André começa a questionar se deve largar a batina .

1096 Palavras

Fazia dias que o confessionário se tornara palco de uma batalha secreta. O lugar sagrado, onde deveria ouvir os pecados alheios e oferecer absolvição, agora era também o espaço onde o próprio coração dele se denunciava em silêncio. A cada visita de Valesca, algo se rompia dentro dele. A firmeza que cultivara durante anos de sacerdócio parecia se esfarelar em pó diante de palavras tão humanas, tão íntimas, tão perigosas. Naquela manhã, após a missa, André entrou na sacristia e fechou a porta com mais força do que gostaria. O crucifixo sobre a mesa parecia observá-lo com um peso invisível. — Por que, Senhor? — murmurou, os olhos marejados. — Por que me fez sentir algo que eu não deveria? A voz ecoou na solidão. Ele se deixou cair na cadeira, passando a mão pelo rosto. A lembrança das pa

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