Um Homem Que Despedaça

2441 Palavras
Jongin não conseguia dormir, já estava tão acostumado a sentir o calor de Kyungsoo junto ao seu corpo, que dormir sozinho era algo frio e sem sentido, ainda mais sabendo que corria o risco de perder tudo o que conquistara nos últimos meses. Olhou para o relógio ao lado e descobrira que m*l passara da meia noite, ainda havia muito chão para que o dia amanhecesse. Suspirou. Alcançou seu celular sobre o criado mudo, sorrindo minimamente ao ver a foto de seu filho no bloqueio de tela, amava-o tanto que nem conseguia entender. No papel de parede estava ele e Kyungsoo, o ômega o abraçava e beijava seu rosto, nunca se esqueceria daquele dia, quando em um almoço de domingo, Mingyu fizera Joshua chorar após lhe acertar uma bola de futebol bem no meio do rosto, o que causou uma grande discussão entre ele e Seokmin, os pais apenas observavam, enquanto Seokmin dizia que Mingyu não estava sendo um bom namorado. Descobriram que Mingyu, Seokmin e Joshua se diziam namorados. Sehun não gostava nada disso. Mas aquele sorriso sumira no momento em que recebera uma ligação, ele estava ligando. Não queria atender, não podia atender, atender o faria muito m*l. Rejeitou a chamada. Mas não tardou para que Myungjun tornasse a ligar. Já sabia que o ômega não iria parar de ligar enquanto não atendesse. — O que você quer? — Ele está aí? — Não, ele não está aqui. — respondera impaciente, já afoito para desligar — Já disse que não quero que ligue, por que não me deixa em paz? — Você sabe que não pode namorar outras pessoas, Jongin, você sempre amará apenas a mim. — Eu não amo mais você, sabe disso. O alfa se erguera, caminhando na direção da varanda e abrindo a porta de vidro, que sequer havia trancado direito. Estava frio, mas não o suficiente para fazê-lo voltar para dentro. — Nosso filho ganhou um prêmio na natação hoje, vou lhe mandar as fotos. — Ele não é meu filho. — Nós somos a sua família, Jongin. — Não, você só é um poço de mentiras, você não vai destruir tudo de novo, Myungjun. O Kim desligou a chamada, abandonando seu celular sobre a cama e deixando o quarto. Sentia a garganta seca, uma raiva crescia dentro de seu peito, se sentindo um i****a por deixar que aquele ômega controlasse sua vida. Jongin amou Myungjun por muitos anos, e mesmo depois de descobrir suas mentiras, seu amor não morreu, não morria de jeito nenhum, e sempre continuava a atender as ligações do ômega. Mas as coisas mudaram depois que Kyungsoo e Mingyu entraram em sua vida. Mingyu não era uma mentira, ele era seu filho de verdade. O amor de Kyungsoo não era uma mentira, ele o amava de verdade. Então Jongin amou Kyungsoo, o amou de uma forma que nunca esperou que fosse amar. Todavia, Myungjun ainda estava o assombrando, o rondando, sempre destruindo o que ele lutava para construir. Ele não tinha esse direito! Caminhou até a cozinha, procurando o whisky que sabia que Bom havia escondido debaixo da pia. A beta não queria mais que ele descontasse suas frustrações na bebida, mas Jongin estava com tanta raiva, que enlouqueceria se não bebesse. E não fora apenas um ou dois copos, fora quase a garrafa inteira, e agora andava com ela pela casa, os pés descalços não faziam barulho enquanto ia de um lado para o outro, revivendo mentalmente os momentos que viveu com Myungjun dentro daquele apartamento. Ele havia o comprado para morar com Myungjun. Pegou a chave do quarto trancado, que estava escondida atrás da TV, indo na direção daquela porta, que por fora não revelava nada. Quando abriu, sentiu todo o interior de seu estômago se revirar, era impossível se sentir bem estando ali dentro. Aquele quarto deveria ter contido sua maior alegria no passado, mas ali dentro habitava apenas uma eterno decepção. Doía, doía como o inferno ardendo dentro de si. Aquele seria o quarto do filho que teria com Myungjun, um filho que não era seu. — Por que você fez isso comigo? — perguntou para o vazio, sabendo que dali não viria resposta alguma — Eu queria te dar o mundo, mas você só mentiu. Era inevitável chorar. — Eu te amava. — sussurrou — Te amava como nunca tinha amado antes. Jongin andava de um lado para o outro, observando cada detalhe daquele quarto, o quarto que seria de seu suposto primeiro filho, que deveria ter sido se não passasse de uma grande mentira muito bem arquitetada por seu namorado. Aquilo o machucava de tantas formas diferentes, machucava ainda mais por se sentir fraco e incapaz de pôr um fim naquilo, de se desfazer daquele quarto, que já estava ali perfeitamente montado há sete anos. Sete longos anos onde se torturava quase todas as