Arabella.
A pista de dança estava lotada, as luzes piscavam em tons vibrantes e a música pulsava tão alto que fazia o chão vibrar. Jordan e Sophia já estavam no meio da pista, rebolando sem nenhuma preocupação no mundo.
Violet fez menção de ir atrás delas, mas eu a segurei pelo braço e coloquei um coquetel em sua mão.
— A gente precisa conversar. Agora.
— Tá bom — ela disse, resignada. — Sou toda sua.
Sorri.
— Então… — comecei, já me preparando para disparar minhas perguntas. — Me conta.
— Ei, posso te pagar uma bebida?
A voz surgiu colada ao meu ouvido.
Virei o rosto imediatamente, irritada com a interrupção.
Era um homem. Visivelmente bêbado.
— Não, obrigada — respondi secamente, voltando-me para Violet.
— Ah, qual é. Só uma bebida. O que você acha? — ele insistiu.
— Eu disse não. Agora sai fora — falei, num tom duro.
Ele ignorou completamente o aviso e pousou a mão no meu braço nu.
— Ah, não faz doce. Com esse vestido curto, você está praticamente implorando pra eu te comer, não é? v***a — sussurrou no meu ouvido.
Senti meu rosto queimar.
Meu cabelo castanho ondulado caía solto sobre os ombros, e eu usava um vestido vermelho intenso, sem mangas, moldado ao corpo. Eu sabia que chamava atenção. Eu me vestia para impressionar. Mas isso não dava direito algum àquele i*****l.
Arranquei os dedos dele do meu braço, tomada pelo nojo.
Empurrei-o com força, satisfeita quando ele caiu sentado no chão com um baque.
— Não ouse me tocar — rosnei. — Sai de perto de mim agora, seu nojento, ou vai se arrepender.
Eu não estava brincando.
Se meu pai soubesse que algum homem ousou colocar as mãos em mim sem permissão, esse homem nunca mais conseguiria emprego na vida. Vantagens de vir de uma família influente: ninguém tocava em mim se eu não quisesse.
— Quem você está chamando de nojento, sua v***a? — ele cuspiu, levantando-se.
— Estou falando com você, seu covarde. Pelo visto, você não entende linguagem humana. Então desaparece da minha frente.
— E se eu disser não?
— Não? — sibilei. — Que tal isso?
Joguei meu coquetel inteiro no rosto dele.
— Agora sai!
O ódio se formou nos olhos dele como uma tempestade.
— Sua p**a — rosnou.
Ele me puxou com força, me trazendo para perto. O bafo alcoólico me fez engasgar. O toque dele causou um arrepio de repulsa.
— Eu mandei não me tocar! — gritei, tentando me soltar.
Percebi olhares voltados para nós, mas não me importei. Aquele desgraçado precisava aprender.
Antes que eu pudesse pegar o copo de Violet para jogar outro banho de bebida nele, senti o ar mudar.
Eu senti antes de ver.
Um movimento rápido. Um braço avançando.
Fechei os olhos, esperando o impacto. A ardência. O tapa.
Mas nada aconteceu.
Abri os olhos e vi apenas preto.
Não — alguém estava na minha frente.
Um homem de terno preto.
Levantei o olhar e vi cabelos negros, olhos cinzentos profundos como uma tempestade se formando.
— A moça disse para não tocá-la — ele falou.
A voz.
Grave. Firme. Dominante.
Senti minhas pernas fraquejarem.
O agressor não disse nada. Apenas recuou e fugiu como o rato que era.
O homem virou-se para mim.
O tempo parou.
Olhos cinza intensos, sobrancelhas bem definidas, cabelo preto perfeitamente penteado, nariz romano, boca feita para beijos. Meu coração batia tão forte que achei que fosse explodir.
Eu queria que ele falasse de novo.
Mas foi a voz de Violet que me trouxe de volta.
— Bella, você está bem?
— Hã? — pisquei, procurando o homem.
