Arabella.
Eu ainda sinto que o homem que faz minha pele queimar… está aqui…
Em algum lugar.
A viagem até a casa dos Kingsley foi longa e cansativa.
Alex preencheu cada quilômetro falando de si mesmo — escola, universidade, carreira. Tudo girava em torno dele.
— Foi ali que aprendi a dirigir — disse, apontando para uma estrada estreita cercada por eucaliptos. — Bati direto naquela árvore.
Os dedos dele tocaram meu ombro. Depois meu braço. Depois repousaram em minha cintura.
Afastei-me discretamente.
— Alex — disse com firmeza —, você é bem… físico.
Um sorriso lento surgiu em seus lábios.
— É a minha forma de me expressar.
O tom dele mudou, mais baixo, mais intenso.
— E você, Arabella? Gosta de contato?
A mão dele deslizou sem cerimônia para minha coxa exposta.
Um arrepio percorreu minha espinha — não de desejo, mas de alerta.
— Apenas com quem eu escolho — respondi friamente, removendo a mão dele.
Ele riu, disfarçando, mas a tensão permaneceu.
Ao chegarmos, Giancarlo me recebeu com outro abraço caloroso. Lauren surgiu logo depois — impecável, elegante, perfeita demais, como se ensaiada.
A mão de Alex repousou possessivamente na parte inferior das minhas costas.
Resisti ao impulso de me afastar.
E então…
Pelo canto do olho, eu o vi.
Parado perto da escadaria principal.
Silencioso. Observando.
Cabelos negros como tinta. Nariz romano marcante. Sobrancelhas fortes. E aqueles olhos — escuros, tempestuosos, atravessando o ambiente.
Mesmo atrás dos óculos de armação preta, eles queimavam.
Meu coração o reconheceu antes da mente.
A lembrança de dedos em meu tornozelo. O calor queimando minha pele. Uma voz — profunda, grave, inesquecível.
Era ele.
Três anos de sonhos inquietos condensados em um único instante sem fôlego.
Dei um passo à frente.
Mas Alex falou antes.
— Damian. Não esperava te ver aqui.
O nome ecoou dentro de mim.
Damian. O olhar dele encontrou o meu.
E desta vez…
Ele não desviou.
A tensão entre os dois homens permanecia palpável, quase sufocante. Alex, com seu olhar carregado de desprezo e raiva, e Damian, imperturbável, como se cada músculo do corpo dele contivesse uma força silenciosa. Eu os observava, confusa, tentando decifrar o motivo de tanto ódio entre eles. Mas Giancarlo, como sempre, veio quebrar o silêncio com sua voz calorosa:
— Damian, venha aqui. Quero que conheça Miss Arabella Stone, da Stone Corporation.
Damian se aproximou, e meu coração disparou. Havia algo nele — uma aura misteriosa, poderosa, que fazia meu corpo reagir sem que eu entendesse exatamente por quê. Ele se posicionou ao lado de Giancarlo, e pude ver o quanto Giancarlo o tratava com carinho, colocando a mão em seu ombro de maneira protetora. Damian era alguém importante para ele, alguém que merecia respeito e atenção.
— Arabella, este é Damian, meu filho mais velho — disse Giancarlo, apresentando-os formalmente.
Damian estendeu a mão, e assim que nossos dedos se tocaram, senti uma faísca percorrer meu corpo. Uma eletricidade silenciosa, carregada de desejo contido. Ignorando o olhar irritado de Alex, entrelacei meus dedos com os dele, prolongando o toque um instante a mais do que seria educado.
— Muito prazer em conhecê-lo, Damian — disse, mantendo minha voz firme, mas com um leve traço de provocação.
Damian corou levemente, desviando o olhar por um instante, e depois fixando-o novamente em mim com uma mistura de surpresa e timidez. Ele parecia tão vulnerável naquele momento que uma onda de confiança percorreu meu corpo. Eu podia brincar com ele, sondar seus limites, e ele não poderia esconder suas emoções.
