Tive câimbra boa parte da noite, graças ao meu braço algemado na cama.
Conseguindo cochilar neste meio tempo, sempre despertando com a cena de Blake sangrando no chão do banco.
Não fazia ideia de onde estava, muito menos se estava vivo. Gostaria de saber.
Havia também Lize.
Ah. Lize.
Depois de tantos erros, talvez agora conseguisse concertar às coisas e lhe dar uma vida confortável.
Iria esquecer meu passado, apagá- lo se for necessário para poder ter uma segunda chance.
Mas para isso, precisava gerar um bebê que não era meu. Carregá- lo por 9 meses e depois entregá- lo á pessoas que nunca vi em toda minha vida.
Bela confusão que havia me metido.
Eu não seria Clare Thompson se não vivesse metida em confusão.
– Quero ir no banheiro! – grito na manhã seguinte, puxando a algema.
Dylan abre a porta do quarto, ainda vestido de pijama, adentrando no quarto abrindo a algema.
Pulo da cama, indo em direção ao banheiro.
Fechando a porta em sua cara quando se aproxima.
Pelo menos na hora do xixi queria privacidade.
– O que tem para o café da manhã? – pergunto ao sair do banheiro, encontrando- o sentado na poltrona na sala.
– A cozinha é bem ali – Aponta o cômodo em frente.
Ergo uma sobrancelha, caminhando em direção á cozinha.
Abro os armários e a geladeira em busca se algo comestível que não fosse cerveja.
Imaginando o que ele comida. Se é que ele se alimentava.
Encontro ovos e bacon e suco de laranja no fundo da geladeira.
O suco venceria no dia seguinte, o que me fez concluir que não me faria m*l se o bebesse naquele instante.
Não demora para que Dylan entre na cozinha, me encontrando comendo meu café da manhã.
– Por que não fez para mim? – pergunta.
– Tem ovos na geladeira.
Ele bufa, se virando para a geladeira.
O celular toca neste instante, fazendo - o sair da cozinha.
– Alô? – diz ainda m*l humorado – Valerie? Calma! Droga, Valerie. Onde ele foi?! Como você não sabe? O que vamos fazer agora? Esperar? E se ele vier aqui? Tá. O.k. Vou trabalhar daqui a pouco. Tchau.
– Problemas? – pergunto sem olhá- lo, dando outra garfada no restante da comida.
– Nada que seja da sua conta.
Pressiono os lábios, vendo- o sair da cozinha com passadas largas.
Demora apenas meia hora para que volte, vestido em sua farda da polícia, sem dizer qualquer palavra sai da casa.
Levanto indo em direção a primeira janela.
Fechada.
Giro a maçaneta da porta dos fundos, também fechada.
Vou para a garagem, sem encontrar um meio de abrir o portão. Solto o ar dos pulmões irritada com minha falta de sorte, voltando para o interior da casa.
Todas as saídas estavam fechadas. Ótimo!
Pego o gancho do telefone, discando os números que sabia de cor.
Mudo.
Por fim, decido arrumar aquela bagunça, começando por juntar as roupas e depois lavar os pratos. Para só então, começar a varrer tudo.
Após fazer uma breve faxina, começo a tirar o pó dos móveis. É quando a porta da frente é destrancada.
Paro encarando a porta.
Valerie aparece suspirando.
– O que está fazendo? – pergunta séria.
– Não está vendo? Estou limpando este chiqueiro.
– Não importa! Vá se arrumar direito, vamos sair.
Franzo o cenho.
– Onde vamos?
Ela força um sorriso.
– Se quer gerar meu filho, precisa fazer alguns exames. Não quero que contamine ele.
Dou um passo em sua direção cruzando os braços.
– Se quer saber se tenho alguma doença. Não. Não tenho.
– Só quero tirar essa dúvida – Dou meia volta em direção ao quarto de hóspedes, buscando as únicas peças de roupas limpas que tinha.
Volto algum tempo depois, após tomar um banho.
Valerie desvia o olhar do celular, me olhando de cima a baixo.
– Não posso esquecer de comprar roupas decentes.
