Dante A madrugada anunciou a morte em estalo de revólver. Primeiro um tiro isolado, depois outra rajada, e o morro todo se despiu do sono. A janela do meu quarto abriu pro som, senti o metal do alarme no peito antes de pensar. Naquele primeiro segundo eu só sou: alerta. Valentina ainda dormia ao meu lado, cabelo espalhado no travesseiro e no meu braço, respiração de quem sonha com casa cheia. Quis arrancar a arma da mesinha e sair puxando a lua, mas a imagem dela ali me prendeu por um segundo, aquele segundo que sempre me føde e me salva ao mesmo tempo. Um pedaço de paz que eu nunca peço, só recebo. Levantei no silêncio dos dedos, calcei no escuro. Freitas já gritava nos rádios: — “Chefão! Explosão na rampa da Coroa! Subida confirmada!” O coração bateu com o barulho da notícia, batida

