com a proximidade que escuto a voz atrás de mim.
— Caramba... — balbucio, olhando para um moço, cuja proximidade e olhar não me agradam no mesmo instante.
— Era o que eu gostaria de estar, mas você está invadindo o meu espaço — falo, torcendo por um pouco de juízo e consciência da sua parte.
— Uma moça tão linda como você não devia ficar sozinha — ele diz, se aproximando e eu dou um passo para trás.
— Se eu fosse você, afastava por bem... — no mesmo instante, eu sinto a sua mão na minha cintura.
— Ou o quê? Não devia ter nadado para tão longe, argh... — ele geme, porque eu não só tirei a mão dele de mim, como deixei o meu punho ir de encontro ao rosto desse desgraçado.
— Idiota... — balbucio, nadando daqui para fora, ultrajada.
São todos iguais, todos uns s*******o.
Saio da água, inconformada.
— Um monte de canalhas espalhados pelo mundo... — murmuro, chateada, quando paro abruptamente, com uma sombra sobre mim, e uma presença conhecida por mim.
— Espero que eu não esteja nessa lista — escuto a voz do Apollo, e levanto o meu olhar na sua direção para me deparar com uma pessoas que eu mais gosto... gostava.
O japonês mais divertidamente misterioso, alto e atlético que eu alguma vez conheci.
— Faz! — respondo, de raiva só de vê-lo na minha frente. — Você e o seu amigo — falo, e simplesmente tento caminhar para longe dele, mas ele volta a parar na minha frente.
— Eu estava com saudades suas, Selene — ele fala, me encarando, com os seus belos olhos afinados. — Eu e o Ren... — ele m*l termina de falar e os meus olhos reviram, enquanto uma mistura de sentimentos toma o meu peito.
— Não foi isso que me pareceu — digo. — Mas desde que continuem sentindo saudades como continuaram pelos últimos sete meses, longe de mim, eu agradeço — respondo, sentindo a minha cabeça começar a fritar, e me esquivando dele, mas ele não deixa.
— Selene! — ele exclama, pegando no meu braço. — Nós estamos no mesmo lugar, eu acho que temos coisas por conversar, e eu não posso fingir que você não existe — ele diz, e eu solto um longo suspiro.
— E por que não? Você fez isso muito bem, por esse tempo, não fez? — questiono, retoricamente. — Você e o babaca, desgramado do seu amigo traidor, fiquem longe de mim! — falo, me desenvencilhando dele, e saindo.
— Traidor? — ele questiona, atrás de mim.
— Traidor! — afirmo, caminhando para longe dele.
— Um minuto... um minuto de paz é o que eu quero, mas parece que sempre tem alguma coisa para me pirar! — exclamo, caminhando até a espreguiçadeira, e a Kaiane frase o cenho, me olhando, confusa.
— O que aconteceu? — ela pergunta.
— Aquele desgraçado filho da mãe foi o que aconteceu! — exclamo, irritada. — Decidiu parar de atormentar a minha mente, para vir me atormentar bem de perto — falo, calçando os meus chinelos.
— Eita, se acalme, Selene! — ela exclama.
— Por que tem que se acalmar? — a minha espinha vibra, quando eu não só sinto a presença como também escuto a voz do Zade atrás de mim.
O olhar da Kaiane arregala, e de susto, a minha raiva só aumenta.
— Me deixe em paz... — eu simplesmente falo, pegando na minha bolsa, e caminhando para longe dele, mas não fui longe, porque a mão imunda dele adornou com força o meu braço.
— Eu não estou entendendo o que aconteceu, mas o seu comportamento está começando a me deixar irritado, Selene... — ele fala, bem próximo ao meu ouvido, e eu estou com uma raiva tão intensa que conseguiu piorar, quando os meus olhos veem o Laurent caminhar nessa direção, na companhia da sua bela noiva, que fez questão de pegar na sua assim que capturou o meu olhar.
Boa...
— Oh, Zade?! Você deve ser a Selene? — eu não estou acreditando nisso.
O meu olhar não consegue sair do seu, completamente indiferente a minha presença, e da mão dele entrelaçada na dela.
— Era só o que me faltava... — retiro o meu braço do aperto do Zade, e saio daqui.
Eu estou fervendo.
— Selene! — escuto a voz do Zade atrás de mim.
— Deixe a estar, eu vou com ela — eu ouço a voz da Kaiane atrás de mim, mas os meus ouvidos fecham, e a única coisa que eu sinto são facas invisíveis esfaqueando o meu peito.
De mãos dadas...
Na minha frente e sem vergonha, nenhuma. Quando eu estou nas mãos daquele filho de criminoso, que acha que pode qualquer coisa.
Nas mãos do canalha que ele prometeu me salvar.
— Selene?! — eu quero tanto, mas tanto só sumir nesse momento.