Diogo (Digão) . . .
Estava me irritando logo cedo com aqueles filhos da p**a. Uns moleques da quebrada foram assaltar e trouxeram os ratos pra favela, o que me fez ter dor de cabeça com os canas logo de manhã. Não me preocupo se eles roubam, contanto que não façam isso aqui dentro e não tragam a polícia pra cá!
Dei um jeito naquela merda toda e depois fui almoçar, tava na larica do c*****o. Já eram duas da tarde e eu estava resolvendo B.O. de filho da p**a que não sabe fazer nada direito. Tá pensando que ser tráfica é fácil, mané? Só estresse. Eu precisava comer alguém ou ia enlouquecer. Já fazia uma semana sem t*****r com ninguém, só resolvendo b.o do morro.
Minha transa com a patricinha foi sensacional. Não consigo tirar aquele corpo da minha mente. Faria de tudo pra sentir aquela sentada de novo.
Falando nela... desde aquele dia, há uma semana, eu não a vejo. Amandinha passa direto aqui em cima no morro com o 7L, eles tão se envolvendo sério.
DG (no rádio): — Chefe, temos problema!
Escutei a voz do DG no rádio. Respirei fundo e dei o último gole na minha cerveja.
Diogo (no rádio): — Fala, DG.
DG: — Vem cá na biqueira 6.
Bufei, me levantando pra resolver os problemas da favela.
Melissa . . .
Tirei meu jaleco e peguei o celular pra ver as horas. Passava das quatro da tarde e eu ainda estava na faculdade resolvendo umas questões de trabalhos que tenho que entregar semana que vem. Abri a porta do carro e fui direto pra casa.
Ao chegar no Alphaville Mansões, reduzi a velocidade para o porteiro liberar minha entrada. Estacionei na linda e enorme casa em que moro. Entrei e vi que só estavam os empregados — como sempre. Mamãe e papai nunca estão. Sempre viajando ou na empresa.
Troquei de roupa e vesti meu look de academia. Malhar era meu hobby preferido. Era onde eu descarregava todo o estresse e crises de ansiedade.
Fiquei mais de duas horas malhando pesado. Olhei minha barriga chapada com orgulho. Minha meta era deixar ela ainda mais trincada. Tirei uma foto e postei no status. Os playboys, como sempre, ficaram loucos. Ri, fogosa.
Pai: — Oi, filha!
Melissa: — Oi, papai!
Pai: — Como está a faculdade?
Meus pais nunca estão em casa, vivem viajando ou atolados no trabalho. Às vezes isso me deixava com muita crise de ansiedade.
Melissa: — Tá tudo maravilhoso, papi.
Sorri feliz e ele retribuiu. Conversamos um pouco sobre alguns assuntos, e depois subi pra tomar banho e estudar.
1 mês depois...
Me encontrava na cama da Amanda passando muito m*l. Só faltava jogar as tripas fora, de tão r**m que eu estava. Já fazia uma semana que era assim: fraqueza, enjoo, vômitos, cólica. Só podia ser alguma infecção intestinal.
Hoje era aniversário do Lucas, e Amanda me forçou a vir mesmo eu me sentindo m*l, com a desculpa de que não queria ir sozinha por causa das mocreias que iam estar lá e blá blá blá.
Amanda: — Amiga, levanta essa b***a daí e vai se vestir!
Ela falou me vendo deitada na cama só de calcinha e sutiã.
Melissa: — Já falei o quanto você é chata?
Ela assentiu.
Amanda: — Pô, cara, eu reforço.
Ela mandou um beijo no ar debochada. Peguei meu shortinho e um body preto lindo de manga longa e decote V. Nos pés, calcei um saltinho maravilhoso. No final, tava linda e gostosa como sempre... só faltava a saúde.
Entrei no carro e fui dirigindo até o topo do morro. Se meus pais me vissem ali, eu estaria ferrada.
