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Arabella.
— Meninas, meninas… toda essa conversa sobre trabalho de verão está realmente me entediando. Vamos falar de homens — anunciei, erguendo a taça e dando um gole lento no vinho.
Três pares de olhos se voltaram para mim ao mesmo tempo — vazios, pouco impressionados e cheios de julgamento. Só consegui dar de ombros, completamente despreocupada.
— O quê? Uma garota não pode se divertir um pouco?
— Bella, a sua ideia de diversão é seduzir um cara e depois deixá-lo na mão — Jordan rebateu, arqueando uma sobrancelha. — Estou errada?
— Ei, ei — retruquei de imediato. — Uma garota pode flertar. Isso não significa que qualquer cara possa passar da linha.
— Você gosta de brincar com a vida das pessoas — acrescentou Violet, balançando a cabeça com um meio sorriso. — Como uma espécie de marionetista.
— Eu não faço isso — protestei, rindo enquanto observava Violet, Jordan e Sophia à mesa, todas bebendo, comendo e claramente se divertindo muito mais do que gostariam de admitir.
Estávamos comemorando o fim das provas, nos dando ao luxo de um jantar demorado, cheio de massa, vinho e liberdade. O restaurante estava tomado por conversas, pelo tilintar de taças e por aquele burburinho acolhedor que só existe em lugares cheios de pessoas sem pressa de ir embora.
A conversa incessante delas sobre estágios, trabalhos temporários e planos de carreira estava me levando ao limite do tédio. Eu só tinha falado para mudar de assunto — e, de repente, eu era a vilã da história.
— E nem tente negar — continuou Jordan. — Nós te conhecemos, Bella.
— É — Sophia concordou, rindo. — Você vive disso.
Todas falaram ao mesmo tempo, me calando de vez.
E eu nem tentei negar.
Era verdade — eu quase nunca era vista sem um homem diferente ao meu lado a cada poucas semanas. Mas isso não significava que algum deles fosse dono do meu coração. Ou do meu corpo. Namorar era um processo. Um método de seleção. Um jogo, se quisesse chamar assim.
Como eu iria saber quem seria meu futuro marido se não saísse em encontros?
Violet gostava de culpar minha natureza brincalhona. Eu preferia acreditar que isso tinha a ver com a forma como fui criada. Meu pai era um dos empresários mais poderosos do país, dono de quase metade dos shoppings e propriedades comerciais da Nova Zelândia. As expectativas me seguiam por todos os lugares — ditas e não ditas.
Encontrar o homem certo importava.
Alguém que estivesse à altura do meu mundo. Dos meus padrões. Do sobrenome da minha família.
Infelizmente, esse homem ainda parecia estar a anos-luz de distância.
Por outro lado, eu só tinha dezenove anos. Ainda estava na faculdade. Havia muito tempo antes de pensar em me estabelecer — ou de submeter alguém a investigação i****a do meu pai.
— E o Robert? — perguntei casualmente, mudando o rumo da conversa.
Violet congelou.
A mudança foi sutil, mas inconfundível. Ela pousou o garfo com cuidado e levou o copo de água à boca, bebendo devagar, como se estivesse ganhando tempo.
Algo estava errado.
— Violet — falei imediatamente, inclinando-me para frente. — O que está acontecendo?
— Ainda não tive notícias do Robert — ela admitiu em voz baixa.
Franzi a testa. Aquilo não me pareceu certo.
— Olha pra mim. — Sem pensar, segurei seu queixo com delicadeza, forçando-a a encontrar meu olhar. Esse instinto de proteger, de consertar as coisas, sempre surgia quando uma das minhas amigas estava sofrendo. — Ele fez alguma coisa com você?
— Não. Claro que não — disse rapidamente, balançando a cabeça até que eu soltasse minhas mãos.
— Então o que é?
A mesa ficou em silêncio. Jordan e Sophia se voltaram para nós, de repente atentas.
— É, Violet — Jordan disse suavemente. — O que foi?