Ele havia desaparecido.
— Bella? — Violet me sacudiu de leve. — Você está bem?
— Sim… estou — murmurei, distraída.
— Bella!
— O quê? Desculpa. Onde a gente estava mesmo? Ah, sim. Robert…
— Eu não quero falar do Robert — ela disse rapidamente. — Vamos dançar. É mais seguro do que ficar aqui.
Ela me puxou para o meio da pista, onde encontramos Jordan e Sophia.
Eu dançava.
Ou pelo menos, meu corpo se movia.
Mas minha mente estava presa àquele homem de olhos cinzentos.
Quem era ele?
Fechei os olhos quando Sweet dreams da Beyoncé começou a tocar.
— O que está acontecendo comigo? — murmurei, sincronizando os lábios com a música.
Abri os olhos.
E lá estava ele.
O mesmo olhar intenso, fixo em mim, do outro lado do clube.
Meu coração disparou.
Segurei o olhar dele. Joguei o cabelo. Dancei lentamente.
Ele pousou a taça de champanhe na mesa.
Levantou-se.
E começou a vir na minha direção.
Meu Deus.
— Robert.
— O quê?
— O Robert está aqui — Jordan disse ao meu lado.
Meu olhar se desviou.
E então eu vi.
Robert. Aos beijos com outra garota. Uma mão por baixo da saia dela. A outra no peito.
— Robert, SEU DESGRAÇADO! — avancei.
Violet chorava atrás de mim.
— Não é o que você está pensando — ele tentou.
Coloquei Violet atrás de mim.
— E o que exatamente você acha que ela está pensando, Robert?
— Cala a boca, Arabella. Fica fora disso. Eu estou falando com a minha namorada.
— Não, você é que cala a boca e escuta, Robert — retruquei, cruzando os braços. — Nenhum namorado leva uma garota aleatória para uma boate e praticamente devora a cara dela quando diz que está ocupado estudando para a prova da ordem.
— Violet, não escuta ela. Eu posso explicar.
— Explicar o quê? — interrompi antes que ele pudesse continuar. — A evidência está literalmente grudada na sua boca.
Robert abriu e fechou a boca algumas vezes, como um peixe fora d’água. Ele estava ficando sem argumentos — e eu quase sentia pena. Quase.
— Você vai ser um advogado péssimo — declarei, dando meu veredito final.
Aquilo pareceu atingi-lo em cheio.
Os olhos dele brilharam com raiva ferida. Ele tentou recuperar a pose, inflar o peito, encontrar alguma frase inteligente para me rebater — mas não havia nada ali. Nenhuma sagacidade. Nenhuma saída.
Ele bufou, percebendo que estava encurralado.
Então fez o que homens fracos sempre fazem quando perdem: fugiu.
Me empurrou ao passar por mim, correndo atrás de Violet, que já se afastava da cena, lágrimas escorrendo pelo rosto.
O impacto me fez girar sobre os próprios calcanhares.
Merda.
Eu senti o chão escapar sob meus pés.
Duas agressões em uma única noite.
Que noite encantadora.
Preparei-me para o impacto. Já imaginava o tombo humilhante no meio da pista, risadas ao redor, meu vestido vermelho espalhado pelo chão.
Mas, aparentemente, aquela era a noite em que cavaleiros de terno preto surgiam do nada.
Braços fortes me seguraram pela cintura antes que eu caísse.
Fui envolvida por um peito sólido, duro como aço.
— Você está bem?
Meu coração praticamente parou.
Olhei para cima.
Oh, meu Deus.
Ele. O homem da voz grave.
O deus do sexo de terno preto.
O toque dele queimava.
Era como se cada célula do meu corpo tivesse sido ligada de uma vez.
— Solta minha perna — murmurei, tentando recuperar algum controle. — Eu preciso ver minha amiga.
Ele estava ajoelhado diante de mim, os dedos firmes envolvendo meu tornozelo, subindo e descendo pela minha panturrilha com uma concentração quase indecente.
