CAP 13 - LUCIO E AMÁLIA PARTE 3

2180 Palavras
Angélica novamente viaja no tempo. Ela vê seu amado Lúcio dormindo. Pensa: nem mesmo estar pertinho dessa forma posso...nem tentar te tocar com energia...até minha presença lhe causa m*l estar. Se pudesse mudar as coisas...espero conseguir...estou tentando meu amor te alcançar...tentando lutar por nós...mas te sinto muito longe...em outra vida..resistente...olhando para outro lado...quanto mais tempo te alcançar...mais sozinha me sinto nessa luta... Ela tenta sentar próxima e Lúcio puxa a coberta demonstrando frio. Para Angélica perceber que causava qualquer tipo de mau estar nele lhe fazia sentir uma dor intensa em sua alma e espírito. Essa dor minava o perispírito de Amália que também sentia em sua essência. Como se o que Angélica estivesse vivendo no futuro, modificasse o passado… Ela se afasta chorando. Contanto que pudesse ficar perto...mesmo que distante...era melhor que nada. Agradeceu o pouco que tinha por saber o que era ter nada… O dia amanhece. De alguma forma a presença de Angélica deixava Lúcio forte. Ele não a enxergava, mas sentia seu amor. Esse amor lhe fazia ser capaz de tudo. Os dias passam voando e os preparativos do casamento seguem. Amália não queria nada grande, mas seus pais não admitiam uma cerimônia simples, não para um Senador. Amália estava triste, não gostava de festas e ritos, para ela era bobagem isso tudo de cerimônia. E, mesmo assim, não podia escolher nada. Lúcio chega a tarde para cortejá-la e a encontra com um olhar triste. Lúcio: - O que está acontecendo? Amália: - Só quero que esse casamento passe logo. Não gosto dessas cerimônias e coisas chiques e cheias de pomposidades. Por mim nem faríamos festa e nada disso. Lúcio: - Por mim também não, mas seu pai jamais aceitaria. Amália: - Interessante que o casamento é nosso. Lúcio sorri. Amália: - O que foi? Lúcio: - Gosto quando você fala a palavra nosso. Amália: - Estou tentando me acostumar com isso.. Lúcio: - Assim que for a senhora Carvalho, vai se acostumar logo. Amália sorri. De alguma forma gostava da ideia de não usar mais o sobrenome do seu pai. Era como se ela nunca tivesse sido da família. de alguma maneira, com Lúcio, sentia-se em casa, em família. Lúcio: Já tentou ao menos deixar tudo mais do seu jeito? Amália: - Impossível. Minha mãe comanda. Meu pai assim quer. Parece que só ela sabe fazer uma cerimônia a altura dele. Ela já casou três das minhas irmãs, mas sempre age como se o casamento fosse dela. Cada vez mais exagerada e cheia de futilidades. Queria rosas brancas e vermelhas e flores do campo, ela prefere orquídeas. Lúcio: - Queria que tudo fosse do seu jeito. Amália: - Se tem algo que aprendi com a vida é que nem sempre temos tudo o que queremos. Lúcio: - Quer que fale com seu pai? Amália: - Tenho certeza que você seria a única pessoa que o convenceria a respeito de qualquer coisa. Até agora não sei como consegue. - Amália não sabia que Lúcio utilizava a língua do dinheiro. Ela não possuía essa malícia. Continua: - Prefiro que deixe tudo como está. Não quero mesmo me indispor com mamãe por isso tudo. Logo está acabando e espero ter mais consideração de você. Lúcio: - Te dou minha palavra que te consultarei para tudo. Amália acredita. Tudo que aquele homem lhe dizia parecia ser confiável. Lúcio conversa com Amália mais um pouco. Estava demorando aqueles dias. Não via a hora de estar vivendo com ela como sua esposa. Quando estavam conversando as horas não eram vistas, tudo ficava alegre, leve...bom. Amália sorria naturalmente e não se desgastava como nas conversas com outras pessoas que sempre ouvia algo preconceituoso. Com Lúcio, parecia conversar com sua versão masculina. Conseguia relaxar, aprender, ensinar...tudo com ele era gratificante. Sentia-se confortável e em paz... essa era a sensação que ele lhe passava...paz. Pensava em tudo que Clara lhe dissera naquela noite. Ela então pergunta a Lúcio: - Acaso se interessa em política como seu pai? Lúcio: - Não vejo como uma vocação, mas gosto do tema. Amália: - Não pensa em seguir? Lúcio: - Gostaria que seguisse? Amália: - Perguntei primeiro… Lúcio sorri e diz: - Não é meu