— Não é nada — Violet insistiu, forçando um sorriso enquanto enrolava o espaguete no garfo. — Só estou aliviada por as provas terem acabado.
Eu não me deixei enganar.
Eu conhecia Violet havia dois anos. Aquele sorriso contido, aquele tom cuidadoso — ela só fazia isso quando algo a estava incomodando.
Enquanto Jordan e Sophia voltavam a rir de alguma piada que eu não ouvi, mantive toda a minha atenção em Violet.
— O Robert não tem te ligado? — murmurei, baixando a voz para que as outras não ouvissem.
— Ele está ocupado, Bella — suspirou, claramente querendo encerrar o assunto.
Antes que eu pudesse responder, uma cadeira foi arrastada ruidosamente.
— Desculpa, pausa para o banheiro — anunciou Jordan com um sorriso. — Água demais.
— Vou com você — disse Sophia, pegando a bolsa, antes de as duas seguirem em direção ao banheiro feminino, rindo de alguma coisa.
Voltei-me para Violet, sem me preocupar em falar baixo dessa vez.
— Quando foi a última vez que ele entrou em contato? — perguntei.
Ela soltou um suspiro lento.
— A gente precisa mesmo falar disso agora? Acabamos de terminar as provas. Vamos comer. Conversar. Nos divertir.
— Nós estamos comendo — disse, erguendo levemente meu prato para mostrar. — Estamos conversando; sobre o seu namorado. As outras duas estão rindo, então estão se divertindo. O que sobra é você.
Ela riu baixinho e balançou a cabeça.
— Ai, Bella…
O som da risada dela aliviou algo apertado dentro do meu peito — mas eu não deixei isso me distrair.
Inclinei-me um pouco mais, baixando a voz de novo, agora mais suave.
— Fala comigo — pedi.
— Faz três semanas desde a última vez que falei com o Robert — Violet confessou, em voz baixa.
— Três semanas?! — arregalei os olhos. — Você está brincando comigo? Todos os meus ex-namorados não me davam nem duas horas de paz antes de ligarem para o meu maldito celular. Às vezes eu quase cedia ao impulso de jogar aquele telefone na parede até virar pó. Você tentou mandar mensagem? Ligar de novo?
— Não me olha assim, como se eu fosse louca — ela disse, suspirando. — Eu liguei antes de vir pra cá. Ele disse que está ocupado. Vai fazer a prova da OAB, afinal. Precisa estudar. Eu não quero atrapalhar.
— E daí? — rebati imediatamente. — Você é a namorada dele. Tem todo o direito de “atrapalhar”. Eu digo que você devia ir vê-lo amanhã.
— Essa era a minha intenção.
— Então o que ele disse quando você ligou?
Violet ficou em silêncio outra vez. O garfo voltou a empurrar a comida de um lado para o outro no prato, sem que ela realmente comesse.
— Violet! — insisti, batendo de leve os dedos na mesa quando ela se recusou a responder.
— Ei… ei — a voz de Jordan interrompeu. — Sobre o que vocês duas estão falando?
Levantei o olhar e vi Jordan e Sophia já de volta aos seus lugares, encarando-nos com curiosidade.
Eu sabia que Violet não gostaria de ter seus problemas expostos. Ela não era tão próxima delas quanto era de mim. Então, decidi recuar — por enquanto.
— Nada — disse, acenando com a mão como se estivesse dispensando o assunto. — Depois a gente conversa.
Resolvi mudar de estratégia.
— Ah! Ouvi dizer que abriu uma boate nova chamada Blackmoon. A gente devia ir pra lá hoje à noite. O que acham, Jordan? Sophia?
— Eu topo — Sophia respondeu na hora. — Jordan?
— Dentro! Faz séculos que eu não arraso na pista de dança.
— Violet? — perguntei, observando-a com atenção.
Ela hesitou por um longo segundo.
— Claro… por que não?
Sem saber que havia acabado de cair na minha armadilha, sorri de canto enquanto saíamos rumo à Blackmoon.