A luz que vêm das velas consegue mudar os instantes tornando-os ainda mais belos. Quase tudo se deslumbra em meio à luz que uma vela proporciona ao queimar-se.
O abajur em meu quarto iluminava o cômodo com afinco e, a música que tocava não permitia que eu me sentisse sozinha. Meu gatinho também cooperava, vindo em minha direção sempre para brincar. De repente, a luz se apaga e todos os meus afazeres somem. Até meu gato corre e vai até a janela, para observar a escuridão que se instalou na redondeza.
Ótimo, eu já estava com tédio em meio a jogos, televisão, música e celular, no atual momento, então... Quero me afogar na pia.
E infelizmente, por puro infortúnio do universo, me recordo de uma frase que em alguns anos atrás já fora ouvida por mim própria com bastante clareza: cuidado com seus desejos, garota!
[...]
Meses depois.
Já anoitecia quando Tom me envia uma mensagem. Ele me conta que havia acabado de sair da delegacia, pois o caso que investigava se tornava cada vez mais amplo em questão de pistas. Resolvo ir até lá, pois estava louca de saudades.
Assim que Tom nota minha presença, vem até mim:
— Eu senti tanta falta de você. - Sinto seu rosto se afagar junto ao meu. — Só preciso pegar alguns arquivos na delegacia que Cortland achou necessário, e logo serei seu.
— Hummm, acho deveras interessante essa sua proposta. - Sorrio levemente, antes de sentir seus lábios.
Ficar parada numa rua escura não era pra ser uma preocupação tão agonizante. Porém, eu estava desesperada, rezando para que ele não demorasse lá dentro.
E até que, subitamente, meu medo ganha forma. Sinto um aperto no meu antebraço e rogo a Deus que não me deixe morrer agora. Não agora que Tom me deixou ainda mais caidinha por ele... Respiro fundo, encarando o tal elemento parado em minha frente:
— Oi, Lúcifer.
— Não está com medo de que ele me pegue aqui?! Porque woah! Que lindo relacionamento vocês têm!
— Eu teria medo por você.
— Own. Que meigo. - Ele insinua uma feição apavorada. — Só vim proteger você... Existem muitos garotinhos maus por aí.
— Some Lúcifer.
— Por que não conta a ele?
— Porque ele já tem problemas demais. - Falava baixo, temendo que Tom chegasse de repente e se deparasse com Lúcifer me segurando. — Eu quero ser o lado bom da vida dele.
— Você está tão preocupada com ele que nem se importou com o presente que é me ter te perseguindo há meses. Isso é hilário...
— E isso está te corroendo, não é? O fato de eu ignorar por completo sua existência.
— Faz com que eu não largue esse meu novo passatempo de jeito nenhum.
— Some daqui, Lúcifer. - Peço, sentindo-me cada vez mais tensa.
— Claro. - Sorri ele. — Pelo visto você já está segura... Por enquanto.
— Outra ameaça?
— Da minha parte? Não! Minha instrução é para que tome cuidado com Tom.
— Com Tom? - Solto uma sarcástica risada. — Pirou, é?
— Ele não gosta de você. Gosta do que você proporciona a ele.
— Calado, Lúcifer. Você não vai me manipular.
— Claro, claro! - Ele move suas mãos de modo absurdamente irônico. — Longe de mim mexer com essa linda cabecinha... - Vejo seus passos se aproximando lentamente em minha direção.
— Vamos? – Escuto a voz de Tom por detrás de mim. Tomo um baita susto, mas disfarço.
Procuro Lúcifer por todas as direções e ele havia desaparecido, feito fumaça. Tento voltar minha respiração ao ritmo normal, fitando Tom:
— Certo, vamos... Vamos logo.
— O que foi? Aconteceu algo? – Noto o semblante aflito de Tom. Lógico, ele lida com isso todos os dias. Disfarçar minha palidez e meus ânimos aflorados era tarefa árdua diante dele. Dou alguns passos para que possamos sair dali, mas Tom permanece intacto, no mesmo lugar.
