— O que está acontecendo aqui?
Kyungsoo estava parado na porta, olhava para o menino de rostinho sujo e cabelos malcuidados sem entender o motivo dele estar ali. Jongin se levantou da cadeira imediatamente, já pronto para explicar tudo o que havia acontecido. O ômega não parava de olhar para o menino enquanto seu noivo explicava a situação, um milhão de perguntas estavam se formando em sua cabeça.
— E você simplesmente o trouxe sem mais e nem menos? — o ômega não parecia muito seguro com a história — E se acharem que você o sequestrou?
— Kyungsoo, esse garoto está na rua há dias. — o alfa insistiu — Queria que eu o abandonasse lá? Assim que a segunda-feira chegar eu juro que vou resolver as coisas legalmente.
O menor olhou mais uma vez para o menino, parecia incerto com algumas coisas, o garotinho estava muito sujo, o que indicava que estava há dias nas ruas, comia tudo o que Bom colocava em sua boca, provavelmente com muita fome, e ele era tão pequenininho, tão frágil.
— Eu vou... esperar ele terminar de comer e depois dar um banho nele.
— Eu sabia que você iria entender. — o alfa abriu um sorriso largo e beijou rapidamente os lábios do mais baixo — Que o seu coração é bom, meu amor.
O ômega também sorriu, e em seguida saiu da cozinha para procurar uma roupinha que estivesse pequena em Mingyu e que pudesse caber no mais novo hóspede. Os demais ficaram na cozinha, e tentavam não ficar encarando para que o menino não se sentisse constrangido.
Depois de encontrar algo pequeno, pegar uma toalha, shampoo e sabonete, o ômega retornou à cozinha para pegar o menino.
— Oi, eu sou o Kyungsoo. — foi o que disse quando se aproximou — Sou o Omma do Mingyu, você quer tomar um banho? Aposto que vai se sentir bem melhor quando estiver limpinho.
O menino afirmou com a cabeça e acompanhou o ômega até o banheiro do corredor.
Parecia meio receoso quando precisou tirar roupa e assim que o garotinho tirou a camiseta ficou evidente o que ele estava escondendo. Haviam marcas em suas costas, marcas que pareciam queimaduras, como se alguém tivesse apagado cigarros em suas costas. Naquele exato momento o ômega deu toda razão para Jongin, pois mesmo que os responsáveis por Yeongsan estivessem por perto, pessoas que deixavam que algo assim acontecesse, não tinham direito nenhum de requerer a guarda do garoto.
Aquele menino precisava ser protegido.
— Não gosta de água quente? — se permitiu sorrir diante da careta que o menino fez quando a água quente tocou em suas costas — Vou ligar a água fria.
Kyungsoo se abaixou para poder ajudar o garoto no banho, podia notar o quão magro ele era e quanto mais detalhes notava em seu corpinho, mais se dava conta de que ele deveria estar sendo maltratado, haviam arranhões em sua pele, que pareciam ter sido feitos com galhos de árvore, aquela criança não podia voltar para a casa onde esteve antes, Jongin e ele precisariam ter uma longa conversa para decidir o que fazer.
E se certificar que os pais daquele menino jamais colocassem as mãos nele de novo.
— Olha como esse shampoo é cheiroso, ele é feito nas fábricas do Jongin, faz parte da nossa coleção infantil, Mingyu adora ele. — o Do tentava ter alguma conversa, tudo para que o garoto se sentisse mais confortável.
Sua expressão havia se amenizado, o que indicava que ele estava mais confortável.
Lavou os cabelos do garoto e precisou de uma bucha para tirar toda a sujeira da pele, suspeitava que o menino estivesse sendo mantido sujo até mesmo quando estava em casa. Sentia vontade de chorar diante de tudo aquilo, não conseguia aceitar que existia alguém c***l ao ponto de fazer isso com um menino tão pequeno, era desumano demais, nem mesmo animais tratavam seus filhos assim.
— Quantos anos você tem?
— Quatro.
Era como havia suspeitado, tinha a altura de uma criança nessa idade, mas com certeza estava abaixo do peso. Depois do banho, o ômega o enrolou em uma toalha infantil, que havia sido abandonada por Mingyu após o alfa crescer demais. O colocou em seus braços para o levar para o quarto do filho sem que o garotinho saísse molhando a casa. Já no quarto, o colocou sentado sobre a cama.
