No fim da tarde Jongin foi buscar Kyungsoo no trabalho como sempre fazia, o ômega estava lhe contando sobre seu dia, e sobre como sua colega de trabalho fazia perguntas o tempo todo, que ela era muito tagarela, mas que sem ela o lugar iria ficar muito sem graça, pareceu triste quando disse que a moça iria se casar e ir morar em outra cidade, iria sentir falta de alguém o importunando o dia todo. Também o lembrou de comparem o leite especial que o pediatra havia dito, pois o antigo estava deixando Mingyu com dor de barriga.
Percebera que com o tempo, Kyungsoo e ele passaram a conversar como se já estivessem casados, sempre comentando sobre algo na casa ou sobre Mingyu. Claro que gostava daquilo, sentia-se vivendo com sua família, sentia-a feliz quanto aquilo, a sensação de ter o ômega e seu filho em sua vida era única, deixava seu coração quente e o fazia querer ter aquilo o tempo todo.
— Acho que já está na hora de vocês se mudarem de uma vez por todas para o meu apartamento, o que acha? — o alfa sugeriu no meio da conversa.
Automaticamente Kyungsoo se calou.
— O que foi? Não gostou da ideia? — Jongin tentou olha-lo para saber o que estava havendo, mas foi surpreendido por um beijo rápido em sua bochecha que quase o fez perder a direção — O que foi isso?
— Acho a melhor ideia do mundo, nós já moramos lá, mas acho que incluir um “oficialmente” melhora as coisas.
O alfa riu e negou com a cabeça. Estava feliz, as coisas estavam realmente bem entre eles, nunca sentira Kyungsoo tão à vontade com ele, tão livre para fazer e falar o que quisesse. E isso era bom, era terrivelmente bom, ao ponto de fazer com que o alfa se agarrasse com força a essas sensações. Amava sua família mais do que tudo, de um jeito que não cansaria de repetir a si mesmo.
Quando olhava para quem era há quatro ou cinco meses atrás, ele se envergonhava, era fraco e preso em sentimentos negativos, não tinha forças para seguir em frente diante dos seus traumas, que sempre o prenderam em correntes finas, que ele poderia facilmente ter partido e se libertado. Mas foi preciso que Kyungsoo viesse e estraçalhasse essas correntes, transformando toda a sua dor em felicidade.
Já estavam no prédio, o ômega estava agarrado em seu braço, contando sobre seus mil e um planos sobre o casamento e sobre o que poderiam mudar na casa para que ficasse com mais cara de casal, Jongin não entendia o que “cara de casal” significava, casa tinha cara de casa, só isso, mas deixava Kyungsoo à vontade para fazer o que quisesse, tudo para deixar o ômega ainda mais à vontade com ele.
Mas quando abriram a porta, sentado bem ali no sofá, estava Myungjun. Jongin estancou no mesmo lugar onde estava, enquanto Kyungsoo alargou os olhos, assim que notou de quem se tratava. O rapaz de cabelos castanhos sorria como se fosse bem vindo ali.
— Oi, meu amor, você demorou. — o ômega falou cinicamente, olhando na direção dos dois.
Jongin não falou nada, apenas o olhava como quem via uma miragem, um fantasma, ou como quem não acreditava no que seus olhos viam. Kyungsoo sabia que o Kim não iria conseguir sequer se mexer, que estava em choque após ver a pessoa que o enganou por tanto tempo. Myungjun havia ferido tanto Jongin, que o alfa não conseguia reagir ao vê-lo, como um soldado que já apanhara demais e agora não tinha forças para absolutamente nada.
Era sua vez de proteger o alfa.
— O que está fazendo aqui? — o ômega Do seguira na direção do sofá, parando a poucos centímetros de onde o outro estava.
Que sequer levantou.
— Eu não falei com você. — a resposta veio na ponta da língua, logo em seguida ignorando a presença do outro ômega.
Kyungsoo não conseguia acreditar no que estava vendo. Quando Jongin lhe contou sobre Myungjun e como ele agia e passava por cima de todos, não imaginou que o alfa estava falando tão sério assim. Logo o mais velho entre eles já estava indo na direção do alfa, que ainda estava parado perto da porta aberta.
