— Olha só, eles resolveram aparecer! — o ômega se despregara das panelas, encontrando Jongin e Mingyu entrando na cozinha, sendo que o segundo estava com os pés cheios de terra — Achei que tivessem fugido de casa.
O Kim havia dito que passaria o sábado todo com eles, coisa que deixou Mingyu muito feliz, estava animado com a possibilidade de passar o dia todo com seu pai mais babão e que sempre fazia suas vontades. Jongin o havia levado para brincar no parquinho que ficava do outro lado da rua, coisa que o garoto adorava especialmente aos sábados pela manhã, que era lotado de outras crianças. Jongin gostava de vê-lo feliz brincando, mesmo que para isso tivesse que passar horas sendo sondado por um bando de mães, que achavam uma gracinha vê-lo ali com o filho. Mas gracinha mesmo era o alfa não usar uma aliança.
— Mingyu não queria voltar e eu estava num papo bem rendoso sobre bolos de milho.
O ômega riu, só então notando que Mingyu estava enchendo a cozinha de terra.
— Mingyu vai já tomar um banho. — o ômega ralhou — Onde deixou ele se enfiar? O menino tá coberto de areia! — a essa hora o alfa menor já havia corrido para o banheiro, deixaria que a bronca ficasse somente com o mais velho — O que eu falei, Jongin? Nada de brincar na caixa de areia!
Kyungsoo cuidava dos mínimos detalhes, gostava de ver o ômega reclamando porquê sabia que ele não estava com raiva de verdade. Não era como se Jongin continuasse a deixar que seu filho fizesse tudo o que queria, ele já havia começado a impor limites, Mingyu havia entrado na caixa de areia quando o Kim mais velho estava distraído demais falando sobre cereais que davam câncer com uma senhora, quando percebeu já era tarde demais.
Talvez ele nem notasse o quanto estava deixando de ser um alfa solteiro que perde seu tempo bebendo ou paquerando alguém em algum bar. Jongin havia trocado suas conversas sobre futebol e ômegas, por bolos de milho e cereais que davam câncer e sequer estava notando isso. Bom era quem reparava em tudo, Jongin estava tão feliz, sempre erra visto sorrindo sozinho enquanto se lembrava de algum momento que viveu com o filho.
— Sou inocente, eu juro. — o alfa levantou as mãos se rendendo, vendo Kyungsoo revirar os olhos e voltar a picotar as verduras com uma faca grande demais para suas pequenas mãos. O alfa o abraçou pela cintura e beijou o alto de sua cabeça, descendo seus beijos também pela pele descoberta do pescoço do ômega.
— Para, Jongin, eu tô ocupado. — o menor tentava se desviar, encolhendo-se — Para, é sério.
Mas ele não parou e o ômega foi obrigado a soltar a faca para não acabar se cortando, virou-se para o mais alto e enroscou suas mãos pelo pescoço do alfa, que lhe encheu de beijos pelo rosto. Gostava daquele carinho, o fazia se sentir tão querido, ainda mais agora que a abstinência dos inibidores de cio estava começando a deixa-lo carente e necessitado de atenção, Jongin sabia o quanto Kyungsoo precisava de abraços e beijos e lhe daria quantos mais ele quisesse.
— Que cheiro é esse? — o ômega o empurrou, parando para cheirar as roupas do alfa — Isso é cheiro de ômega, alfa?
O Kim puxou a camisa para se cheirar também.
— ‘Tava cheio de ômegas no parquinho, eu estava conversando e fez ou outra alguém se aproximava mais, talvez algum deles estava perto do cio e o cheiro estava mais forte e impregnou em mim. — ele explicou, franzindo o cenho diante da cara brava do menor.
— E você não sentiu?
— Ah, Kyungsoo, eu não estava prestando atenção nisso. — o alfa segurou Kyungsoo com pouca força ao redor de seu cotovelo, alisando seu braço com o polegar — Está com ciúmes, ômega?
O Do fechou a cara e se afastou indo até a pia, passou a lavar as mãos, pois não tinha nada para fazer ali além disso. Mas Jongin foi atrás dele, segurando em suas costas e o forçando a se virar para que o olhasse, a expressão brava ainda estava ali, as bochechas meio vermelhas, chegava a ser adorável.
— Sabe que eu adoro quando você fica bravinho assim?
— Eu não tô bravinho! — o menor empurrou seus braços para longe — Você sabe que eu tô sensível, para de ficar me tocando!
— Por que eu não posso tocar em você?
— Porque... porque não! — o ômega estapeou com pouca força os braços do Kim e se afastou dele indo até o outro lado da cozinha, ficou cinco ou seis segundos de cara emburrada para ele, com os braços cruzados — Por que ainda está parado aí? Me abraça!
