Um Homem Que Se Vai

2283 Palavras
Depois do que pareceram horas tentando convencer Kyungsoo a deixar Mingyu sair do castigo, Jongin conseguiu levar o garoto para a festa de aniversário de Seokmin. Os dois pararam no caminho para comprar o presente e agora Jongin observava enquanto o pequeno alfa fazia uma análise completa do que um garoto alfa que estava completando seus oito anos iria querer. E depois de revirar quase a loja inteira, o garoto voltou com uma caixa grande cheia de dinossauros. Inclusive aquilo custava o olho da cara, mas criança não olhava preço. — O que você pegou aí? — perguntou enquanto pegava a caixa de suas mãos para levarem ao caixa — Tem certeza? — Tenho! — Então tá bom. Os dois se dirigiram ao caixa para pagar, e enquanto a moça do caixa fazia um embrulho bonito, Jongin notou o ursinho solitário sobre a prateleira, como se tivesse sido esquecido por lar. As crianças não ligavam muito para pelúcias, estavam ocupadas demais com seus videogames e bonecos de ação. Olhou para baixo e percebeu que Mingyu também olhava para o ursinho, ele parecia curioso. — Gostou do ursinho? — perguntou, naquela pergunta ele já sabia que acabaria levando o tal ursinho e levando uma bronca de Kyungsoo logo depois. “Não fique comprando tudo o que ele quer”. — Uhum. — Quer ficar com ele? — Quero! Dito e feito, logo já estava colocando a caixa no banco de trás e Mingyu estava no carro com ursinho marrom e tudo. O caminho até a casa de ChanYeol era um pouco longo, quando se casou com Baekhyun os dois já tinham um filho de dois anos e planejavam ter outros, então compraram uma casa grande e muito bonita em um bairro nobre da cidade, na verdade havia sido o presente de casamento dos pais de Baekhyun. A história de Baekhyun e ChanYeol era um pouco engraçada, havia começado lá pela adolescência, quando conheceu ChanYeol durante uma partida de futebol, brigou com ele por causa de um carrinho dado pelo Park e os dois acabaram no hospital, onde conheceram Baekhyun, que estava lá por uma gripe. De repente o companheiro de pelada virou um amigo e passou a frequentar a casa dele, Baekhyun era filho de um amigo do pai de Jongin e acabou por aparecer lá vez ou outra, onde acabou se envolvendo com ChanYeol. Mas quem era Park ChanYeol? Um garoto que não tinha nem onde cair morto, diga-se de passagem, mas tinha uma lábia que levava qualquer um no bico. Os pais de Baekhyun o detestavam e diziam que não passava de um vagabundo querendo se dar bem na vida. No fim, Baekhyun acabou grávido e casado com o tal trambiqueiro. — Vamos. — chamou o menino vendo que o mesmo estava muito distraído com o ursinho e nem havia notado quando o carro parou — Deixa o ursinho aí, pra não perder ele. Mingyu concordou e deixou a pelúcia no banco, descendo do carro e correndo para segurar a mão do Kim na hora de entrarem no jardim enorme da casa. Ele nunca havia estado em uma casa tão grande, nunca havia visto um jardim tão bonito. Haviam muitas crianças correndo para tudo quanto era lado, brinquedos espalhados por todo canto, pula-pula, piscina de bolinha, todas essas coisas que criança gostava, até mesmo alguns animadores de festa vestidos de personagens de desenhos. Quando se aproximaram de uma mesa em particular, por se sentir envergonhado, Mingyu apertou com força a mão de Jongin. O jeito com que todos olharam pra ele o assustou. Mas logo o aniversariante veio correndo na direção dos dois, dando um abraço em Jongin e fazendo com que o mesmo soltasse sua mão. — Tio! — o garoto parecia bastante animado — Achei que não fosse vir. Cadê meu presente? Ele ficou muito animado com a caixa grande, mas não era tão estabanado como o pai, pra falar a verdade Seokmin era a calmaria em pessoa, sempre muito bem comportado e com boas notas, além de ser muito sincero, completamente ao contrário dos pais, ninguém sabia a quem ele havia puxado. Ele abriu o pacote com muito cuidado, sem rasgar o papel. — Obrigado, tio, eu adorei. — ele sorriu. — Seokmin, leva o Mingyu pra brincar com vocês. — Jongin pediu empurrando Mingyu para que ele tivesse alguma reação — Mingyu, vá brincar com os outros, qualquer coisa pode vir até aqui. Mesmo acanhado, Mingyu foi puxado