– O que há de errado com minha roupa? – Olho para mim mesma, vendo apenas uma calça jeans preta com rasgos nas pernas e uma camiseta branca.
– Você não é mais uma adolescente rebelde – Ela segue para a porta, após colocar a bolsa no antebraço.
– Adolescente rebelde – repito seguindo- a.
Me sinto distante do mundo, enquanto observo a cidade pelo vidro fumê.
Me pegando a pensar, se estariam a minha procura. Se Coroa havia colocado Johnny para invadir os sistemas da polícia, em busca do meu paradeiro ou se estavam fazendo campana do lado de fora do departamento.
A campana era algo impossível, mas os sistemas a serem invadidos era algo de que Johnny entendia muito bem.
Pensar nisso, acabou trazendo novamente o rosto de Blake à tona. Em como estava preocupado em me manter fora da cadeia e mesmo assim consegui ser presa, acabando por aceitar uma proposta um pouco estranha.
Naquele momento desejei estar em alguma cidade, deitada na grama de um parque com Blake bebendo ao meu lado e dizendo coisas aleatórias. Como o clima estava estranho ou como não se habituava com a comida do lugar.
Tínhamos dias ensolarados antes da tempestade, nas vezes em que estávamos em cidades distintas, fizemos amigos, fomos convidados para jantar, tivemos uma vida normal; até que uma ligação do Coroa, fazia o sol sumir entre as nuvens negras e uma tempestade se formava.
Blake deixava de ser o cara legal que estava acostumada, se tornando agressivo e de poucas palavras. Os dias que vinham a seguir, se dedicava completamente a planta do banco e ao plano. Cada passo era cronometrado, graças a equipe que Coroa havia montado.
Johnny mesmo com dependência química, conseguia ser um gênio do computador e invadir qualquer sistema do governo.
Havia membros da quadrilha que entendiam muito bem de armas e explosivos. Cada um tinha uma função importante e era nosso dever executá- la com sucesso.
Das três vezes que fui pega, foi por causa da ganância. Havia um m****o que desejava mais do que Coroa havia ordenado pegar, no intuito de fazê- lo sair do banco antes da polícia chegar, acabei sendo presa com ele dentro do cofre.
Claro, que antes dele ser levado para o presídio, foi morto.
Das outras duas primeiras vezes, aprendi que o tempo tem que estar ao nosso favor. Subestimava o tempo que a polícia poderia chegar em uma loja de conveniência, preciso nem terminar que fui presa em menos de dez minutos, graças á um dispositivo que o dono da loja tinha em baixo do balcão.
Olhar aquelas pessoas em seus próprios mundos, me fez pensar em tudo que havia feito até ali e concluído que havia jogado boa parte da minha vida nas ruas e andando com pessoas perigosas.
A não ser por Blake. O via como algo bom e ao mesmo tempo tóxico.
Para garantir que minha teimosia não seria um problema, Coroa o encarregou de “tomar conta de mim". Havia acabado de completar dezesseis anos, além dos roubos, desejava apenas pular em festa em festa, aproveitando o máximo que podia.
Em uma de nossas diversas brigas, sobre se manter no anonimato, me apaixonei por seu jeito bruto e violento. Cedendo para suas exigências
Além do mais, era a única pessoa que me aceitava do jeito que era. Com meus problemas familiares e cicatrizes. E de cicatrizes ele entendia bem, não que fosse conseguir curá- las, mas de certo modo me ajudou a lidar com a dor que causavam.
Blake era remendado como eu e talvez fosse isso que havia me feito permanecer ao seu lado por tanto tempo.
Acreditava que não era amor.
Era cumplicidade.
Medo de ficarmos sozinhos, em um mundo separados não teríamos chance alguma.
Afinal de contas, nos entendíamos.
Sempre estava lá quando acordava no meio da noite assustado, com as lagrimas molhando o rosto e só pelo seu estado entendia que vira a mãe morrer mais uma vez diante de seus olhos.
Com muita dificuldade o abraçava, o apertava contra meu peito, esperando pacientemente que os soluços parassem.
Blake conseguia me levar facilmente ao inferno. Apenas para me fazer sentir a adrenalina em minhas veias.