noites, onde se culpava por ter sido tão i****a e cego por alguém, se culpava de todas as suas escolhas. E agora, se culpava por ainda mais motivos, se culpava porque enquanto se cegava em uma mentira, seu filho de verdade estava nascendo longe dali, precisando dele. Kyungsoo não teria sumido se Jongin não fosse tão i*****l, tão arrogante, ele teria o procurado se encontrasse ao menos uma brecha para se aproximar. Se arrependia dos dias que não teve ao lado de Mingyu, de não ter estado com ele quando aprendeu a andar, quando aprendeu a falar, quando seu primeiro dente de leite caiu ou de não ter ensinado seu filho a andar de bicicleta. Ele não estava lá quando seu filho precisou. — A culpa é minha, só minha. Parou ao lado do berço e se sentou no chão. Não sabia quanto tempo havia ficado ali, perdera a noção de tudo. A garrafa já estava em seus últimos dois dedos, e ele chorava, chorava muito, chorava sua total amargura e seu medo de ter perdido Kyungsoo para sempre, medo de que o ômega continuasse desconfiado e que as coisas jamais voltassem ao normal. Ele não iria suportar isso, ele queria que Kyungsoo confiasse nele em seu 100%. Deveria ter falado a verdade! Mas por que mentiu? Ele era um grande i****a! Em algum momento, que não soube explicar, Jongin sentiu-se sendo abraçado com força, e um cheiro doce invadir suas narinas. — Tá tudo bem, meu amor, eu tô aqui agora. — ouviu a voz de Kyungsoo, que ainda o abraçava com força — Não chora, já passou, está tudo bem agora. O alfa abraçou-se ao pequeno corpo do menor, praticamente desesperado. — Eu devia ter te contado, Kyungsoo, deveria ter falado desde o começo. — ele dizia aos soluços, sentia seu coração arder. Kyungsoo se afastou minimamente, limpou as lágrimas do rosto de seu noivo, que estava muito vermelho. Beijou suas bochechas, tentou lhe mostrar um sorriso. Jongin respirava com força, tentava se acalmar, mas não tinha muito progresso. — Devia ter te contado do meu noivado no passado, devia ter falado de Myungjun. — ele dizia, falava rápido, Kyungsoo tentava o interromper, mas o alfa queria falar tudo — Ele disse que estava esperando um filho meu, eu estava tão feliz. Nós iriamos nos casar, comprei este apartamento para ser nosso lar, montamos juntos o quarto do nosso filho. Mas um dia... Um dia que eu nunca vou esquecer, um rapaz esteve aqui, disse que o filho era dele, me contou que Myungjun estava me enganando esse tempo todo, que era um plano para ficar com meu dinheiro... que ele não me amava, só amava a si próprio. — Jongin, não se torture, você pode me contar isso depois. — Mas eu não queria acreditar, adiei o casamento apenas por receio, porque em partes aquelas palavras não saíam de minha cabeça. Então, quando o menino nasceu, ele tinha os mesmos olhos que aquele rapaz, mesmo que não tivesse nada meu ali, fiz um exame de DNA. — Jongin... — Não era meu filho. O choro do alfa se intensificou novamente, Kyungsoo o puxou para que deitasse em seu colo, já que Jongin não aparentava sequer ter força para se levantar, e nem querer fazer isto. Alisou os cabelos negros do Kim, que ainda derramava lágrimas em suas pernas. Fora Bom que o ligara, avisando que Jongin não estava bem, que precisava dele. E não pensou duas vezes antes de ir levando Mingyu ainda dormindo — e ainda mais pesado — consigo, precisou da ajuda do motorista do Uber para colocar e tirar o menino do carro. — Me perdoa, Kyungsoo. — sussurrou, a voz grossa — Por favor, me perdoa por ser um i****a. — Acho que agora eu consigo te entender melhor, alfa. — Kyungsoo sussurrou de volta — Não estou com raiva, não posso ficar, você não é o culpado disso. — Eu escondi. — Você estava com medo, eu entendo isso. — Eu te amo tanto, Kyungsoo, eu quero casar com você.       [...]       Myungjun ligou todos os dias, e teve todas as suas chamadas rejeitadas. Seu número foi bloqueado diversas vezes, mas ele sempre ligava com outros números, como se já estivesse esperando ser bloqueado. Kyungsoo estava sempre perto de Jongin, da maneira que podia, sempre o ligava para saber se estava bem. Conversara com Kyungsoo sobre casamento, e os dois optaram por marca-lo para o fim do ano, para que tudo pudesse ser feito bem devagar, sem pressa nenhuma, com tempo o suficiente para que o ômega mudasse de opinião de começasse do zero quantas vezes quisesse. Kyungsoo descobrira que achava divertido escolher os detalhes de seu casamento. Foram ao médico dias depois, pois o cio de Kyungsoo estava demorando demais, mas o médico lhes dissera que era normal, mas que em poucos dias o cio viria. E veio, era quase quatro da tarde quando o