Depois do almoço Mingyu dormiu no sofá, estava tão aconchegado entre as almofadas que ninguém conseguiu o tirar, deixando a televisão ligada, pois Kyungsoo sabia que se desligasse o garoto iria acordar. Os dois acabaram indo para o quarto com a ideia de dormir um pouco também, mas no fim apenas Kyungsoo dormiu, agarrado no peito do alfa com toda a liberdade do mundo. Jongin descobriu que gostava de ver Kyungsoo dormindo tranquilo, nessas horas ele até parecia um anjo.
Mexia em seu celular lendo as mensagens que já deveria ter respondido há muito tempo, no meio disso acabou recebendo uma chamada de vídeo de seu pai, pensou em ignorar, mas sabia que se fizesse isso acabaria gerando uma briga, seu pai era sensível demais e considerava qualquer coisa como uma coisa grande, principalmente quando Jongin desligava em sua cara.
Atendeu, tentando disfarçar Kyungsoo mais embaixo.
— Oi, pai.
— Filho, desculpa ter sumido, no chalé não tinha sinal de internet e o telefone era r**m.
— Tudo bem, pai, como vocês estão?
— Estamos bem, eu e sua mãe já estamos na Coréia, estamos em casa e queremos visitas, faz tempo que não nos vemos, você não tem tempo nem pros seus pais, que filho ingrato que nós criamos.
— Vocês estão sempre viajando e eu sou o ingrato? — o alfa se fez de ofendido, pondo a mão no peito e batendo na cabeça de Kyungsoo por acidente, que se mexeu e soltou um gemido chateado.
— Tem alguém aí? — o mais velho perguntou, tentando olhar como se isso fosse possível — Jongin, eu ouvi um gemido, eu sei que tem alguém aí, e esse não é o seu quarto, não tem janela perto da sua cama, onde você está?
O alfa se viu meio sem opções, o que poderia dizer? Se bem que já estava mais do que na hora de contar para sua família sobre seu filho e sobre Kyungsoo, já escondera isso por quase três meses, já era tempo demais e um assunto muito sério para simplesmente guardar só para ele.
— Podemos nos encontrar hoje à noite? Tenho duas pessoas para apresentar pra vocês.
— Estou curioso, não pode ser exatamente agora?
— Seja paciente, ômega!
Viu quando seu pai, Kim Hyojong, lhe mostrou a língua e desligou a chamada de vídeo. Jongin suspirou olhando a tela de seu celular, certamente que aquela conversa que teriam seria bem longa e difícil, tinha tanta coisa para explicar aos seus pais, Mingyu era uma história longa e complicada, mas uma história que o deixava tão feliz. Parando para pensar ele não se importava mais com as circunstancias que levaram Mingyu a nascer, pois já não conseguia imaginar sua vida sem ele.
Kyungsoo estava mais nervoso que ele, quando Jongin lhe disse que visitariam seus pais, o ômega não parou de roer as unhas um só segundo, perguntando o tempo todo se eles eram legais. A verdade era que o Do estava com medo de que de alguma forma eles não gostassem de Mingyu e acabassem destratando o menino, tento um tipo de reação parecida com a reação que Jongin teve quando conheceu o garoto.
O carro do Kim parou diante dos portões da casa dos pais, que parecia uma daquelas casas de novela mexicana, só estava faltando um chafariz com um anjinho de p***o de fora. Logo depois Kyungsoo descobriria que era porque Hyojong gostava desse tipo de novela e queria uma casa igual a da família do marido da Maria do Bairro.
Jongin desceu do carro e Mingyu fez o mesmo, Kyungsoo ainda enrolou um pouco antes de descer. Os três entraram na grande casa com o alfa mais velho segurando a mão de Mingyu, pois o garoto fizera menção de sair correndo casa a dentro assim que viu o espação que ela tinha. Mas m*l dera dez passos e encontraram a sala de estar com o casal sentado no sofá juntos, Hyojong assistia televisão enquanto sua esposa, Kim Hyunah, mexia em seu notebook parecendo muito concentrada.
— Pai, mãe.
O ômega foi o primeiro a virar a cabeça na direção da voz, desligando a TV imediatamente. A alfa imitou a reação do marido, fechando seu notebook assim que os viu, sem se importar em acabar interrompendo algo importante que fazia.
— Eu quero apresentar uma mini pessoa pra vocês. — o moreno segurou Mingyu pelos ombros, o colocando à sua frente — Este é Mingyu, meu filho.
Viu quando Hyunah ficou de pé, aparentemente atordoada com tudo aquilo. Hyojong se erguera rapidamente, correndo até o garoto e se agachando ao seu lado, os olhos cheios de lágrimas comtemplando o rosto do menino e enxergando seu filho quando era uma criança, quase a mesma pessoa. O ômega parecia sem falas, olhando para Mingyu e depois para Jongin.
— Meu Deus, Jongin, ele é... mas como? — o ômega Kim segurou nas mãos pequenas do neto, emocionado demais, Mingyu ainda estava calado, sem entender muito bem o que estava acontecendo.
— É uma história tão longa.
— Pode começar agora. — Hyunah dissera, parecia nervosa — Temos a noite toda pra você conta-la.
