O dia no morro amanheceu com uma radiância que parecia desafiar a gravidade social daquelas encostas. O sol, imponente e generoso, filtrava-se por entre as frestas dos tijolos aparentes, iluminando o vai e vem frenético que compõe a alma da comunidade. Era o balé cotidiano da sobrevivência: mães apressadas ajeitando as golas dos uniformes escolares de seus filhos, o som rítmico de passos em direção ao asfalto onde o trabalho formal esperava, e o cheiro de café fresco misturado com o aroma de terra úmida. Parecia um dia comum para qualquer observador externo, mas para Ravena, o mundo estava estático, preso em um vácuo de incertezas. Ela estava em casa, sentada à mesa da cozinha, encarando o visor do celular com uma intensidade que beirava a obsessão. Ravena era agora uma mulher graduad