— Jongin, não vai me dar um abraço? — o rapaz que era como cobra, tentou abraçar o mais alto, mas foi impedido pelo mesmo, que deu um passo para trás — O que houve? Você sempre me recebeu tão bem quando eu voltava, sempre foi tão caloroso.
— Não toque em mim. — conseguiu falar, não conseguiria se Kyungsoo não estivesse ali.
A verdade era que ele já voltara outras vezes, sempre testando os limites do alfa, ele sempre vinha quando Jongin tentava seguir em frente e destruía tudo. Todos os seus outros relacionamentos, todos destruídos por um ômega que não se cansava em fazê-lo sofrer, usando daquele amor que não morria. Jongin amou Myungjun mesmo depois de descobrir sua mentira, sempre o deixou livre para pisar em suas chances de ser feliz.
Mas por quê?
Por que sempre foi tão fraco? Quando olhava para Myungjun enxergava seu maior erro, seu maior medo e seu maior ponto fraco, ele era como um imenso calcanhar de Aquiles. Ele era forte, mas aquele ômega o deixava fraco. Todavia, quando levantou seus olhos, viu Kyungsoo ali, o olhando tão determinado, o Do não carregava ódio em seus olhos e muito menos ciúmes, ele estava ali para lhe mostrar que podia ser forte.
E mostrar que o amava de verdade, ao contrário de Myungjun, que amava apenas o seu dinheiro.
Ele não precisava mais se curvar as vontades de Myungjun, ele não amava mais Myungjun e esse sentimento obsessivo não o prenderia mais, nunca mais.
— Não tente fingir, Jongin, não vai ser esse ômega sem sal que vai fazer com que me esqueça. — tentou mais um vez tocar no alfa, em seu rosto, mas Jongin o afastou — Ninguém vai, eu sou o grande amor da sua vida, você sabe disso, foi o que você sempre disse, lembra? Myungjun, você é o grande amor da minha vida, eu vou te amar até o meu ultimo dia.
— Isso foi antes de você mentir. — ele o respondeu — Kyungsoo é quem eu amo agora.
O ômega de cabelos castanhos se virou para Kyungsoo imediatamente, andando em passos duros até estar praticamente grudado em seu rosto, o olhava exatamente como quem olha para alguém que despreza, um inimigo, em sua cabeça milhões de ofensas se passavam, não aceitava em momento nenhum que Jongin pudesse parar de amá-lo, para amar aquele rapaz.
Em sua cabeça, ninguém era capaz de deixar de amá-lo. Era perfeito, o tipo de pessoa que todos iriam querer por perto para sempre.
— Você não é ninguém para ele! — praticamente gritou em seu rosto, estava com uma expressão de raiva, a mais pura raiva — Jongin nunca vai amá-lo como um dia me amou, nem você e nem esse seu filho bastardo!
Quando tudo se fez silêncio, apenas um baque surdo foi ouvido, uma pancada única que explodiu por toda a casa. Bom, que até então apenas os observava sem interferir, fora a primeira a levar as mãos a boca, enquanto Myungjun levou as mãos para o lado esquerdo do rosto, que agora ardia e ganhava um tom avermelhado. Kyungsoo o olhava com raiva, e ao mesmo tempo com pena, ainda com sua mão no ar, que agora baixava lentamente, após ter desferido um tapa no rosto alheio.
— Nunca mais chame o meu filho de bastardo! — o ômega Do falou em um tom baixo, praticamente entredentes, cheio de raiva pelo que o outro havia dito — E vá embora da nossa casa, você não é bem vindo aqui.
O rapaz ainda olhou em redor, vendo que ninguém partia para o defender. Quando olhou para o alfa, viu que o olhava como alguém que já não sentia mais nada além de pena. Respirou com força antes de juntar o amor próprio que ainda tinha, e por fim, saiu pela mesma porta que havia entrado.