— Não... Só quero ir. Vamos. - Retorno alguns passos para pegar a mão de Tom. Céus, eu estava quase me debulhando em lágrimas como uma criança que não entende suas emoções e faz birra pra ser compreendida.
— Tudo bem, linda. Já estamos indo. - Ele concorda por fim e, vejo que ele não acreditou em mim, mas respeitou minha v*****e.
Virava minha cabeça para confirmar que estávamos mesmo sozinhos a cada instante. Lúcifer ainda me deixaria totalmente paranóica e morando num porão.
Tom destrava o carro e abre a porta pra mim. Eu entro, esperando com o coração na mão que Tom desse a volta no carro e entrasse logo nele também. Era de outro mundo como nós demoramos tanto pra chegarmos até o fim daquele quarteirão, e como Tom demorava tanto pra entrar dentro daquele carro. Começo a crer que o universo parou pra descansar e se esqueceu de nós.
— Ei, amor, acabei esquecendo meu celular na delegacia. Espere-me aqui por uns cinco minutinhos, tudo bem?
Não. Não. Não. Não. Não.
— Ok. - Sorrio forçadamente.
[...]
Quando Tom finalmente entra no carro, põe a chave na ignição e acelera, recordar-me-ei sempre do suspiro de alívio que soltei.
— Você está bem? Quer me contar algo? - Ele me indaga.
— Não. Estou ótima. - Acaricio seu braço, deixando um beijo em sua bochecha.
Vejo uma expressão distinta se formar em sua face:
— Por que está mentindo pra mim?
— O quê? - Pergunto, sentindo minha garganta secar.
— Eu voltei na delegacia pra checar as câmeras de segurança.
— Por que fez isso?! Eu disse que estava bem!
— Você está brava? Comigo? - Tom solta uma risada nasal, demonstrando seu estado de choque.
— Você não acredita em mim?! - Indago.
— E pelo visto nem devo né. Porque era só Lúcifer ali, sim? Não era nada demais. - Diz Tom, mantendo certa calma que começa a me incomodar. Tento abrir a porta do carro, mas Tom toca minha coxa, suspirando fundo. — Entende que posso pensar mil coisas? Entende que tenho direito de achar isso estranho? Você manter contato com Lúcifer e não me falar nada?
— Exatamente por isso que eu não queria que você soubesse. - Olho em seus olhos, ciente de que era o momento de contar tudo a ele. — Isso tudo é muito confuso pra mim. Nenhum outro ser humano jamais me transmitiu algo nem parecido com o que você transmite. Mas, já Lúcifer, bom... Ele parece não querer me deixar ficar perto de você.
— Ele está t********o você? Por que não quis me contar isso antes? - Tom posiciona seu polegar em meu rosto, acariciando-me com delicadeza. — Sabe que estou com você, não sabe? Sou doido por você... Parte-me o coração saber que você andou tão angustiada e se manteve em silêncio, só pra me poupar.
— Eu não queria ter deixado chegar a esse ponto... Dar esse controle todo a ele. Entende?
— Entendo. E posso dizer com absoluta certeza que você aguentou mais do que eu aguentaria.
— Bobagem... Você é forte que só. - Sorrio junto dele, e vejo seus lábios se aproximarem dos meus.
— Pode me contar detalhe por detalhe? - Ele me encoraja com seu olhar. Aceno com a cabeça, pensando de onde começar.
[...]
Meses antes.
O abajur em meu quarto iluminava o cômodo com afinco e, a música que tocava não permitia que eu me sentisse sozinha. Meu gatinho também cooperava, vindo em minha direção sempre para brincar. De repente, a luz se apaga e todos os meus afazeres somem. Até meu gato corre e vai até a janela, para observar a escuridão que se instalou na redondeza.
Andava pelo corredor, na procura das velas que eu havia comprado pensamento justamente numa falta de energia elétrica repentina como essa. Enquanto andava, uma sensação se instala em meu corpo. Era como se algo me alertasse e tentasse me proteger de um perigo eminente. Escuto passos e, instantaneamente, não consigo me mover. Estava petrificada de pavor.