por Seokmin para onde as outras crianças estavam. Jongin ocupou uma das cadeiras daquela mesa tão seleta, onde estava o pai do aniversariante, com uma cara bem cansada, diga-se de passagem, e seus outros amigos alfas, aparentemente aquela era a mesa dos pais que não estavam prestando atenção nos filhos. — Só uma coisa, Jongin: Como e quando? — Yifan fora o primeiro a se pronunciar naquela mesa. — O que? — Jongin se fez de desentendido. — Você pariu, i****a. Jongin fez uma careta e puxou uma das garrafas com bebida mais para perto. Certamente que Baekhyun não sabia que havia bebida alcoólica na festinha de seu filho e eles havia extraviado a mesma. — Acreditariam se eu dissesse que é filho de um amigo? — Filho de um amigo e seu também. — Sehun completou — Qual é, Jongin? Nem precisa olhar pra ele duas vezes. O Kim suspirou, era meio óbvio que seria difícil simplesmente inventar uma desculpa, Mingyu era sua cópia em vida e gritava aos quatro ventos que era seu filho. Acabou por contar toda a história para o seu seleto grupo de amigos, desde o começo e mesmo que não quisesse contar detalhes, eles perguntavam. — E quem é a mãe dele? — por fim, Yixing veio a perguntar. — Do Kyungsoo, vocês lembram de alguém com esse nome? Ambos pareceram pensar por um momento. — Ah, eu lembro. — Sehun se pronunciara — Não é um baixinho de óculos com uma tatuagem nas costas? — Eu não sei se ele tem uma tatuagem nas costas. — Você não dormiu com ele? — Isso foi há muito tempo e eu estava bêbado, não lembro de nada. — Ah, Jongin, você lembra dele. — Sehun insistiu — Estava sempre com Eunwoo, o ômega bonito que todo mundo queria pegar. Lembra? Kyungsoo era o que ficava com a cara amarrada e não falava com mais ninguém, mas ele era bem bonitinho também, naquela viagem que a turma vez pra praia ele se molhou e a camisa ficou transparente e todo mundo ficou olhando porque ele tinha uma tatuagem enorme de um dragão nas costas. — Como você lembra dessas coisas? — Eu queria pegar o Eunwoo, então eu ficava sempre olhando pra ele pro amiguinho dele. — Deixa o Lu Han ouvir isso. — Yixing debochou. Sehun fez sinal da cruz e todos riram, se Lu Han, ciumento do jeito que era, soubesse que na época em que os dois “ficavam”, Sehun estava de olho em outra pessoa, as coisas acabariam m*l. No fim das contas ele e Lu Han começaram um namoro sério e ele deixou Eunwoo pra lá. — Agora eu fiquei curioso quanto a tatuagem. — o Kim confessou, ficara mesmo. — Não é tão difícil assim de ver. — o Wu comentou. Obviamente ninguém fazia nem ideia de como estava a relação de Jongin e Kyungsoo. m*l sabiam eles que o ômega de cara amarrada continuava com a cara amarrada. Se esforçava para lembrar dele e agora com essas informações nova havia começado a ter uma ideia de quem se tratava. Claro! Do Kyungsoo sentava nas primeiras mesas, sempre calado e andando para todos os lados com o ômega bonitinho — e puritano — que fazia uns b***s como modelo. Claro, como pôde se esquecer de Do Kyungsoo, o ômega que o olhava como se estivesse com alguma coisa fedendo no nariz. Parando pra pensar, Kyungsoo sempre o detestou, somente um porre muito grande pra ter feito os dois dormirem juntos. — Claro que é, Kyungsoo me odeia com todas as forças dele. — contou, enfatizando bem o “odeia” para que todos entendessem que ele estava falando de um ódio puro e bebido sem mistura. — É sério? — a pergunta veio em um sussurro de todos. Era fácil alguém não gostar de Jongin, mas geralmente os ômegas gostavam, mesmo que esse “gostar” se resumisse em sentir atração por ele, uma atração que os deixava cegos demais para enxergarem seus defeitos berrantes. Alfas costumavam ver de cara quem Kim Jongin era, passando a detestá-lo com facilidade. Se Jongin tinha amigo, era porque ele era diferente com aquelas pessoas. Afinal, toda aquela carranca era sua forma de se proteger e com seus amigos ele podia ser ele mesmo. — O mais puro ódio que eu já vi. Ele só tá comigo por perto porque precisa, mas ele sempre em encara com aqueles olhões e lá eu posso ver o quanto ele me deseja morto. Claro que eu posso estar exagerando, mas gostar de mim ele não gosta. — Ele ainda tá gostosinho como era na