Os três que ficaram, ainda permaneceram parados olhando um para o outro, em meio a uma pergunta muda sobre o que deveria ser feito a seguir, se Myungjun ainda voltaria, e o que fariam se isso acontecesse. Mas quando Kyungsoo olhou fundo nos olhos de Jongin, viu que não poderia mais perder tempo pensando em coisas negativas, seu alfa precisava dele mais do que tudo agora.
Foi então que correu para abraça-lo.
— Ele não vai mais voltar, Jongin. — o ômega disse assim que abraçou-se com força no corpo do Kim — E se voltar, eu estarei aqui com você, vou cuidar de você.
— Você e o nosso filho são a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. — o alfa sussurrou, havia um nó em sua garganta, mas porque estava feliz, ver Myungjun ir embora era o mesmo que ser libertado de correntes que o prenderam a vida toda.
Se viu livre de um sentimento estranho, que o impediu de o mandar embora por tantos anos. Jongin sentia como se uma pedra enorme fosse tirada de suas costas. Kyungsoo o abraçava com carinho, as mãos pequenas pareciam tão fortes agora, capazes de segurar o mundo, e de impedir que catástrofes acontecessem, naquele segundo, Kyungsoo cresceu e ficou tão grande, que seus braços pareciam abarcar a Terra inteira e serem capazes de transformar tudo o que era r**m, em algo bom.
— Eu não consegui impedir que ele entrasse, ele foi entrando e... — Bom tentou se explicar, mas Kyungsoo a impediu de continuar falando.
— Tudo bem, Bom, foi até melhor, esse rapaz precisava ouvir algumas coisas.
O ômega alisou o rosto do moreno, sorriu mais uma vez para ele. Jongin aos poucos parecia menos nervoso, por mais que seus olhos ainda demonstrassem perturbação.
— Por que não vamos tomar um banho bem relaxante naquela banheira? — o ômega sugeriu — Eu lavo os seus cabelos e você relaxa, o que acha?
— Acho que eu iria adorar.
O menor sorriu e saiu puxando o alfa pela mão. Jongin aos poucos conseguia ir sentindo o impacto que Myungjun causara começar a diminuir. O amor de Kyungsoo funcionava como um imenso anestésico para qualquer uma de suas dores.
Ambos tiraram suas roupas e as deixaram pelo quarto, Kyungsoo estava sempre sorrindo, mas não aquele sorriso de quem tenta passar confiança, mas sim um sorriso de quem estava feliz, pois estava ao lado de quem amava de todo o seu coração. O alfa se acomodou dentro da banheira, ela ainda estava enchendo, a água estava quente. O ômega aproveitou para pegar o shampoo e só então entrar na banheira, se acomodando sobre o colo do Kim. Deixou o frasco do shampoo sobre a borda da banheira, para pôr ambas as mãos sobre o rosto do mais alto.
— Esquece aquele rapaz, não pensa mais nele. — sussurrou rente a boca do moreno, seu nariz roçava no nariz do outro — Eu estou aqui com você, Mingyu e eu, nós somos a sua família agora.
— Nós vamos ter mais filhos?
— Você vai parir eles?
Os dois riram um para o outro. Kyungsoo beijou os lábios do noivo em um longo selar, enquanto o alfa apertava sua cintura, acabou se erguendo um pouco para poder intensificar o beijo, quando o alfa desceu suas mãos até tocar nas nádegas do ômega, que acabou se soltando do beijo.
— Calminho, alfa, viemos para um banho relaxante e não para isso. — retirou as mãos do Kim de seu traseiro e as deixou soltas pela água.
— Sem graça.
— Vamos deixar para mais tarde, ainda precisamos ir buscar o Mingyu na casa dos seus pais.
Jongin fez uma cara de falsa chateação, mas não interferiu quando o menor despejou água e shampoo em seus cabelos, começando a massageá-los de leve. O moreno fechou seus olhos aproveitando aquele carinho, podia se sentir completamente calmo naquele momento, aos poucos a imagem de Myungjun se embaçava em sua memória, até não existir mais.
Quando abriu os olhos, Kyungsoo estava ali, mais lindo do que há poucos segundos atrás, preenchendo não só o vazio que havia em seu coração, mas também o vazio da alma.