— Linda noite, não? - Um homem pergunta, posicionando-se em minha frente. — Não quer saber quem é?
— Acho que não seria a pergunta que eu faria.
— Perguntaria o que diabos faço dentro de sua casa, correto? - Sorri zombeteiro, andando em minha direção. A cada passo seu, um passo meu era dado para trás. — Mas, mesmo que não deseje saber quem sou, irei me apresentar. Educação em primeiro lugar, sim? - Seus olhos me mostram um vermelho vibrante e sinto minhas pernas congelarem de vez.
— O que vai fazer comigo?! Estou morta? Veio me levar até o inferno? - Pergunto com a voz trêmula, mas me surpreendo por eu ter conseguido falar algo. Era surreal o estado cardíaco que meus batimentos se encontravam.
— Por que? Acha que merece? - Escuto-o rir novamente.
— Mereceria se você fosse um homem, porque juro que mataria você agora mesmo. - Continuo dando pequenos passos para trás.
— "Quando um homem brinca de ser Deus, só consegue desvendar o Diabo."
— O que quer de mim?
Ele se locomove rapidamente, segurando a faca que eu havia acabado de pegar no balcão que tanto tentava alcançar ao fim do corredor:
— Sou Lúcifer, a propósito. - Ele lança a faca para longe de nós. — Não precisa saber de nada agora, querida. O destino te levará aonde eu preciso. Só queria ter certeza...
— Certeza? De quê?
— De que você seria mesmo a certa.
[...]
— E ele sumiu. - Finalizo, esperando alguma reação de Tom.
— E depois? O que houve depois?
— Eu temia que ele me levasse pro inferno. Só depois fui entender que inferno é subjetivo e eu já estava vivendo um sempre que ele aparecia... Ele acabou interferindo em tudo nas nossas vidas, e nem nos damos conta. Ele quem me levou até você.
— Se for assim, pela primeira vez, estou realmente grato com Lúcifer.
Sorrio minimamente, acariciando os fios soltos de Tom pelo seu rosto:
— Pare com isso... Está apenas me fazendo sentir melhor. Ficaríamos juntos dependendo ou não dele, sabe disso.
— Exato. Por isso não vejo motivos pra se torturar assim. Estamos aqui, não estamos? E isso já é maravilhoso. - Concordo. — Fez tudo valer um pouco à pena, não? - Um simples sorriso nasce em sua expressão empática.
— Tinha medo de que pensasse que sei lá... Estávamos amaldiçoados.
— O que? Não! - Ele solta uma doce risada. — Jamais pensaria isso. Você é a parte mais linda da minha vida... Se Lúcifer concordar, até o chamo para ser padrinho do nosso casamento.
— Wow... Agora você me pegou.
— Com a ideia do padrinho ou do casamento? - Rimos, e navego na mais incrível sensação que era a de senti-lo tão próximo a mim. Próximo não só em carne, mas também em espírito.
— E se Lúcifer continuar a nos abordar? - Pergunto, navegando na imensidão de seus olhos fitando os meus.
— Então nós lutaremos com ele.
Euforia
Um ano e meio depois.
O céu cor-de-rosa junto de seu entardecer me proporciona a melhor visão do dia. Deitada em minha cama frente à janela, escuto a música que vem do rádio ligado na cozinha, enquanto aprecio os feixes de luz alaranjados que adentram pela minha janela do quarto.
Escorrego minhas mãos pela cocha de tricô branca, sincronizando meus melhores pensamentos. Minha vida era por si só conturbada demais pra sonhar em cores.
Uma longa noite vem aí e, entre acender velas e tentar meditar, não encontrei nada que me acalentasse. Tentei fugir desse momento por meses, mas ele sempre cruzava a linha de chegada e seguia me perseguindo.