objetivo de vida, mas caso ocorra uma oportunidade, não vejo motivo para não seguir. Ela fica visivelmente apreensiva. Lúcio diz: - Agora deixou claro que não gostaria. Ela lembra de que Clara disse e é firme em sua colocação:- Não gostaria mesmo. Acho sua profissão a mais linda que existe e gostaria muito que nunca a deixasse. Lúcio: - Posso ter as duas coisas. - na verdade Lúcio pensava no acordo com senhor Nicolau, se para cumpri-lo e obter justiça para seu pai, tivesse que ingressar na política, faria. Devia isso ao seu pai, mesmo que fizesse a Amália triste. Amália: - Política e Medicina exigem demais...não conseguiria...uma sempre ficaria para trás. Lúcio: - Decididamente não me quer na política… Amália: - Não. Será uma decepção. Lúcio não entende a colocação tão forte e fica pensativo. Tudo que não queria era desgostar seu amor, mas tinha seu pai… Amália não tinha nada com a política. Apenas seguia o que sua irmã Clara lhe pediu. Confiava nas visões da irmã. Já tinha dado provas de que sabia o que dizia. Não podia simplesmente chegar para Lúcio e lhe dizer tudo. Ainda não. Precisava saber quais eram suas crenças a respeito de outras vidas. Não tinham ainda uma i********e sobre isso. Esperava ter um tempo para que tudo se ajeitasse e lhe contasse tudo. No fundo sabia que ele seria receptivo, mas não tinha certeza de nada...só sentia em seu coração. Ela olha para ele e pede, firmemente: - Por favor, apenas diga que vai pensar em se afastar dessa área e seguir a medicina. Lúcio olha para ela e diz: - Prometo. Ela sente-se mais aliviada. Sentia medo de perder Lúcio. Sabia que ainda não tinha um relacionamento de homem e mulher, mas em seu coração já sentia ter. Lúcio segura a mão dela e pergunta: - Acaso sente algo por mim? Digo de romance… Amália deixa sua mão e segura a dele. Ela lhe responde: - Creio ser muito cedo. Eu sei que sinto algo, mas não posso lhe dizer o que exatamente. Nunca amei ninguém...acredito como deva ser o amor, mas até sentir...não posso lhe dizer ao certo...Sei que confio em você como nunca confiei em ninguém. Olho para seu olhar e pareço te conhecer há muito tempo e não sei explicar. Sei que quando te olho meu coração sente paz e fico feliz de estar contigo ou ver que se importa comigo. Sei que confio minha vida em você, e jamais fiz isso e se penso em um mundo sem você meu coração parece se desesperar. Lúcio estava emocionado...sem ela perceber estava lhe descrevendo o amor...mas não podia lhe dizer ao menos que se convencesse disso. Amália: - Nunca me senti parte da minha família, nem segura o suficiente para me sentir em um lar...a não ser quando tive um cachorro, que amo, mas meu pai não permite. Sei que quando olho para você sinto-me em casa e em família. É estranho, mas acabo sempre achando que vai me entender, aceitar e que, mesmo que discorde de algo em mim, vai aceitar e permanecer, talvez tente me mudar...mas permanecer… Lúcio lhe beija a mão e diz: - Sempre estarei do seu lado. E tudo isso que você sente, sinto também. E mais. Amália diz interessada: - Mais? Já acho tanto tudo isso. Lúcio sorri e diz: - E é...mas sinto que quando estou com você, nunca é suficiente. Quero estar com você sempre e para sempre. Sua presença me dá força e coragem para tudo. Toda vez que olho nos seus olhos e vejo seu olhar doce para mim, eu sinto que sou indestrutível e capaz de realizar qualquer coisa. E se sinto a sensação que posso perder tudo isso, eu simplesmente desmorono e choro. Amália estava encantada. Um homem daquela época admitir que chora ainda mais por amor? Era impossível...decididamente ele era a pessoa que sempre sonhara em conhecer...como se Deus o tivesse feito para ela. Então o olha com ternura, carinho e paixão. Lúcio percebe na hora. Amália lhe afaga o rosto e ele lhe beija a mão. Os dois ficam se olhando com amor e emoção de mãos dadas. Depois de mais alguns minutos se despedem. Lúcio estava se sentindo culpado. Havia mentido para ela. Sim, sobre o seu pai. Se contasse, ela talvez não aceitasse se casar, se contar depois do casamento, talvez jamais lhe perdoe. Ela confiava nele. Não podia desapontar-lhe. Morreria se perdesse aquilo