Capítulo 28 – Entre Tiros e Beijos

1968 Palavras

Valentina Acordei com o peso do ar diferente. Nem precisava olhar pela janela pra saber, o Luar tava em alerta. Criança não soltou pipa, mãe cochichou encostada no portão, cachorro latiu sem motivo. A tensão fez fila na viela. Soldado passou com o dedo no gatilho e o olhar virado pra esquina onde a vida costuma aprontar. Respirei fundo. O silêncio da comunidade, quando vem desse jeito, tem barulho de prece. Dante entrou no quarto como quem abre porta de quartel. Camisa colada no corpo, coldre colado, olhar de comando. Respirei outra vez, não sei se de raiva ou de alívio. — Bora. — Ele não perguntou se eu queria. — Anda comigo. — Eu pareço troféu? — retruquei, já de pé. — Vai me pendurar na mureta? — Vai andar do meu lado. — A voz veio baixa, firme. — O morro precisa ver a rainha. —

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