O sol da tarde caía sobre o pátio da prisão.
Alguns detentos caminhavam de um lado para o outro, outros conversavam em pequenos grupos. Mas Nando estava sozinho perto da grade, os braços cruzados, observando o movimento do lado de fora.
Era o horário em que Clara costumava ir embora depois das sessões.
Mesmo sem admitir para ninguém, ele sempre olhava.
Sempre.
Do outro lado da grade, no estacionamento da prisão, um carro preto elegante parou.
Nando franziu levemente a testa.
A porta do carro se abriu.
Um homem alto, bem vestido, saiu de dentro. Terno escuro, postura elegante, aparência de alguém bem-sucedido.
Nando observava tudo em silêncio.
Então Clara apareceu na porta da prisão.
Os cabelos loiros soltos sobre os ombros, a pasta de trabalho nas mãos.
Assim que o homem a viu, abriu um sorriso e caminhou até ela.
Nando estreitou os olhos.
Quem é esse?
O homem se aproximou e colocou a mão suavemente nas costas de Clara, guiando ela até o carro.
Aquilo fez algo ferver dentro de Nando.
O homem abriu a porta do carro para ela entrar.
Clara sorriu educadamente.
E entrou.
No mesmo instante, o maxilar de Nando travou.
O olhar dele escureceu completamente.
— Quem é o cara? — perguntou um detento ao lado, percebendo o olhar dele.
Nando não respondeu.
O homem fechou a porta do carro depois que Clara entrou.
Então deu a volta e entrou no banco do motorista.
O carro começou a sair do estacionamento.
Foi naquele momento que um dos homens de Nando, que também estava preso, se aproximou.
— Chefe… — disse ele baixo — é o noivo dela.
O silêncio caiu como uma bomba.
Os olhos de Nando ficaram ainda mais escuros.
— O quê?
— O noivo — repetiu o homem. — O nome dele é Henrique. Empresário. Família rica. Pelo que descobrimos… eles estão juntos há anos.
Nando ficou completamente imóvel.
Mas por dentro…
Ele estava pegando fogo.
A imagem do homem abrindo a porta do carro para Clara não saía da cabeça dele.
A mão nas costas dela.
O sorriso dela.
— Não… — murmurou Nando entre os dentes.
Os dedos dele apertaram a grade de ferro com força.
— Ela olha pra mim de um jeito…
Ele respirou fundo, tentando controlar a raiva.
— Ela não olha assim pra mim se ama outro homem.
O homem ao lado ficou quieto.
Nando passou a mão no rosto, andando de um lado para o outro no pátio.
A mente dele girava.
Ela passa horas comigo.
Ela me toca.
Ela me olha daquele jeito.
Ela quase me beijou.
— Não — disse ele de novo, mais firme.
Então ele parou e olhou para o portão da prisão, como se pudesse ver Clara ainda ali.
— Ela pode até achar que pertence a ele…
A voz dele saiu baixa.
Fria.
Perigosa.
— Mas ela é minha.
Os homens ao redor dele ficaram em silêncio.
Porque todos ali conheciam aquele olhar.
Era o olhar de um mafioso que tinha decidido algo.
E quando Nando decidia alguma coisa…
O mundo inteiro precisava se preparar para as consequências.
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