CAPÍTULO NOVE.
Apollo Draven
Tudo parece uma bomba prestes a explodir.
Eu adoraria que ela explodisse logo, porque cada segundo que passa é mais agonizante do que a realização de que podemos todos nos queimar.
Muitas peças se encaixam, mas de forma completamente estranha.
Me entendem?
Nesse momento, está mais do que óbvio que existe uma tensão intensa entre o Laurent e a Selene, não seria diferente...
Se eu tenho noção do que é se perder completamente por alguém, é porque eu estava no meio quando ambos estavam juntos.
E nem de longe eu via o fogo que queimava no olhar de ambos, queimar eles numa intensidade bruta.
E está me queimando também, porque de um lado tem o Laurent, que é o meu melhor amigo. E ele tem uma reputação digna da sua aparência? Um ser popular, atraente, cafajeste, meio mulherengo e meio não foi vida louca, estereótipo de único filho e herdeiro?
Sim, ele tem.
Mas ele é muito gente boa, caso contrário não seria um amigo meu, obviamente, eu sou tudo acima, mas eu não tenho nenhum histórico duvidoso, só para constar.
E do outro lado, tem a Selene. Uma moça irrefutavelmente bonita, chega a intimidar olhar, se não a conhece, de tão atraente que é, mas basta a conhecer...
Bem, não muda muita coisa, mas ela é o oposto da primeira impressão que se tem, extremamente legal, carinhosa, pode ser meio catastrófica e intimidadora, mas isso deve ter vindo da fábrica, ela é simpática, mas tem o sangue do Moreau.
Mas eu nunca, em toda a minha vida, vi uma moça desmontar o Ren do jeito que ela fez.
E foi mútuo, foi como um incêndio que começou com um curto circuito.
Aparentemente, esse fogo continua ardendo como se gasolina estivesse jorrando nele, mas argh!
A Selene o traiu. Eu acredito nisso?
Claro que não.
Mas existem provas vívidas de que ela o fez, que chega a ser uma maluquice eu continuar desacreditado.
Eu sou lógico, isso não devia martirizar tanto a minha cabeça, e se está, é porque existe alguma coisa mesmo.
— E ela dizia que não o queria — ele está falando disso pela milésima vez. — Não foi o que pareceu na praia — ele diz, irritado, colocando relógio.
Vamos descer para a festa na discoteca aqui do resort.
— Isso são ciúmes... — eu falo, e ele me lança um olhar nada agradável, mas eu não estou mentindo. — Se tem ciúmes, é porque a ama ainda — eu falo.
— Você só fala besteira, Apollo — humn. — O que eu sentiria pela filha daquele homem, uma traidora — ele fala, e eu me ajusto na poltrona.
— Ela chamou você de traidor — pontuo.
— E por que eu seria um traidor? — ele pergunta, e eu me levanto.
— Essa resposta quem pode dar é a Selene, é por isso que eu digo que você devia conversar com ela — falo.
— Eu não quero saber mais daquela garota, e você também não devia — ele diz, e eu estou ficando louco aqui.
— Para onde você está indo? — ele pergunta, enquanto eu vou para a porta.
— Você é noivo agora, eu não posso ficar o tempo todo no seu quarto — respondo, já saindo e obviamente ele não insiste a minha presença.
Seria estranho se o fizesse.
Eu passo pelo elevador para ir até ao meu quarto, quando o mesmo abre-se, revelando a Kaiane, amiga da Kaiane, e filha do braço direito do Moreau.
— Apollo, não é? — ela questiona, corando, já saindo do elevador.
— Sou eu. O que houve? — pergunto, observando a moça de altura mediana, respirar pesado.
— A Selene fala bem de você... Na verdade, falava — ela diz, e a minha felicidade sumiu rapidinho.
Falava...
— Eu ando odiando vocês dois faz muito tempo, mas se ela falava bem de você, é porque você pode me ajudar com essa história de uma vez por todas — ela fala, e humn...
— Acabou de dizer que me odeia e ainda quer a minha ajuda? — nada conveniente.
Ela suspira me encarando.
— Acha que é altura para isso? — ela pergunta, impaciente.
— Qual é o seu plano? — pergunto, e ela finalmente sorri.
— Trancar os dois, na sala de reuniões, antes de descerem para a festa... Agora! — ela exclama, e eu me pergunto o porquê de eu não ter tido essa ideia antes.
— A ideia do Castellano nos ajudou, não? — comento, e ela sorri.
— Temos de ser rápidos, eu vou descer... — ela diz, entrando no elevador e eu assinto.
É melhor eu fazer isso antes da Leila aparecer.
— Voltou rápido... — ele diz, sarcástico, mexendo no celular.
— Não foi por você — falo, e ele sorri.
— Claro que não — ele fala, e eu reviro os olhos.
— O Castellano aceitou a oferta, ele está aguardando você na sala de reuniões — falo, e ele franze o cenho.
— Agora? — ele pergunta.
— Você disse até essa noite, não disse? — pergunto retoricamente. — Vamos, antes que a sua noiva apareça — falo caminhando até a porta, e ele vem logo atrás.
Espero que isso não acabe se tornando uma péssima ideia.
Subimos, até ao último andar que é onde se encontra a sala de reuniões, e felizmente, ela estava aberta.
Ainda bem que ela pensou.
— Ele me chamou para me deixar esperando? — o senhor impaciente diz, entrando na sala e eu sorrio.
— Você o deu um ultimato, ele pode fazer você esperar um minuto — eu falo, saindo.
— Para onde está indo? — ele pergunta.
— Me divertir, eu não sou a sua secretária, meu amigo — eu falo, fechando a porta.
No mesmo instante, ouço saltos batendo contra o chão, e o meu instinto foi me esconder.
Se ela me vê, ela dá meia volta.
— Selene, vá entrando... Eu esqueci o documento no quarto — ouço a voz da Kaiane.
Ótimo.
— Tudo bem — a Selene não soa nada animada.
Fico alerta, aguardando ouvir a porta da sala ser aberta.
— Ah, não... — foi a fala da ação, tanto eu, quanto a Kaiane, que devia ter fingido voltar para o corredor, corremos até a porta, que estava prestes a ser aberta pela Selene, novamente.
— Kaiane! — ela grita, mas até aí, eu já tinha trancado a porta.
— Eu só espero que ele não arrombe a porta — comento, saindo de perto da sala de reuniões com ela.
O corredor está escuro, obviamente, mas ficar perto da sala, não é uma alternativa.
— Isso se a Selene não fizer questão de o matar primeiro — a Kaiane diz.
— Voltamos daqui a uma hora, eles parecem ter muito para conversar — falo, entrando no elevador e ela assente.
— O máximo possível, porque eu preciso distrair o Zade, se ele descobre isso, balas irão voar por aqui — ela comenta.
Isso se eu não enfiar uma bala na cabeça dele antes.