[...]
Mingyu estava em férias escolares, o que implicava em passar o dia todo enlouquecendo Bom. Kyungsoo parado de trabalhar, estava decidido a voltar para a faculdade e concluir seus estudos, mas estudar e trabalhar consumia todo o seu tempo, m*l conseguia ver seu filho ou seu noivo, por isso acabou deixando o trabalho de lado, o que implicou em sequestrar um dos cartões de crédito de Jongin, e ainda saiu com a desculpa de que era para emergências e que seu cabelo era uma emergência.
Naquele sábado à tarde Jongin saiu para dar um passeio com Mingyu de carro pela cidade, o pequeno alfa era apaixonado por carros e gostava de ficar mexendo no som, passando de música em música ou de rádio em rádio. No fim do passeio, os dois desceram em uma lojinha de doces, isso depois de Mingyu passar horas implorando por um pirulito, o mais velho sabia que Kyungsoo não daria de jeito nenhum e que certamente os dois levariam bronca se o ômega descobrisse — pois o menino havia ido mais uma vez ao dentista depois de mais uma dor de dente —, mas acabou perdendo aquela disputa e dando para o filho o pirulito, mas já deixando bem claro que era apenas um e agora só veria doces na semana que vem.
Todavia, o alfa acabou se distraindo enquanto conversava com o atendente da lojinha e nem percebendo quando Mingyu saiu andando para o lado de fora do lugar. Quando olhou em volta, não havia sinal de seu filho em lugar nenhum. Algo que o fez sair correndo para fora, olhou em volta desesperado e não via Mingyu em lugar nenhum. Notou um beco na lateral da loja e foi para lá que se direcionou, se sentindo completamente aliviado ao encontrar o menino ali, mas ele não estava sozinho.
— Filho, você quase me matou de susto, não pode sair de perto de mim! — Jongin até pensou em dar uma bronca e um castigo para o garoto, mas estava tão aliviado em vê-lo em só conseguiu se abaixar para lhe abraçar e ver que estava tudo — Não faça mais isso.
— Desculpa, papai.
— O papai desculpa, mas não saia mais assim. — o alfa alisou o rostinho de seu filho, naqueles poucos segundos que acreditou tê-lo perdido, percebeu que a ideia de que um dia fosse separado de Mingyu o perturbava demais, se sentiria culpado por toda a vida. Foi quando olhou para o garotinho parado ali — Quem é o seu amigo?
O pequeno alfa abriu um sorriso bem grande, em seguida segurou a mão do menino.
— Esse é o Yeongsan! — ele disse — Ele mora aqui.
A princípio a reação do mais velho foi pensar em dizer “Ninguém pode morar em um beco”, mas ao analisar bem a criança, notou que ele estava com roupas muito sujas, seu rostinho também estava coberto de sujeira e seus cabelos tinham farelos do que parecia ser do reboco da parede. Haviam uma caixa emborcada ao lado da lata de lixo, ela parecia ter o tamanho exato para acomodar alguém daquele tamanho dentro.
— Onde estão os seus pais, garoto?
Mas o menino balançou a cabeça negando, parecia querer dizer que não sabia.
— Há quanto tempo está nas ruas?
E mais uma vez ele balançou a cabeça negando, era pequeno demais para ter alguma noção de tempo, ou ter alguma noção do que estava acontecendo. O menino tinha a altura de uma criança de três ou quatro anos, era muito magro e tinha olhos assustados, não cheirava nem a ômega nem a alfa, estava muito sujo para que alguém o identificasse.
Como pai, Jongin se sentiu sensibilizado diante da situação do menino, pois da mesma forma que não desejava que seu filho passasse por algo do tipo, também não desejava que criança nenhuma passasse.
— Está com fome? — o indagou, vendo o garoto afirmar com a cabeça — Vou comprar comida pra você, tá bom? Vem comigo.