— Achei uma roupinha perdida nas coisas do Mingyu, ele nunca nem usou, eu ganhei de um amigo que não sabia quantos anos ele tinha. E também achei uma cuequinha nessa mesma coleção de coisas que nunca couberam em Kim Mingyu.
O mais velho se abaixou perto do menino, enxugando os cabelos do mesmo com a toalha. Foi a primeira vez que o menino sorriu desde que chegara.
— Você é um menino muito bonito. — Kyungsoo disse — Um ômega muito bonito.
O pequeno tinha cheiro de margaridas, ainda bem fraquinho como eram os cheiros de crianças ômegas, mas mesmo assim estava muito evidente em todas as suas feições delicadas, agora livres de toda aquela sujeira que outrora esteve impregnada. O mais velho vestiu o menino em uma camisetinha amarela clarinha e um shortinho em um amarelo vivo, também conseguiu para ele um chinelinho que era muito especial para ter sido jogado fora.
Parecia outra criança.
— Agora vamos mostrar para todos o quanto você é lindo.
E logo o pegou pela mãozinha e foi com o menino até a sala, onde todos estavam sentados, pareciam estar esperando ansiosos. Kyungsoo apresentou o menino como quem apresenta um novo m****o para a família, e por um segundo inteiro, Jongin teve certeza de que ele realmente seria.
— Olha que ômega bonito. — ele dizia enquanto o garoto acanhado tentava se esconder em suas costas — Mingyu, por que não leva o Yeongsan para brincar no seu quarto?
O alfa balançou a cabeça e logo correu para buscar Yeongsan pela mão e irem brincar, o menino parecia confiar completamente em Mingyu e não demorou para sair correndo com ele para irem brincar. Foi preciso apenas que as crianças não estivessem ali para que Jongin o olhasse com uma expressão que já dizia tudo.
A relação de ambos havia evoluído ao ponto de já entender tudo apenas com um olhar.
— Eu vou deixar vocês conversarem.
Logo que Bom saiu, restava apenas um alfa cheio de coisas para falar e um ômega que não se sentia pronto para ouvir. Não demorou muito para que o ômega se aconchegasse no colo do Kim, o Do estava com uma saia azul, que deixou sua coxas a mostra quando se acomodou sobre o noivo, mas ambos estavam com a cabeça tão cheia que não conseguiam pensar em qualquer outra coisa que não fosse o pequeno ômega.
— Kyungsoo...
— Amanhã nós conversaremos, Jongin, eu prometo.
O alfa alisou os cabelos negros do menor, que já estavam começando a crescer, Kyungsoo comentara sobre sua vontade de deixar os cabelos na altura dos ombros, algo que Jongin respondeu prontamente com um “Vai ficar ainda mais perfeito do que já é”. Kyungsoo estava feliz, sua vida se transformara nos últimos meses, e aquilo era tão bom, ele tinha apoio em tudo, algo que jamais imaginou que fosse vir justamente de Kim Jongin.
— Vou estar pronto quando você estiver pronto.
As crianças brincaram no quarto até anoitecer, Kyungsoo ficou na cozinha ajudando Bom com o jantar, e também conversando sobre qualquer assunto, especialmente sobre Yeongsan e como Mingyu parecia estar feliz com ele. Os pequenos apareceram na cozinha algumas vezes, falando algo sobre biscoito e voltando com as mãos cheias, sendo que as mãos cheias de Yeongsan só pegavam dois biscoitos.
Jongin estava na sala com o notebook, preso em várias planilhas que havia ignorado o dia todo, quando Kyungsoo passou indo na direção da porta.
— Vai sair? — o alfa perguntou assim que Kyungsoo destrancou a porta, não era do tipo ciumento que controlava todos os passos que seu ômega fazia, mas não gostava que ele saísse sozinho à noite, especialmente sem saber para onde ele estava indo.
Era um bairro seguro, mas nenhuma segurança era 100%.
— Vou no supermercado aqui do lado. — informou — Vem comigo, amor.
— Ai, amor, eu tô cheio de coisa pra fazer. — o alfa respondeu, mas viu quando Kyungsoo fez um biquinho — Tá bom, deixa eu vestir uma camisa.