chefe do ômega ligou para Jongin, avisando que o Do estava trancado no banheiro, quase derrubando a porta e gritando por ele desesperadamente. O Kim deixou a empresa no segundo seguinte, dirigindo rapidamente até o trabalho do menor. O enfiara no carro com certa dificuldade, fora muito difícil dirigir com o cheiro do ômega por todo o carro, o deixando e******o. Bom levou Mingyu para a casa dos avós, onde também ficou, para deixar Jongin sozinho com Kyungsoo. O ômega estava muito forte, os olhos em um lilás bem vivo, rosnava o tempo todo e m*l deixava que o alfa respirasse, m*l dera tempo de entrar no quarto com ele e Kyungsoo já arrancava fora o sobretudo que Jongin havia lhe posto para conseguir o tirar de dentro do banheiro. — Eu preciso de você, alfa... — a voz estava diferente, sibilava. O ômega estava jogado sobre a cama, suado e com as pernas bem abertas, expondo-se para o Kim. O cheiro estava tão forte que sufocaria qualquer outro ômega que tentasse chegar perto. — Você vai me ter, ômega. Jongin já tirara toda a sua roupa. Subiu sobre seu corpo, indo direto para seu pescoço e afundando seu nariz ali, Kyungsoo tinha o melhor cheiro do mundo, queria sentir por toda a sua vida, o queria para sempre impregnado em sua pele. Se Kyungsoo fosse um oceano, faria questão em se afogar nele. — Logo, alfa, eu quero dentro, quero logo. — Kyungsoo fazia manhã, alcançando com uma das mãos do p*u de seu noivo, ansioso para o sentir dentro dele — Não aguento, preciso. Tivera uma conversa particular com o médico, que de uma maneira bem constrangedora o explicara que não deveria focar muito em carinhos, pois Kyungsoo precisava urgentemente do contato carnal, ele precisava de um nó dentro de si. Lhe dissera que deveria falar com ele sobre filhotes, lhe dizer que lhe daria filhotes, lhe preencheria com eles. Kyungsoo estava o mais perto de sua natureza mais animalesca, para ser aliviado ele precisava que o alfa o tocasse de um jeito mais bruto, mas que também evitasse se deixar levar muito, para não machucá-lo. E era muito difícil se manter no controle com aquele cheiro tão forte. — Alfa... Mas logo o penetrou totalmente, fazendo o corpo do menor arquear, Kyungsoo começou a ir de encontro com o corpo alheio, querendo ainda mais. Ele queria estar no controle, então logo conseguiu subir sobre o Kim, assim podendo cavalgar em seu p*u da maneira que desejava. Afoito, necessitado. Cravava suas unhas no peito do mais alto, rasgava sua pele sem pena, o mordia e clamava por ele, queria ouvir sua voz o tempo todo. Em algum momento, Jongin passara a usar sua voz de comando para chamar o nome do ômega, o deixando ainda mais e******o e sedento por tudo o que o alfa poderia lhe dar. Gemia alto quando o alfa batia em suas nádegas, quando o mordia e lambia seu corpo. Jongin nunca vira Kyungsoo tão sensível, ambos estavam em uma completa combustão. Dias depois descobririam que o andar inteiro e o andar de baixo sentiram seus cheiros e ouviram o barulho que ambos faziam. E o cio durou cinco dias, onde Jongin teve extrema dificuldade de alimentar o ômega, em lhe dar ao menor um banho que fosse. Tudo pela casa ficou bagunçado, quebrado e pelo chão. Precisariam trocar o sofá da sala, pois de algum modo ele ficou com um r***o enorme. Uma das cadeiras da mesa se quebrou, o mesmo aconteceu com a mesinha do corredor. Kyungsoo acordou sozinho no sexto dia, seu corpo estava aos farrapos e ele m*l conseguia se mexer. Gritou por Jongin diversas vezes, até o alfa aparecer na porta do quarto, usando apenas uma cueca e totalmente arranhado, até sentiu vontade de rir diante do pensamento que tivera. “Jongin, você brigou com um gato?”. — Bom dia, meu amor. — Bom dia nada, estou sem pernas. — o ômega reclamou, erguendo-se minimamente até os travesseiros — Por que está parado aí? Quero abraços, beijinhos e mimos. O Kim sorriu divertido, indo até a cama e deitando ao lado do menor, que logo veio se encolher em seu abraço, com um sorrisinho no rosto todo aconchegado. — Obrigado por respeitar minha decisão, Jongin. — em algum momento ele disse. — Eu sempre respeitarei todas as suas decisões, meu amor. Kyungsoo havia decidido que não queria ser marcado. A princípio Jongin encarou isso como uma falta de confiança no relacionamento dos dois, mas depois de tempo percebera que não tinha direito nenhum de obrigar Kyungsoo a pertence-lo totalmente, pois isso não seria justo com ele. Viu, diante de um todo, que a confiança seria a marca que os uniria. Que isso significava amor, um amor que deixava o ômega livre para ir e vir.
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