Tom estava preso. Consegui uma visita com um amigo que por lá trabalha, por baixo dos panos, é claro. Tive a informação de que ele ainda não pôde receber visitas e mesmo se pudesse, preferiria as grades de sua cela a me ver estampada em sua frente. Mas eu precisava resolver isso.
E precisava dele.
Precisava dele para não ser presa também.
[...]
— Tom Turner?
Escorado na parede cinza escura, Tom segurava sua testa dentre as mãos, tentando entender o peso que o mundo vinha jogando em seus braços. Ele encara o carcereiro segurando a chave de sua cela:
— Sim...? O que houve? Eu fui solto?
— Sua namorada veio te ver. - "Namorada"? É o que ecoa em sua mente. Tom não entende, mas concorda, deduzindo ser algum plano de Louis para tirá-lo dali. — Vocês têm uma hora, ok? - O carcereiro avisa, antes de guiá-lo até a cela de visita.
Se cadeias são sombrias até pela manhã, iluminadas e lotadas de policiais, durante a noite, numa eterna escuridão e nenhuma viva alma à vista, descreveria como uma experiência não muito agradável. Assustadora, diga-se de passagem. Mas ok, estou bem. Estou tentando não ter um colapso nervoso, já segurando minhas lágrimas e sentindo minhas pernas tremerem. Mas estou bem. Estou bem. Estou...
Vejo Tom entrar na cela. Por um breve momento, ele não me vê. Ainda não enxergo seu rosto, mas consigo ver parte de sua fisionomia. Tanto tempo se passou, mas seu cheiro é o mesmo. E o que sinto idem.
— Você? - Pergunta ele, assim que se vira para mim.
Seguro minhas lágrimas desobedientes, sentindo-as já caírem dentre minha camisa. Tom parecia cansado, exausto. Seus olhos semicerrados, acompanhados de olheiras evidentes. O "você?" dirigido a mim veio sem força, porém sinto o desprezo que ele desejava entoar.
— Tom, me ajude. Não vai me deixar mofar na cadeia, vai? - Digo sem muito raciocinar, na necessidade de partir para algum assunto.
— O que faz aqui? - Indaga. Era claro que ele ainda sentia-se quase - ou totalmente - perdido com minha presença. — Como veio parar aqui? Como entrou aqui?
Escuto suas perguntas, mas me mantenho em silêncio, tentando fazer com que os membros do meu corpo parassem de tremer. Ademais, evidenciar que eu corria o risco de ser presa apenas por estar ali, não era estratégico o suficiente quando eu estava ali para não ser presa.
— Tom, me responda, por favor. Não vai estragar minha vida, vai? - Já não me importava se meu rosto respingava as lágrimas que caíam, pois meu corpo transpirava adrenalina.
— Eu deveria? Você já estragou a minha afinal. - Ele afirma ainda parado no mesmo lugar de quando me viu.
— Tom... A gente se gosta desde criança. - Limpo meu rosto, puxando o máximo de ar que eu possa.
— Eu gostei de você! Eu gostei! - Ele grita repetidas vezes e, por mais que isso me deixe ainda mais tensa, sinto-me aliviada por vê-lo desabafar de alguma forma.
— E você acha que não gosto de você? Eu gosto!
— Gosta? - Ele me olha, aproximando-se de mim. Seu olhar não me transmitia as melhores sensações, mas eu esperava por isso. Não imaginava nada diferente. — Então por que precisei ver você fugindo com Lúcifer? Pode me ajudar nisso?
— Porque você surtou! Eu não ia fugir nada! Esperava o que? Que eu ficasse esperando uma bala sua?!
— Eu não cheguei atirando! Cheguei chamando por você! - Nesse momento, nós dois já gritávamos. Nem me preocupo com os guardas, policiais, outros presos. Só sentia uma energia gritante queimar dentro de mim, junto da energia que recebia de Tom.
— Você entendeu tudo errado, Tom. Deixou Lúcifer perturbar sua mente.
— Eu atirei em um homem inocente.
— Tentou atirar em mim.