Não demorou muito para que Jongin vestisse a camisa que havia abandonado sobre o sofá, fechar o notebook e colocá-lo onde as crianças — especialmente Mingyu perigoso — não podiam alcançar.
Os dois desceram pelo elevador, Jongin não sabia o que eles haviam ido comprar, imaginava ser alguma coisa que estava faltando na geladeira. Mas quando chegaram ao supermercado, Kyungsoo foi diretamente para ala onde ficavam os produtos infantis, parando bem ao lado de onde estavam as fraldas.
— Fralda?
— É, o Yeongsan ainda é muito pequeno, provavelmente ainda faz xixi na cama. — ele explicou.
Jongin não entendia a demora para escolher uma simples fralda, haviam tantas coisas escritas nas embalagens e o ômega lia tudo, para o alfa, fralda era tudo igual, estava aprendendo algo novo naquele fim de semana. Kyungsoo também pegou talco e pomada pra assadura por via das dúvidas.
— Vai levar uma mamadeira também? — o alfa perguntou assim que parou ao lado das ditas cujas, pareciam tão bonitinhas que não resistiu em pegar uma.
— Claro, não podemos esquecer, Yeongsan ainda não mastiga direito, e uma mamadeira bem cheia de mingau vai fazê-lo ter uma ótima noite de sono.
Deixou o alfa escolher, que acabou ficando uma cor de rosa, que achou que o pequeno ômega fosse gostar. Kyungsoo ainda pegou algumas coisas que seriam mais apropriadas para o menino comer no dia seguinte, em casa não haviam muitas coisas pastosas. Yeongsan parecia ter algum problema nos dentes, provavelmente estava com um deles molinho, talvez fosse o primeiro dente que estivesse para cair.
Depois de passarem pelo caixa, os dois foram para casa. O supermercado ficava ao lado do prédio em que viviam. Quando chegaram já estava quase na hora do jantar.
— Agora o papai vai dar banho nas crianças e eu vou preparar a mamadeira do Yeongsan. — foi a primeira coisa que o ômega disse assim que entraram.
Jongin não fez nenhum protesto, passou direto para o quarto onde os meninos estavam brincando. Foi impossível que não parasse por alguns segundos na porta assim que viu Mingyu com todos os seus bonecos no chão, dizendo para Yeongsan o nome de cada um deles, o pequeno alfa também estava dividindo-os, deixando que o ômega escolhesse quais bonecos queria para si.
Ficava muito feliz em ver seu filho assim, longe de ser um garoto egoísta e mimado, Mingyu estava se tornando um alfa de caráter, alguém amoroso e gentil, e essa era a maior realização que um pai poderia ter.
— Hora de guardar os brinquedos, crianças, vocês precisam tomar banho para jantar.
Mingyu queria protestar, mas parou no olhar do pai. Logo já estava colocando tudo dentro do cesto novamente, Yeongsan estava ajudando como podia, mas fazia isso muito devagar, era até fofo e engraçado vê-lo colocando os brinquedos no cesto como se estivesse com medo de que eles se machucassem, enquanto Mingyu jogava sem piedade nenhuma.
Depois de tudo arrumado, os pequenos seguiram o mais velho até o banheiro. Mingyu já tomava banho sozinho, e insistira muito em querer ajudar Yeongsan a tomar banho, Jongin ficou ali apenas para ter certeza de que o mais velho não iria afogar o mais novo por acidente. Era engraçado ver Mingyu tão prestativo, e se prestasse ainda mais atenção em tudo, notaria que o pequeno alfa estava se esforçando para mostrar que Yeongsan não dava trabalho, que não atrapalharia, para que assim seus pais pudessem aceitar que ele ficasse.
Mingyu já havia se apegado a Yeongsan.
Depois de ver que os dois estavam limpinhos, o mais velho enrolou o pequeno na toalha e o pegou no colo, enquanto Mingyu vestiu seu roupão cheio de patinhos e os acompanhou até o quarto. Kyungsoo já havia separado os pijamas dos dois, o menino mais velho ficou no quarto se vestindo enquanto Jongin passou direto para a cozinha.
— Kyung, eu não sei pôr uma fralda. — o alfa disse com a criança ainda de toalha em seu colo.
— Quer ter outro filho e não sabe nem colocar uma fralda? — o ômega o encarou incrédulo, passando diretamente pelo mais alto para ir para o quarto.