Se ele continuasse tocando assim, eu esqueceria completamente que tinha uma amiga chorando em algum lugar.
— Você torceu o tornozelo — disse calmamente, os olhos cinza focados na minha pele.
— Mas a minha amiga…
Isso finalmente fez com que ele levantasse o olhar.
E quando nossos olhos se encontraram novamente, senti o mundo inclinar.
— Suas outras amigas já foram atrás dela — respondeu.
Eu queria dizer que também precisava ir. Que Violet precisava de mim.
Mas os dedos dele apertaram levemente meu tornozelo, testando a articulação, e um arrepio percorreu minha espinha.
Concentração, Bella.
Eu tentei me levantar.
Sério, tentei.
Mas assim que coloquei peso no pé, vacilei e caí direto contra ele.
Ele me segurou com facilidade irritante — como se eu não pesasse nada.
Sem pedir permissão, me pegou no colo.
Simples assim.
E caminhou até o camarote privado dele.
Senti olhares atravessando minhas costas. Mulheres me encarando com inveja aberta. Eu m*l podia culpá-las.
Ele me sentou no banco de couro escuro e voltou a se ajoelhar diante de mim.
Quando apertou meu tornozelo um pouco mais forte, soltei um pequeno gemido involuntário.
— Desculpe — ele disse, erguendo os olhos para mim. — Melhorou?
Se ele fazia ideia do que aquela visão causava em mim, estava escondendo muito bem.
A posição dele.
A intensidade do olhar.
O fato de estar ajoelhado entre minhas pernas.
Mil pensamentos atravessaram minha mente — e nenhum envolvia cuidados médicos.
— Melhor… obrigada — sussurrei, passando a língua pelos lábios ressecados.
Os olhos dele acompanharam o movimento.
Algo mudou no ar.
Ficou mais denso.
Mais quente.
Uma tensão elétrica se formou entre nós, quase palpável.
Meu coração disparava.
Seria aquela a noite em que eu finalmente teria uma aventura impulsiva com um completo estranho?
— Tome mais cuidado — ele disse, a voz baixa, firme. — Uma garota bonita e delicada como você deveria sempre ter alguém para protegê-la.
Se qualquer outro homem ousasse me chamar de delicada, eu o teria colocado no lugar imediatamente.
Mas vindo dele…
Eu quase concordei.
Quase disse: talvez você possa me proteger.
Mas ele soltou meu pé e levantou-se antes que eu encontrasse coragem.
E então ele realmente me olhou.
Não para minha perna.
Não para meu vestido.
Para mim.
Senti meu sorriso se formar sozinho. Minha cabeça ficou leve, como se eu estivesse embriagada apenas pelo cheiro dele.
— O-obrigada… — gaguejei.
Ele riu.
Aquela risada grave vibrou pelo meu corpo inteiro.
Meu cérebro simplesmente desligou.
Eu precisava perguntar o nome dele. O número. Qualquer coisa.
Mas antes que eu conseguisse formular uma frase coerente, ele falou:
— Quer que eu chame um táxi para você?
— Minhas amigas… — consegui dizer, apontando vagamente para a pista.
Ele olhou para o relógio — um Rolex elegante, claramente caríssimo. Meu pai tinha um parecido.
— Eu preciso ir. Cuide-se.
Quis segurá-lo. Puxá-lo de volta.
Beijá-lo antes que desaparecesse.
Mas fiquei parada, hipnotizada pelo sorriso dele.
E então ele se foi. De novo.
Fiquei ali, sentindo-me estranhamente vazia… e perigosamente desperta.
Ótimo.
Agora nada iria aliviar aquela tensão além de um banho gelado.
Mas antes, eu precisava encontrar Violet.
Enquanto mancava de volta à pista, uma pergunta ecoava na minha mente:
Eu o verei de novo?
Ou ele foi apenas uma tempestade passageira na minha noite?