que viu em seu olhar hoje. Ele entra em casa e começa a pensar com a mão de seu anel no queixo. Ela constante esse movimento. Lucas vem o visitar e percebe o olhar do irmão. Então diz: - Olá, meu irmão, está tudo bem? Lúcio abraça seu irmão, lhe dizendo: - Que bom lhe ver. Lucas senta-se e olha para ele. Também tinha que lhe falar sobre Iolanda, mas parecia ser sinal de Deus seu irmão lhe precisar. Lúcio: - Pelo visto você também não está bem… Lucas: - Cansado, mas me conte o que está havendo. Lúcio faz uma cara de que duvida do cansaço e diz: - Façamos assim: - Vamos até meu escritório, fechamos a porta, tomamos um licor e você me conta sobre você, que depois te contou sobre mim. Lucas: - E qual o motivo de falar primeiro? Lúcio: - Já o conheço. Irá dar uma desculpa, focar a atenção da conversa toda em mim e, no final, não desabafar. Precisa tirar isso, que está dentro do seu peito, acredite. Vamos lá? Lucas concorda e os dois entram no escritório. Fechados, Lucas começa seu desabafo: - Estou passando por uma situação complicada. Lúcio já havia notado os olhares entre ele e Iolanda, como todo mundo. Ele tenta encorajar o irmão: - É algo relacionado a Iolanda? Lucas surpreso com o irmão, fala: - Qual o motivo da pergunta? Lúcio lhe oferece o licor e o olha com semblante de questionamento: - Preciso mesmo lhe dizer? Lucas: - Está tão visível assim? Lúcio: - Todos notam. Lucas olha assustado. Lúcio tenta acalmá-lo: - Não com maldade. Percebemos te ali um amor genuíno e sabemos o quanto você se dedica ao sacerdócio, mas ouso dizer que muitos torcem por vocês dois. Lucas estava realmente surpreso com as colocações. Ele pergunta: - Acha mesmo que todos da comunidade estão reparando. Lúcio: - Todos sabem que não tem nada concretamente, mas é nítido o amor entre vocês. O olhar de vocês revelam. Lucas: - E eu achei que estivesse escondendo tudo. Lúcio: - Está é se machucando. Lucas: - Nos beijamos. Lúcio fica feliz e não consegue esconder. Lucas fala o repreendendo: - Irmão! Lúcio: - Desculpa, mas torço por vocês. Fazem um casal lindo, e não há nada que não posso fazer ao lado dela do que já faz, só não pode rezar missa e ministrar os sacramentos nem ter título de padre, mas ajudar a comunidade, aconselhar, isso tudo pode seguir fazendo. Lucas: - É minha vocação. Lúcio: - Será? Ou você seguiu a vocação que mamãe queria para você? Lucas: - Não é bem assim. Eu realmente amo ser padre. Lúcio: - Qual o motivo? Lucas: - Eu gosto da religião que participo, representar Deus na minha comunidade, ajudar a todos. Lúcio: - Mas em que momento não pode ajudar a todos? E qual o motivo de não representar Deus com seu amor e compaixão? Irmão...religião não é fé… Lucas estava a muito tempo em um dogma, mas sabia exatamente o que seu irmão mais velho queria lhe dizer. Ele abaixa a cabeça e diz: - Eu sei… Lúcio: - Tem certeza que não está fugindo? Lucas: - Fugindo do que? Lúcio: - Do amor...todos nós um dia fugimos dele...nem sempre estamos prontos. Lucas: - Eu não sei...sei que não consigo me sentir culpado por tê-la beijado. Sinto-me culpado por deixá-la sozinha. Queria protegê-la de tudo, que não sofresse, mas ao mesmo tempo não suporto a ideia de vê-la com outro homem. Sim, se ela não me amasse eu torceria por sua felicidade, mas ter os sentimentos dela e perder, ou não poder lutar por eles...isso não me deixa desistir...eu não sei o que fazer...e se não tiver coragem de largar tudo? Tudo que acredito, tudo que construi...o que farei? Lúcio: - Bom, você tem um lar aqui...sabe idiomas, pode ser professor de religião e língua portuguesa. Estudou filosofia e psicologia...irmão...profissão é o que mais pode ter. Casa você tem e querendo uma só de vocês...podemos providenciar. Eu sinceramente não vejo o motivo para seguir no sacerdócio se está tendo dúvidas. A dúvida não seria a falta de certeza e essa a inexistência da vocação? Lucas: - E se minha fé só estivesse sendo testada. Lúcio: - Seria somente desejo, mas é claro e nítido se tratar de amor. Não vejo sacerdócio maior do que o amor. Lucas: - Estou confuso, irmão. Lúcio então lhe abraça.
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