faculdade? — Sehun perguntou, todos na mesa encararam esperando a resposta. Alfas sendo alfas, nada novo sob o sol. — Pra falar a verdade ele é meio desleixado. — contou, forçava sua mente lembrando dos detalhes de Kyungsoo — Ele é bonito, não posso negar, mas parece que ter cuidado de uma criança sozinho por sete anos o fez perder a vaidade, ele usa roupas largas e fora de moda, que não combinam em nada com ele, além de deixar o cabelo sem corte e seco, está muito magro e pálido, como se não cuidasse nem da própria saúde. — Pra alguém que não repara em nada, você reparou tudo nele. — Yifan comentou, deu uma risadinha. Nem Jongin sabia o motivo de ter reparado tanto em Kyungsoo, só sabia de que nos últimos dias havia começado a olhar pra ele quando o ômega estava olhando para o outro lado. Talvez parte de si só quisesse saber o que se passava na cabeça dele e o motivo do menor o detestar tanto. Claro, Jongin não era a pessoa mais gentil do campus, mas nunca fizera nada contra ele. Quando já estava anoitecendo os convidados já indo embora, Jongin se dera conta de que Mingyu havia sumido, assim como Seokmin e Sehun também havia perdido seu filho. Baekhyun e Lu Han estavam os procurando há um bom tempo e nada de acha-los, cabendo aos alfas ir procurar também. Acabaram por encontrar os três juntos, dormindo abraçados na piscina de bolinhas. — Eu vou castrar os filhos de vocês. — Sehun comentou assim que os viu. Joshua, seu filho ômega de cinco anos, estava encolhido enquanto era abraçado pelos dois alfas. O Oh os acordou enquanto tirava Joshua do meio deles. Seokmin saiu andando meio sonolento ao lado de ChanYeol, enquanto Mingyu se recusava a acordar. Com pena, acabou por colocar o garoto nos braços e leva-lo para o carro. Mingyu dormiu o caminho todo e foi carregado pelo alfa até o apartamento. Kyungsoo os atendou e deixou que o colocasse na cama, certamente o garoto só acordaria mais tarde e daria trabalho para dormir depois, mas isso agora era um problema do ômega. — Precisamos conversar, Jongin. — Kyungsoo o chamou quando já estava quase na porta, o fazendo parar. Seguiu o ômega até a cozinha, onde o menor se escorou na pia, evitava olhar para ele mais do que tudo, tremia um pouco e parecia inseguro quanto ao que iria dizer. Jongin podia sentir o clima tenso se espalhando pelo ar, tornando aquilo ainda pior. Ambos se sentiam desconfortáveis perto um do outro, torcendo para que aquela conversa durasse pouco. — Eu vou ser direto, alfa. — Kyungsoo o encarou — Quero que fique longe do meu filho. Aquela frase fez com que algo se embrulhasse dentro do estômago do Kim, viera contra ele na velocidade da luz, o fazendo se sentir tonto, demorou até que ela fizesse sentido dentro de sua cabeça. — O que? — balançou a cabeça — Por que isso agora? — Porque você tá estragando a educação que eu dei pro meu filho. — ele respondeu, estava se segurando para permanecer calmo — Foi muito difícil criar o Mingyu sozinho, educar ele, e de repente você chega e começa a dar tudo o que ele quer, na hora que ele quer. As coisas não devem ser assim, Jongin, eu não quero que o meu filho cresça e seja como... como... — Como o que? — Como você! — se exaltou, cuspindo tudo o que pensava na cara do alfa — Eu não quero que ele cresça achando que tudo na vida é fácil, você tá destruindo em um mês o que demorou sete anos pra ser construído. Então, por favor, saia da vida do Mingyu antes que ele vire uma criança mimada. O alfa estava m*l. Se segurava para não acabar gritando com Kyungsoo. O ômega não tinha o direito de o mandar embora, não agora, não depois de tudo o que aconteceu. Estava péssimo por dentro, mas justamente porque sabia que ele estava certo, ele nunca seria um bom pai para Mingyu, ele estava fazendo tudo errado. — Tudo bem, seja como quiser. E então ele não disse mais nada. Jongin saiu pela mesma porta em que entrou. Deixando para trás um ômega que havia começado a chorar de desespero e de medo, sentindo por dentro que aquela escolha teria uma consequência terrível. Kyungsoo só queria o melhor para o seu filho e aparentemente esse “melhor” era que Kim Jongin ficasse longe.   
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