O alfa foi junto, e repousou a criança sobre a cama para que o ômega colocasse uma frada nele. Yeongsan já parecia muito à vontade com eles, por mais que estranhasse fraldas descartáveis, deixou que Kyungsoo colocasse a fralda em si. O ômega mais velho também vestiu a camisa do pijama branquinho, mas Yeongsan esperneou para não colocar a calça, e acabou deixando que o menino ficasse apenas com a fralda e a camisa de mangas cumpridas.
Depois de devidamente penteados e de ambos ganharem muitos beijinhos no rosto, as duas crianças foram para a sala, isso depois de Jongin deixar que Mingyu pegasse o tablet para que ficassem assistindo vídeos quietinhos e sem se sujar.
Jongin foi tomar banho para o jantar e Kyungsoo aproveitou para ir junto.
Depois do banho, Kyungsoo levou a mamadeira para Yeongsan, mas apenas entregou para o menino, imaginando que por já ter quatro anos ele já soubesse toma-la sozinho, e levou Mingyu para a cozinha para que ele jantasse. O horário do jantar era meio bagunçado, pois eles costumavam comer em horários diferentes, Jongin sempre jantava mais tarde e normalmente Bom nem jantava, pois passava a tarde toda beliscando enquanto cozinhava.
Jongin estava absorto em suas planilhas novamente, enquanto Yeongsan estava com a mamadeira na mão.
— O que foi? — o alfa perguntou assim que viu que o menino não estava tomando o mingau — Não gostou do mingau?
Mas o menino não disse nada.
— Vem cá. — o alfa tirou o notebook do colo e abriu os braços esperando pelo garoto.
Não demorou mais do que cinco segundos para que o garotinho saísse correndo e fosse acolhido nos braços do mais velho. Yeongsan queria carinho e amor acima de tudo, e pelo jeito que o garoto se aconchegou ficava bem claro o quão carente ele estava de afeto.
E o menino ficou ali depois que acabou a mamadeira, respirava baixinho como se estivesse muito calmo, quietinho e sereno, em algum momento ele segurou um dos dedos do Kim, brincando com sua mão e apertando com força seu polegar, foi impossível que não parasse para prestar atenção nisso.
— Fico feliz que confie em mim. — ele disse — Eu não sei quem machucou você, mas vou garantir que esse monstro nunca mais toque em você.
Ele ainda não sabia o que se passava na cabeça de seu noivo naquele momento, mas torcia para que ele também estivesse comovido e que também desejasse não só que Yeongsan encontrasse um lugar melhor, mas que ficasse ali.
Mais tarde todos jantaram, e as crianças ficaram na sala vendo vídeos engraçados no YouTube. Já era bem tarde quando Kyungsoo notou que os meninos estavam cochilando na poltrona. Ele e o Kim precisaram os levar para a cama, enquanto o alfa reclamava do quanto Mingyu era pesado e dava toda a razão do mundo quando o pediatra dizia que o garoto estava engordando, achava fofo seu filhote com bochechas redondinhas, mas sofria quando precisava carrega-lo para qualquer lugar.
Colocaram os dois na mesma cama, a cama de Mingyu, e os cobriram com o lençol. Deixando beijinhos em seus rostos antes de saírem do quarto após apagar a luz.
— Kyungsoo...
— Amanhã, Jongin, amanhã.
Mas quando o amanhã chegou, Kyungsoo não tocou no assunto.
A manhã foi tranquila e os dois meninos não se desgrudaram um só minuto, enquanto observava Yeongsan escovar os dentes, o ômega pôde perceber que ele evitava um lugar, e depois de pedir para o menino abrir a boca, constatou que ele realmente estava com um dentinho mole.
Pela tarde, eles decidiram ir ao shopping todos juntos, para ver um filme no cinema e comer um lanche na praça de alimentação, o que implicava em Mingyu emburrado porque queria um sanduiche de adulto e ganhou apenas um pequeno infantil. Yeongsan estava comendo apenas a batata frita e sujando a boca toda. Bom foi embora logo depois, depois de encontrar uma amiga em uma loja e seguir com ela para botar o papo em dia. Jongin ainda comentou algo sobre essa amiga ser mais do que uma amiga para a beta.
— Poderíamos aproveitar que estamos aqui e comprar algumas roupas para o Yeongsan. — Jongin sugeriu assim que pagou a conta, o pequeno ainda estava segurando duas batatas fritas na mão, segurando com tanta força que parecia que estava com medo que alguém roubasse dele.
