Capitulo 11 Sara

2587 Palavras

O dia amanheceu com uma luz pálida, aquela claridade doentia que eu odiava porque trazia consigo a obrigação de continuar existindo, mesmo quando cada fibra do meu ser implorava pelo fim. A sala da nossa casa, que sempre foi meu porto seguro, meu refúgio contra a crueza do mundo, tinha se transformado em um cenário de pesadelo, uma paródia grotesca da vida que levávamos. O cheiro de café forte, aquele aroma que antes me confortava e prometia novos começos, agora se misturava de forma nauseante ao odor insuportável de lírios mortos e velas derretidas, criando uma atmosfera pesada, irrespirável. O caixão estava ali, plantado no centro de tudo, cercado pela coroa de flores enviada pelo Golias. Aquelas flores pareciam rir da minha miséria, um lembrete constante de que, mesmo na morte, meu pai

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