Capítulo 14

1124 Palavras
— Maldita Maria, malditos capangas. – Levo minha mão a testa a massageando. – Agora vou ficar com essa dor infernal. Bernardo ajusta sua postura na poltrona, inclinado seu corpo para frente. — Soube que a Maria estava lá com vários homens, o Hector me contou as coisas... Ela está ficando pior a cada dia! – Sua voz agora é séria, mais baixa. – Conversei com o Hector e ele me contou que toda essa loucura começou quando ele descobriu mais um dos planos sujos da Maria. Meu coração acelera e um frio percorre pela minha coluna. — O Hector está bem? Que planos são esses? – Minhas palavras saem apressadas, ansiosas. — Sim... Ele está bem, tirando os hematomas e uma costela quebrada. Ele e seus homens estão se recuperando dos efeitos do sonífero. As enfermeiras não me deixaram falar muito com ele. – Bernardo suspira passando a mão no cabelo. – Pensei que você já soubesse dessa descoberta do Hector. Bernardo fica em silêncio durante alguns segundos, seu rosto transparecia sua preocupação. — Hector descobriu que Maria estava na verdade na Itália, seus homens que estavam ameaçando a Ellen. Mas com a falta de resposta da sua detetive, Hector desconfiou e mandou seus homens investigarem a situação. – Bernardo se levanta, começando a andar devido ao nervosismo. – Acontece que eles descobriram que as informações sobre a localização de Giulia era um blefe, uma forma de te atrair até uma armadilha. A detetive Lins e seus investigadores foram mortos. Hector encontrou seus corpos carbonizados em um tonel na localização onde Giulia deveria estar. Meu coração parece errar uma batida. Era como se uma bomba atômica tivesse sido jogada em minha vida. Maria era uma desgraçada, ela nunca me deixariam em paz! A detetive Lins estava morta, mais uma vítima da loucura de Maria. Não poderia deixar essa mulher por as mãos em Ellen e na minha filha. — Hector contou que ele descobriu mais algumas informações que revelavam que Giulia esteve em uma igreja católica, mas a mesma foi incendiada não deixando sobreviventes. – Seus olhos me analisam brevemente, nervosos. – Maria enlouqueceu quando soube e veio a cidade tentar localizar Hector buscando pela sua localizaçao , sua obsessão era tão doentia que ela queria matar Ellen enquanto você assistisse. Hector se negou a entregar você e ele matou Takashi após espanca-lo e arrancar seu punho. O quarto fica em silêncio. Eram muitas coisas que aconteceram ao mesmo tempo. Não sabia como reagir a suas revelações. Giulia poderia estar morta? Maria que havia incendiado a igreja? Não conseguia saber ao certo. — A Giulia... Ela... – Meu sussurro fraco é inaudível, Bernardo parece não nota-lo. O enjôo toma conta do meu corpo, mas logo é substituído pelo desejo de vingança. — Alguém precisa parar Maria antes que ela mate mais alguém. – Bernardo sussurrou triste. – Hiroshi não merecia perder o pai, ele é um bom menino. Takashi era a única família que ele tinha e agora ele será obrigado a viver em orfanatos, isso não é justo. Bernardo e Takashi eram amigos devido as inúmeras vezes em que ele e Hiroshi foram ao seu restaurante. A convivência entre eles era até mesmo maior que a minha, sabia como isso estava o afetando. — Hector não pode adotá-lo? – Bernado perguntou quebrando o silêncio mórbido. — Não sei se a justiça japonesa o permitirá. Legalmente, Hiroshi é um cidadão japonês e a ligação da família de Hector com a Yakuza não permitiria ele adotar uma criança. – Meu tom é cauteloso, o olho com receio. – É provável que ele fique em um abrigo devido a idade. Bernardo suspira, sentando na beira do meu leito. — Eu não posso deixar isso acontecer. – Seus olhos ficam marejados. – Donatello e se eu adotasse o Hiroshi? Sua pergunta me pega desprevenido, abro os lábios tentando buscar a resposta certa. — Eu sou um cidadão americano, tenho casa e uma boa situação financeira. Seus advogados podem me ajudar, você sempre tem os melhores do mundo pra te representar! – Ele segura minhas mãos, seus olhos são esperançosos. – Por favor, me ajude com isso. Suspiro, sentindo meus ombros pensarem. Sabia que nossas chances eram mínimas, quase inexistentes. Mas quem seria eu pra destruir sua esperança? Então, com um sorriso fraco, balanço a cabeça concordando com seu pedido. Bernardo me abraça em agradecimento. Esperava que ele conseguisse, sabia que ele seria um ótimo pai. — Você... Você disse que Hector escondeu Giulia. – Minha voz é nervosa, nossos olhares de encontram. – Ele te contou onde ela estava? Bernardo se afasta, um sorriso surge em seus lábios. O chef pega seu celular o desbloqueando, ele me entrega o aparelho. Meu coração acelera ao ver um vídeo de Giulia brincando no gramado. Ela era tão parecida comigo, como uma cópia feminina. — Giulia está na casa da minha família. Minha mãe tem cuidado dela.– O olho incrédulo. – Desculpe-me por não ter te contado antes, mas precisávamos que Maria pensasse que ela estava na Europa ainda. Quando a caixa chegou no escritório da detetive Lins, sabia que era mentira, uma armadilha. Por isso não pude deixar você sair. — Como .. quando? – Minha voz é fraca, um nó de forma na minha garganta e luto para as lágrimas não descerem. — Quando fui pra Itália depois que você e a Ellen haviam se separado, eu consegui descobrir onde Giulia estava. Eu pedi ajuda a um amigo de infância e levamos ela pra uma igreja católica na Itália, apenas pra Maria pensar essa era sua nova localização. Quando Enzo passou pala cirurgia, Giulia já havia chegado a casa da minha mãe, aqui na cidade. – Ele sorri envergonhado. – Esses últimos meses tenho escondido sua localização pois Hector me contou dos planos da Maria e caso você soubesse, sabia que nós correriamos perigo. Maria nunca ia desconfiar de mim, sou apenas um chef de cozinha. Estava em choque, não sabia como reagir. Bernardo sorri impaciente, seu rosto estava receoso quanto da minha reação. — Simulamos uma morte para Giulia atingindo a igreja com fogo. Hector acha que a Giulia está morta, o pobrezinho quase morreu do coração quando viu a igreja em chamas. – Bernardo faz uma careta. – Confesso que tenho medo de ir pro inferno, incendiar uma igreja mesmo com a permissão das freiras, ainda é um pecado gravíssimo. Lágrimas descem pelo meu rosto, minha única reação é abraçar seu corpo o fazendo cair em cima de mim. — Seu i****a cabeçudo, você vai fazer nós dois cairmos da cama! – Ele fala entre risadas nervosas. Bernardo era ótimo em guardar segurados, até mesmo de mafiosos e psicopatas. Ele era um bom amigo.
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