E esse alguém era Kim Mingyu.
— Seria ótimo, ele não pode usar as roupas velhas do Mingyu pra sempre.
— Pra sempre?
O ômega demorara para se dar conta do enorme significado do que havia falado, mas preferiu fingir que nada havia acontecido. Levou as crianças para lavar as mãos e depois saiu segurando-os pela mão, enquanto o alfa os seguia com um sorriso pequeno nos lábios.
Kyungsoo entrou na primeira loja de roupas infantis que viu, já procurando por uma arara com roupinhas do tamanho de Yeongsan, e não demorou muito para que uma atendente aparecesse para ajuda-lo. Jongin também escolhia algumas, mas surpreendeu quando o noivo quando apareceu com roupas femininas para o menino.
— Você acha que o Yeongsan vai gostar?
— Podemos perguntar a ele.
Os dois mostraram para o pequeno dois conjuntinhos, um “de menino” com shortinho e uma blusinha azul, e outro com uma saia cor de rosa cheia de babadinhos e uma blusinha branca com uma flor desenhada. O menino ômega pareceu bem mais interessado no conjuntinho rosa do que no outro.
— Eu venci, Kyungsoo. — o alfa disse, enquanto o ômega lhe mostrava a língua e seguida com a criança para o provador.
E Yeongsan ficou perfeito naquela roupinha, ainda mais quando Mingyu aparecei uma tiara de unicórnio, eles nunca tinham visto o garotinho tão feliz. Era meio óbvio o que ele realmente queria e nenhum dos dois via problema nisso, pelo contrário, Jongin parecia maravilhado, e até mesmo Kyungsoo, que nunca foi muito fã de roupas femininas — mas passara a usar nos últimos meses, vendo que poderia sim se sentir muito bonito nelas —, estava achando o pequeno muito fofo.
— O filho de vocês é uma gracinha. — a vendedora disse em algum momento, enquanto segurava as diversas roupas que eles já havia escolhido.
— Ele não...
— Obrigado. — Kyungsoo interrompeu antes que Jongin dissesse qualquer coisa, algo que arrancou um sorriso enorme do alfa.
Eles foram para casa com várias sacolas, era até difícil de carregar, mas um dos rapazes da loja os acompanhou até o carro. Talvez tenha sido algo precipitado demais, mas ficou bastante obvio naquele momento que nenhum dos dois pretendia que Yeongsan fosse embora.
Era uma forma muda de dizer que ele ficaria, que eles dariam um jeito.
Já em casa, a rotina se seguiu da mesma maneira que no dia anterior, com um banho bagunçado e um alfa lutando para aprender a colocar uma fralda direito. Cabelos sendo penteados, beijinhos no rosto e um Yeongsan com pijaminha de coelho correndo pela casa com Jongin atrás dele gravando vários vídeos da fofura do garoto, isso até ele cair e o alfa voltar com o menino chorando em seu colo.
Fora um pouco mais difícil os colocar para dormir naquela noite, eles não pareciam cansados, o que fez com que os dois ficassem ali contando historinhas até eles aparentemente dormirem, pelo menos, aparentemente. O casal foi para o quarto, chegara a hora de ter aquela conversa.
— Kyungsoo, você fugiu o dia todo. — o alfa disse assim que seu noivo saiu do banheiro.
— Jongin. — o menor o olhou sério e ficou calado por cerca de cinco segundos — Se você quiser, eu também quero.
Logo em sorriso enorme se abriu no rosto do moreno, que partiu para o ômega o abraçando pela cintura e beijando seus lábios com todo o amor que tinha dentro de si. Estava realmente feliz, de um jeito que jamais fosse imaginar que estaria, afinal, m*l conseguira aceitar Mingyu quando ele chegou, e agora estava animado com a ideia de adotar outra criança.
— Tem certeza que é isso mesmo que você quer, Jongin?
— Absoluta, estou completamente apegado com aquele menino.
Assim que estava tudo certo entre eles, Jongin decidiu ligar para Yifan, seu advogado e também amigo muito próximo, claro que precisou ouvir o Wu rir de sua cara e fazer um longo discurso sobre o quanto ainda não conseguia acreditar no quanto seu amigo chato e carrancudo havia mudado, mas também que estava muito feliz por ele e que iria contactar uma amiga muito influente no setor de adoções, assegurando que ele não precisava se preocupar com nada, pois mudaria de nome se não conseguisse uma guarda provisório ainda na segunda-feira.