Alex, impaciente, puxou minha mão de volta, tentando me conduzir para o jardim.
— Está sufocante aqui. Venha ver nosso jardim. Ramon vai gostar de te conhecer — disse ele, e eu o segui, mas não sem lançar um último olhar para Damian.
Seus olhos me encontraram brevemente, e por um instante, senti que ele reconhecia algo em mim, algo que transcendia palavras. Havia um fogo contido ali, uma intensidade silenciosa que falava diretamente à minha alma.
Explorar o jardim sozinho me deu tempo para refletir sobre aquela família e os segredos que carregavam. Alex havia me alertado sobre Damian, dizendo que ele era perigoso, mas agora eu podia sentir que havia mais complexidade em sua personalidade do que ele queria admitir.
Subi ao pavimento superior e, ao ver um pequeno pavilhão verde, decidi me aproximar sozinha. A visão que encontrei me deixou sem fôlego: Damian estava ali, sozinho, cercado por flores e arbustos que suavizavam sua figura rígida e poderosa. Cada detalhe dele me fascinava — o cabelo n***o caindo sobre os ombros, os olhos cinzentos que pareciam conter tempestades, o porte de alguém acostumado a controlar tudo à sua volta.
— Damian — murmurei, incapaz de conter minha voz.
Ele se tensou por um instante, mas ao perceber que era eu, relaxou, deixando escapar um suspiro quase inaudível.
— Arabella — respondeu, com uma leve timidez que fez meu coração acelerar.
Sentei-me à sua frente, cruzando as pernas de maneira casual, mas deixando escapar o suficiente para notar a reação dele. Seus olhos me seguiram, hesitando por um instante antes de desviar para as flores ao lado. Eu sorri silenciosamente, satisfeita por perceber que meu gesto tinha efeito. Damian estava desconcertado, vulnerável, e isso só aumentava meu fascínio por ele.
— Você sempre fica assim quando conversa com mulheres? — perguntei, provocando-o com suavidade.
— Só com as bonitas — respondeu, baixinho, quase sem perceber.
Um sorriso involuntário se formou nos meus lábios. Ele era direto, honesto, e cada palavra parecia carregada de significado. A timidez dele era magnética; eu queria mais, queria provocá-lo, desvendar cada camada de sua personalidade complexa.
— Então me deixe provar que está enganado — murmurei, inclinando-me um pouco mais perto, mantendo o contato visual. — Quero conhecê-lo melhor, Damian. Em todos os sentidos.
Ele ficou rígido, claramente impactado pelo meu tom e pela proximidade, mas havia também algo mais: uma tensão quase elétrica, uma atração inegável que ambos sentíamos. O silêncio entre nós falava mais do que qualquer palavra poderia. Cada respiração, cada gesto, carregava um peso carregado de desejo e curiosidade.
Eu me aproximei ainda mais, deixando que nossos olhares se cruzassem intensamente. Damian parecia preso entre a timidez e a força do sentimento que emanava de mim. Eu queria tocar sua face, tocar sua mão, mas mantive-me paciente, deixando-o perceber que podia confiar em mim, que podia ceder àquilo que ambos sentíamos.
— Lembro de você, Damian — sussurrei, pousando minha mão suavemente sobre a dele. — Desde aquela noite na boate, há três anos.
Seus olhos se arregalaram levemente, e por um instante, pude ver a emoção cruzar seu rosto sério. Um pequeno sorriso surgiu, quase imperceptível, mas suficiente para encher meu coração de alegria.
— Eu lembro — disse ele, apenas duas palavras, mas carregadas de significado.
A confiança que eu sentia disparou. O jogo de olhares, gestos e aproximação continuou, carregado de tensão, desejo e curiosidade. Eu sabia que aquele momento era apenas o começo de algo intenso, profundo e irresistível. Damian era a personificação do mistério e da sedução que eu buscava, e, finalmente, ele e
stava ali, ao meu alcance.