Dante Acordei com o corpo ainda quente, mas a febre tinha baixado. Milagre? Não. Valentina. Eu não costumo dormir. Minha cabeça é poste de vigia… luz acesa a noite inteira. Mas dessa vez o breu veio manso, como quem entende que o rei precisava tombar por algumas horas. Eu abri os olhos devagar e vi a silhueta dela na beira da cama, virada de lado, o cabelo derramado no travesseiro. Respiração estável, ritmo de maré boa. Pela primeira vez em anos, eu não acordei com mira na mão. Acordei… tranquilo. Palavra que não existe no meu dicionário. — Tá vivo, rei? — ela perguntou, sem abrir o olho, voz rouca de sono. — Se eu tiver morrido, é o paraíso mais estranho que já vi. — Virei o rosto, encarando. — Obrigado. — Não agradece, não. — Ela abriu um olho só. — Foi exceção. Ato de bondade. Pró

