Valentina A madrugada demorou a largar os ossos do meu corpo. Ainda sentia o cheiro da loucura, o gosto metálico do medo no fundo da garganta e a sensação de que o morro inteiro tinha dividido comigo o mesmo sobressalto. A noite anterior virou replay na minha cabeça, menino correndo, luz de celular tremendo, o Yuri caído como se tivesse levado o mundo nas costas e o Dante no meio do tiroteio como se fosse feito de aço e fome. Era uma imagem que incomodava e que, porrä, também mexia comigo de um jeito que eu não queria admitir. Sentada na beirada da cama, com as mãos no rosto, eu tentava separar o que era ódio do que era confusão. Raiva por ele ter me mandado voltar pro casarão quando eu fui atrás do meu irmão, e, no meio de tudo isso, uma coisinha pequena e absurda que eu já tava cansa