— Em você não. Em Lúcifer. Eu amava o Tom que eu era naquela época... Amava mais que tudo, depois de você.
— Tom... - Tentava controlar minha respiração, meu coração mais acelerado do que podemos considerar normal, minhas mãos formigando.
— ...E perdi os dois.
— Tom, eu nunca quis fazer m*l a você.
— Já vi a verdadeira face de Lúcifer, mas ver você fugindo com ele... Foi ainda pior.
— Eu não estou mentindo pra você, Tom. - Sempre amei suas sobrancelhas arqueadas, suas expressões sempre tão abertas e sinceras... E agora, não via nada.
— ...Isso ainda me assombra.
— O que você quer que eu diga? Não tenho mais o que falar! Sou eu, Tom! Não está me reconhecendo mais? Sou eu!
— Não quero ouvir você. - Tom se vira de costas, apoiando-se contra a parede. Suas lágrimas escorrem até a ponta de seu nariz. Com as mãos na parede de concreto da prisão, vejo que suas unhas a seguravam com força, arranhando-as, tentando por pra fora algo tão avassalador.
— Sou eu, Tom. - Seguro em seus ombros, abaixando meu tom de voz. — Sou eu. A mesma que te esperava no rio, nadando feito um peixe. Esperava-te chegar com seu pai, se lembra? Lembra-se de correr até a beira do rio pra me buscar? Sou eu. Sou eu, Tom. A mesma que dançava pra você nas poucas noites que tínhamos juntos, antes de você partir pra algum trabalho. Sou eu. Ficávamos juntos até tarde, púnhamos minha mãe louca atrás de nós. Lembra-se? - Me agacho, passando por baixo de seus braços, ficando de frente para ele. Nossos rostos estavam tão próximos que sentíamos as lágrimas um do outro. — Sou eu. Sou a mesma de antes. Continuo sendo sua.
Sem pensar duas vezes, estando ciente de que já havia pensado demais, Tom me segura em seus braços, prensando-me contra a parede e seu peito. Sinto seus lábios aos meus. Meus fios de cabelo estavam úmidos pelas lágrimas que encharcaram meu rosto e, alguns fios teimosos caíam sobre nosso beijo. Tom os puxa para trás, havia carinho em suas mãos, mas a necessidade que estávamos sentindo sobressai, fazendo-o manter meus fios presos enquanto me beijava com volúpia. A força que ele depositava em seu corpo me mantinha em seu colo sem que ele precisasse me carregar e, a forma que eu o segurava como se não pudesse soltar nunca mais, também colaborava.
— Consegue enxergar que Lúcifer armou tudo? Consegue me enxergar, Tom? - Fito seus olhos mais uma vez, sentindo-o mais próximo a mim. E não me refiro a nada físico; eu sentia Tom Turner novamente.
— Eu amo você. - Seus dedos escorregam pela minha testa e bochecha. — E não se preocupe, sei que mentiu no dia caótico pra me salvar. Não vou te entregar. Todavia, não estou aqui por isso.
— Por que está aqui?
— Ossos do ofício.
— Veio parar preso na cidade que moro?
— Veja só. Acho que mais alguém além de mim queria você de volta. - Solta um suspiro junto de um meio sorriso.
— Eu senti saudade, Tom. Você é a causa da minha euforia...
— ...E sem ela eu não vivo.
— Ainda se lembra?
— Me lembro de tudo.
— Ei... - Acaricio seu braço, segurando-o em seguida. — Você está bem? Sei que não é a melhor das situações, você está preso, mas... Sinto você distante.
— Não, não. - Sutilmente, Tom me leva até a mesa que havia na cela. Ele se senta na cadeira logo à frente. — De você, nunca. Só preciso sair daqui.
— Não está tentando esconder outro fim do mundo, está?
— Sempre tem um fim do mundo ou outro pra enfrentarmos. - Ele solta uma risada nasal. — Mas, agora minha luz renasceu, portanto, sei que posso lidar com qualquer coisa.