Capítulo 13

1412 Palavras
Abro os olhos lentamente, sentindo a luminosidade do ambiente doer em meus olhos. Pisco várias vezes para me acostumar, até que percebo que estou em um hospital. Meu coração acelera enquanto tento me lembrar do que aconteceu. Olho ao redor e encontro Ellen ao lado da minha cama. Seu rosto exala alívio ao me ver bem. Ela me abraça soluçando. — Donatello, você quase me matou de susto! – Sua voz é embargada. – Eu estava muito preocupada com você! Sinto um misto de confusão e alívio, mas minhas memórias voltam rapidamente e me sento na cama em um sobressalto. — Hiroshi, onde está Hiroshi? — Minha voz sai em um tom urgente, minha mente se enchendo de preocupação. Ellen passa a mão em meu rosto, tentando me acalmar, e nossos olhares se encontram cheios de ansiedade. — Hiroshi está sendo tratado pelos médicos, ele vai ficar bem. — A voz de Ellen é suave, tentando me tranquilizar. Um suspiro de alívio escapa de mim e abraço Ellen, sentindo meu coração se acalmar um pouco. Lembro-me então do momento em que a polícia chegou à boate, e só então percebo que, se não fosse por isso, eu não estaria vivo agora. Desfaço o abraço e olho para Ellen, acaricio seu rosto com carinho me distanciando. — Seu rosto parece confuso, aconteceu alguma coisa? – Sua voz doce era preocupada. — Não entendo, eu não chamei a polícia. Um dos homens que me atacou disse que viaturas se aproximavam do prédio. – Meu tom é confuso, meus olhos se movem inquietos. – Tudo foi tão rápido, eu não sei quem pode ter feito isso. Ellen suspira, seus olhos expressando um misto de emoções. A advogada senta na poltrona ao lado da minha cama, seus olhos me analisavam atentamente buscando mudanças em minha feição. — Você atendeu o celular, e eu ouvi toda a conversa com um homem que ameaçava te matar. — Sua voz é calma, mas carrega o peso da preocupação. — Então, mostrei a Bernardo e ele disse que iria até a boate te ajudar, não achei que daria tempo, então chamei a polícia assim que ele saiu da cobertura. Fico chocado com a revelação, pensando em como o telefonema de Ellen quase me matou, mas ao mesmo tempo me salvou. Agradeço silenciosamente por tê-la ao meu lado, como um anjo da guarda que apareceu no momento certo. — Obrigado, Ellen. — Minha voz sai rouca, carregada de gratidão. — Você salvou minha vida. Ellen sorri, segurando minha mão. Ela beija carinhosamente meus dedos, um gesto meigo que acelera meu coração. — Não poderia deixar o pai dos meus filhos morrer. Você pode ser um i****a e um mafioso, mas ainda é o homem que me deu meu bem mais precioso. – Ela acaricia a barriga e sorri. – Eles sempre chutam quando escutam sua voz. Vê-la acariciar sua barriga e agir tão serena comigo, faz a esperança arder em meu coração. Nós ainda teríamos chances? Depois de tudo que aconteceu, de todas as descobertas dolorosas e desavenças, ainda existia una remota possibilidade de algo entre nós ainda acontecer? — As vezes eu esqueço como somos de verdade. – Digo desviando o olhar para as minhas mãos. — Como somos? – Sua voz é confusa. – Somos uma família, querendo ou não. Minha risada amarga ecoa o quarto, sinto as lágrimas se formarem em meus olhos mas não as libero. — Família... – Minha voz soa vaga. Sua pequena mão segura a minha, o calor de sua pele arrepia meu braço. — Bernardo e eu conversamos bastante... Não só hoje mas durante o tempo em que estive internada. – Seu tom é doce, apesar de receoso. – Ele me fez conhecer o Donatello verdadeiro, o Donatello real e não o homem poderoso, o CEO e mafioso. Bernardo estava falando bem de mim mesmo depois de nossa discussão? A culpa se instala em mim, me sinto um péssimo amigo. Mesmo depois de acessá-lo de dar em cima da Ellen, ele ficou cuidando dela e ainda tentou nos aproximar mais. — Sei que você agora apenas me vê como a filha do homem que acabou com sua vida... Eu... Eu não sabia que meu pai havia matado o seu. Bernardo me contou toda a história e como isso o afetou, fez você assumir essa