Kyungsoo se sentiu desconfortável com a presença da alfa, que não parecia muito feliz, de forma inconsciente o ômega se aproximou mais de Jongin, para ficar em sua zona de proteção. E Jongin sabia que sua mãe não estava muito satisfeita com aquilo, pelo menos, era o que estava aparentando.
Depois que se sentaram, Jongin contou tudo, desde o momento em que Kyungsoo apareceu em seu escritório com uma foto do garoto até os acontecimentos mais recentes, sem ocultar nenhum detalhe importante, deixando bem claro que Mingyu era seu filho biológico e que já estava registrado legalmente como tal. O ômega Do reparava muito no comportamento da alfa, que não parecia muito feliz, fazia tantas perguntas como se quisesse achar uma brecha naquela história toda.
A essa altura Mingyu já estava no colo de Hyojong, que já estava totalmente alheio com a conversa, brincando com o neto e parecia muito feliz com aquela história.
— Fala com ele! — em algum momento viu quando Jongin falou um pouco mais alto, aparentemente incomodado com a distância que Hyunah estava querendo criar entre ela e o neto — Olha, assim que o conhecer vai perceber que Mingyu é uma criança adorável.
Mas a alfa parecia relutar.
— Mingyu, vem falar com a sua avó.
O garoto desceu do colo de Hyojong e foi em passos curtos para perto de onde seu pai estava com aquela mulher, parecia tímido diante dela, se escondendo nos braços de Jongin, sem conseguir se aproximar mais de Hyunah. Jongin encarou a mulher de cabelos vermelhos esperando que ela fizesse alguma coisa.
— Oi... Mingyu. — ela tentou, ainda lutava consigo mesma, mas assim que encarou o garoto nos olhos, seu instinto falou mais alto, olhando para ele conseguia olhar para o passado, quando a vida ainda era difícil e ela precisava trabalhar tanto que m*l tinha tempo para o filho — Eu sou a Hyunah... a mãe do seu pai, eu sou sua avó.
O menino a encarou ainda tímido.
— Vai dar um abraço na sua avó, Mingyu. — o pai o incentivou.
Mingyu ainda ficou parado por alguns segundos antes de se soltar do pai e se jogar nos braços da avó, recebendo o primeiro abraço da mesma. Hyunah se sentia estranha à princípio, mas não resistiu em fechar os olhos e sentir emocionada ao conhecer e tocar pela primeira vez em seu primeiro neto, seu neto de verdade, não apenas uma mentira.
Eles acabaram ficando para o jantar, onde Mingyu comeu comida francesa pela primeira vez, estava com uma cozinheira nova que só sabia fazer pratos de seu país natal e aparentemente ninguém se incomodava com isso. O pequeno alfa até pediu para repetir, coisa que raramente fazia.
Depois do jantar eles foram para o jardim, estava um clima gostoso naquela noite e Jongin estava ansioso para trabalhar o processo de aproximar Hyunah do neto, a alfa parecia estar se acostumando com a ideia e logo concordou em ir com o mesmo brincar no balanço. Kyungsoo acabou ficando com Hyojong, que parecia ser muito simpático de amigável, além de falar pelos cotovelos, coisa que o Do notou rapidamente.
— Sabe, Kyungsoo, eu realmente estou muito animado. — ele dizia, enquanto gesticulava com os dois braços — Um neto? Meu Deus, eu sempre quis! Mas depois do que aconteceu o Jongin ficou todo estranho e parecia não querer mais, sabe, eu fico feliz em saber que agora ele tem um filho de verdade.
— O que aconteceu?
— Ah! — o ômega loiro notara que havia falado demais — Pensei que ele tivesse te contado.
— Ele não me contou nada.
— Ele vai te contar na hora certa.
Na verdade Kyungsoo sabia por alto aquela história, mas aquilo envolvia um segredo seu também, então só contaria quando Jongin contasse. Sabia que aquilo feria os dois e que era uma coisa difícil, mas há alguns anos, uma pessoa destruiu tudo na vida do Kim, quebrando suas esperanças e seu coração.
— Sabe, Kyungsoo, meu filho precisa mais do que tudo de alguém que o ame e cuide dele, Jongin nunca foi bom com relacionamentos, eu sei disso. — o loiro dissera — Mas no fundo ele é uma boa pessoa, eu gosto do jeito que vocês se olham, é como se já se conhecessem a vida toda.
Kyungsoo olhou para onde Jongin estava com Hyunah e Mingyu, seu sorriso era tão bonito e seus olhos brilhavam, o olhando daquela forma não enxergava mais Jongin como um empresário sério e fechado, aquele Jongin era diferente, ele era apenas Kim Jongin, o pai de seu filho e o homem que lhe dava beijos lentos e o abraçava, segurava sua mão e perguntava sobre seu dia, o homem que o buscava no trabalho e o homem que colava sua testa à sua e sussurrava o quanto estava bonito.