Jongin pensou em perguntar para as pessoas que viviam por ali sobre alguma informação sobre o menino, mas eles não pareciam se importar com a criança, ele parecia estar em situação de abandono, onde as pessoas fingiam não ver, e ao verem, ignoravam por não ser problema deles. Mesmo que estivessem olhando, ninguém disse nada quando o Kim colocou o garoto dentro do carro, nem mesmo tentaram impedir.
O menino aparentava não comer direito há dias, certamente que precisava de algo rápido, e mesmo que não fosse o apropriado, Jongin lhe comprou um lanche infantil em uma lanchonete, preferindo que ele comesse no quarto, para evitar que as pessoas ficassem olhando para o menino e julgando de maneira errada.
— Mingyu não come o lanche do Yeongsan, lembre-se do que o pediatra falou.
O pequeno alfa inflou as bochechas, Mingyu estava ficando gordinho, especialmente depois que as férias começaram e Jongin culpava especialmente Bom por sempre dar tudo o que o menino pedia. Yeongsan comia devagar, mesmo sendo um lanche infantil, ele parecia ter dificuldade em mastigar, provavelmente por ser ainda muito pequeno, talvez ainda estivesse mais acostumado com alimentos pastosos.
Era fim de semana, não podia recorrer a um juizado de menores ou a vara da infância e juventude, não tinha para onde levar Yeongsan, e de todas as formas, não acreditava que os abrigos do governo eram realmente apropriados para crianças tão pequenas, onde ficavam aglomeradas e não recebiam a atenção correta. Aquele menino precisava de ajuda, mais do que isso, ele precisava de cuidado.
E foi por isso que optou por levá-lo para casa, mesmo em dúvida sobre o fim daquela história, ele não duvidava que Kyungsoo fosse se comover da mesma maneira que ele, conhecia bem a pessoa que amava. Resolveriam o que deveria ser feito em um outro momento, pois agora Yeongsan precisava de comida apropriada, um bom banho e uma noite de sono confortável. Parecia ser a primeira vez que o menino entrava em um elevador, pois parecia assustado quando o mesmo começou a subir.
— Não precisa se sentir envergonhado. — foi a primeira coisa que Jongin disse quando entraram no apartamento — Vou pedir para te prepararem algo adequado.
Os dois pequenos acompanharam o mais velho até a cozinha, onde Bom estava preparando o jantar. A beta não escondeu a surpresa quando viu o garotinho que vinha atrás de Mingyu.
— Bom, você pode fazer algo adequado para uma criança de três ou quatro anos?
— Ah, claro, tem algumas coisas da dieta nova do Mingyu. — a mulher respondeu, ainda embasbacada com a presença do menino — Mas, Jongin, de onde veio esse menino? O que aconteceu?
O alfa a explicou tudo o que havia acontecido, desde o momento que o encontrara e também a situação em que foi encontrado, sobre o beco e sobre como as pessoas que viviam ali perto pareciam não se importar com o menino. A beta parecia muito comovida com a situação, tratando logo de preparar uma papinha deliciosa para que Yeongsan pudesse se alimentar adequadamente.
— Onde está Kyungsoo?
— Foi levar a batedeira para o conserto, eu disse que não precisava, que poderíamos comprar outra, mas você sabe como ele é.
Kyungsoo não jogava nada no lixo, ele sempre tentava concertar, e quando Jongin dizia que podia comprar outro, o ômega começava um discurso sobre o valor das coisas e sobre como muitas pessoas não tinham condições de ter aquilo e quando ele entrava no assunto meio ambiente o alfa desistia de tentar jogar fora e deixava que Kyungsoo mantasse para o concerto ou utilizasse para alguma outra coisa.
Depois que a comida ficou pronta, Bom a esfriou um pouco e serviu em uma tigela de plástico, a mulher também sentou ao lado do garoto e passou a levar a comida até a boca do menino, que parecia mais à vontade com aquele tipo de alimento. Jongin também ficou ali na cadeira ao lado, vendo o menino parecer mais tranquilo, e até então, feliz em estar sendo acolhido. Ele não sabia o que havia acontecido, nem o que aquele garotinho passou, mas seja lá o que fosse, Jongin não queria que se repetisse.