Jongin não duvidava de nada quando o assunto era Wu Yifan, não havia um só caso que ele houvesse perdido, pois além de bom advogado, também era uma pessoa muito influente e de muitos contatos. Também podia contar com sua própria influencia, não havia nada que pudesse invalidar seu pedido, afinal, estava em um relacionamento sólido com Kyungsoo, já eram pais de um menino de sete anos e pertenciam a uma classe social bastante elevada, todos os pré-requisitos em uma adoção.
— Tudo resolvido. — foi o que alfa disse assim que terminou a ligação — E nós podemos ir encomendando o nosso terceiro filho.
Mas o ômega virou para o lado e fechou muito bem as pernas.
— De jeito nenhum, alfa, eu não vou parir mais nenhuma criança enorme sua.
Mas o alfa não havia desistido, e agora beijava o pescoço do menor na tentativa de o fazer amolecer. Estava quase conseguindo quando batidas na porta o fizeram parar, vindas juntamente com um “Mamãe, papai, abre”, com a voz que reconheceriam em qualquer lugar.
Kim Mingyu.
— Ele falou mamãe primeiro, então é você que vai.
— Quando isso virou uma regra?
— Vai logo.
Quando o alfa abriu a porta, os dois meninos entraram correndo, sequer deu tempo de perguntar qualquer era o problema. Quando se deu conta, eles já estavam subindo na cama, isto é, Mingyu estava, pois a cama era alta e Yeongsan não conseguia.
Ele deu meia volta e ajudou o ômega a subir.
— Quem disse que vocês podiam dormir aqui? — Kyungsoo perguntou vendo as duas crianças se acomodarem.
— Yeongsan está com medo. — Mingyu deu a desculpa.
— Está é?
— Tá sim.
— Então tá bom.
Era impossível resistir, logo as duas crianças estavam muito bem cobertas e dormindo entre o casal. E fora bem ali, abraçado com sua família, que Jongin percebeu que já se tornara o homem mais feliz do mundo, que estava completo afinal, e que não precisava de mais nada.
E como o prometido, Yifan conseguiu uma guarda provisória no dia seguinte, descobrindo que o menino já era bastante conhecido no conselho tutelar, pois os vizinhos haviam denunciado maus tratos, também descobrira que os pais do mesmo haviam perdido sua guarda há algumas semanas, mas ao invés de entregar o ômega, prefeririam o abandonar na rua para não dar o braço a torcer. O garotinho já estava na lista de crianças que iriam para a adoção, e a encarregada do orfanato para onde ele iria, ficou muito feliz em saber que ele já estava sendo acolhido por um casal que desejava adotá-lo.
Não demorou mais do que duas semanas para a adoção oficial acontecer, algo que surpreendeu a todos, ao mesmo tempo que ficaram muito felizes. Os novos documentos de Yeongsan ficaram prontos, e o menino pareceu muito satisfeito em ser chamado de Kim Yeongsan.
Kim Yeongsan era um nome bonito.
Ele ainda estava em idade pré-escolar, mas nunca havia frequentado uma escola até então, mas após uma conversa com a diretora do colégio em que Mingyu estudava, ela se comovera com a história do menino e deixara que ele entrasse no meio do ano. E no fim das férias escolas, Yeongsan estava animado para o seu primeiro dia de aula, especialmente depois de ouvir Mingyu falando sobre o quanto a escola era legal.
Agora o alfa estava na porta da escola, os meninos já haviam descido do carro e agora estavam ali com ele. O alfa se abaixou para ficar na altura das crianças, um sorriso enorme estava em seu rosto. Os dois o abraçaram antes de sair correndo na direção da entrada da escola, mas voltaram dois segundos depois.
— Eu te amo, papai. — Mingyu disse após dar um beijo no rosto do mais velho.
— Eu também te amo, papai. — foi a vez de Yeongsan dizer isto, beijar o rosto do alfa e logo depois segurar a mão de seu irmão, só então indo correndo para dentro da escola.
Jongin ainda ficou ali por longos segundos vendo os meninos sumirem, nunca esteve tão feliz.