A brisa da tarde soprava com uma leveza enganosa sobre as vielas, mas dentro da casa de Zafira, o clima era de uma tempestade iminente. Ela estava revisando alguns catálogos de confeitaria, imersa em planos para a Doce Perdição, quando o som de passos apressados e uma voz carregada de pânico rasgaram o silêncio. — Amiga? Zinha? — Ravena gritou, atravessando a porta de entrada sem sequer esperar pelo convite. Sua respiração estava curta, os olhos arregalados e o caderno de contabilidade que ela sempre carregava tremia em suas mãos. Zafira levantou-se de um salto, o coração disparando instantaneamente. Poucas eram as vezes em que viu a amiga naquele estado de desespero absoluto. Ravena era a lógica, a frieza dos números; se ela estava em colapso, o mundo estava desabando. — O que aconte