responsabilidade de liderar a máfia e as empresas... Eu não fazia ideia de como as coisas haviam sido. – Ellen suspira, nervosa. Estava em silêncio, ainda observando nossas mãos. Não sabia como respondê-la a altura. Parte de mim estava se sentindo enganada, dilacerada, mas outra parte a queria por perto. — Eu cresci sendo criada mais pelas minhas tias... Meus pais eram muito ativos no combate ao crime, não tinham muito tempo para serem pais e muito menos podiam ficar por perto, era muito inseguro para uma criança. – Ellen confessa em um tom triste. – Apesar de amá-los com todo meu coração, sei como é ser uma criança solitária com medo e desejando que seus pais participassem de sua vida. Eles raramente estavam por lá, mas não os culpo. Ellen segura minha mão com firmeza, tentando transmitir a seriedade de seu recado. — Não quero que nossos filhos passem por isso. Independentemente da sua vida como um mafioso, você já mostrou muitas vezes que estou mais segura do seu lado do que em qualquer outro lugar do mundo.... – Sua voz é calma, meiga. – Donatello, eu quero que você faça parte de nossas vidas, que sejamos uma família.... Bem, se você ainda conseguir ficar perto de mim. Estava em choque. Ellen realmente me queria por perto? A encaro em silêncio, meu coração batia tão rápido que parecia que iria explodir. — Você sabe que não posso simplesmente deixar a máfia, não é mesmo? Eu já fiquei muito tempo longe, não posso mais deixar as coisas serem influenciadas pelos planos loucos da minha mãe. – Minha voz falha devido ao nervosismo. – Ellen, sempre estou sendo perseguido por rivais ou até mesmo por conhecidos. Sabe que agora estou tentando capturar a Maria e.... Ellen me interrompe com um beijo. Seus lábios tocam os meus de forma repentina. Demoro alguns segundos até retribuir seu beijo intenso, suas mãos tocam meu rosto o segurando, a puxo pela cintura a fazendo sentar na cama. Sentia o calor percorrer meu corpo, enquanto suas mãos agora tocam meu pescoço arranhado minha nuca. Nossas testas de tocam, Ellen estava ofegante, seus olhos me observavam astutos, com seu brilho desafiador. — Você fala muito pra alguém que sofreu uma concussão. – Ellen diz ofegante. — Você provoca demais pra alguém que saiu mancando após nossa última transa. – Repondo apertando suas nádegas. Escuto um grunhido ecoar pelo quarto, seguido de uma crise de tosse. — Que nojo! Meu Deus do céu, que novo! – Bernardo fala com uma expressão de desgosto. – Nunca mais vou tirar a imagem da minha cabeça. "Saiu mancando" Donatello, você é nojento! Ellen arregala seus olhos, ficando vermelha como um tomate. Ela esconde seu rosto no meu peito abafando seu resmungo constrangido. — Ninguém manda entrar sem bater. – Respondi, envolvendo Ellen com meus braços. – Que merda você veio fazer aqui? Bernardo me olha incrédulo, ele realmente estava abalado, isso era cômico. — Eu vim ver se você estava vivo ou se finalmente eu herdaria sua coberta e poderia transformar no meu harém particular! – Ele se senta na poltrona ao lado da cama e cruza as pernas. — Em primeiro lugar, que merda você anda tomando pra achar que herdaria alguma coisa? E segundo: se eu morresse, não acha que meus filhos ficariam com meus bens? – Meu tom é brincalhão, mas recebo um soco de Ellen. – Ei, Isso doeu! — Vocês dois. – Ellen alterna seu olhar entre nós dois. – Parem de falar sobre morte, eu não quero saber disso nem de brincadeira ou irei arrancar os dentes de vocês com um murro! Bernardo levanta seus braços em rendição, a advogada se levanta indo em direção a porta do quarto. — Preciso de um chocolate quente, essa confusão toda me deixou faminta! – Ellen diz pegando seu casaco. – Vocês dois, se comportem! Ellen lança um olhar ameaçador, saindo do quarto em seguida. — Parece que arrumei uma mãe. – Bernardo fala humorado. – Com um espírito de general. Minha risada ecoa pelo quarto, minha cabeça começa a latejar, faço uma careta devido a dor.
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