Meu carro chamava atenção. E quando viam que era uma mulher dirigindo, ficavam ainda mais curiosos. Estacionei na vaga que Amanda indicou. Fiquei insegura de deixar o carro ali, mas estava sem forças pra discutir.
De longe já dava pra ouvir o som de samba. Chegando mais perto, o barulho era ensurdecedor.
Amanda: — Olha aqui, se tu não parar com esse mau humor, vou te meter a porrada!
Ela falou depois que eu reclamei pela milésima vez. Revirei os olhos.
Melissa: — Porque não é tu que tá doente, praga.
Ela ia rebater, mas Lucas chegou abraçando e beijando ela.
Lucas: — Koé, madame.
Revirei os olhos. Ele sempre me chamava assim.
Melissa: — Feliz aniversário, Lucas.
O abracei e ele retribuiu.
Lucas: — Valeu, gatinha.
Ele voltou a falar com Amanda. Olhei ao redor. Muitos traficantes, muita mulher, algumas bem vulgares.
Meus olhos varriam o lugar até que, por um momento, vi a entrada. Digão estava chegando com um cara mais velho cheio de correntes. Os dois se pareciam muito. As pessoas falavam com os dois. Deduzi que fosse o pai dele. Ele me olhou e eu desviei o olhar na hora.
Amanda: — Olha teu macho...
Ela voltou com uma bebida na mão.
Melissa: — Eu não vou nem te responder.
Ignorei, indo buscar uma água. Era a única coisa que meu estômago ainda aceitava.
Olhei o ambiente de novo. Todo mundo parecia se divertir no aniversário. Lucas cumprimentava pessoas com um copão de uísque. Digão e o pai não estavam diferentes.
O som alto já estava me dando dor de cabeça. Amanda já tinha tomado dois copões de uísque e estava doida, falando merda.
Amanda: — Não acredito que você só vai ficar na água! Hoje é sábado, v***a!
Melissa: — Amiga, sério, não tô bem. Vou ao banheiro.
Saí daquele tumulto indo por um corredor na casa imensa. Encontrei o banheiro e entrei vomitando tudo que tinha no estômago. Vomitei tanto que fiquei sem forças.
Melissa: — Que droga!
Passei a mão no rosto, que estava suando frio. Saí do banheiro cambaleando um pouco. Foi quando vi um homem estranho vindo na minha direção.
Desconhecido: — Aê, gatinha... tu veio de onde?
Ele me segurou, me assediando.
Melissa: — Me solta!
Falei fraca, tentando empurrar ele enquanto ele dizia umas baixarias.
Desconhecido: — Eu sei que tu quer, cadela...
Ele se inclinou tentando me beijar. Dei um tapa nele. Ele ficou puto e ia me revidar, quando escutamos uma voz.
Diogo (Digão): — Larga a garota, DG.
Aquela voz... Digão estava parado nos olhando com um copo na mão.
DG: — Koé, chefinho... tava só me divertindo com a mina.
Ele se aproximou mais.
Digão: — Eu mandei tu largar, seu cuzão!
Ele empurrou o cara, que saiu com o r**o entre as pernas.
Digão: — Toma cuidado, p***a! Isso aqui não é tua festa de playboy.
Melissa: — Eu não pedi sua ajuda!
Falei irritada. Quem esse o****o pensa que é?
Melissa: — Você que se intrometeu!
Ele tinha me salvado daquele filho da p**a, mas a forma como falava comigo me irritava.
Digão: — Então da próxima tu se vira, patricinha de merda.
Ele se aproximou, ficando bem perto da minha boca. Perdi os sentidos por um momento com ele tão próximo.
Melissa: — Te manca.
Tentei empurrar ele pra sair, mas senti uma tontura forte e me desequilibrei, me apoiando na parede.
Melissa: — Ai, porra...
Senti que ia desmaiar e tudo ficou escuro. Antes de cair no chão, senti a mão de Diogo me segurando.