O Tribunal do Morro: A Agonia de uma "Elite" NARRAÇÃO: ZULEIDE O silêncio da madrugada no morro nunca é total, nunca é aquele silêncio de paz que a gente vê em filme. Sempre tem um radinho chiando no fundo, um vira-lata latindo pro nada ou o som de uma moto subindo a ladeira na atividade. Mas dentro de casa, o vazio que a morte do Antônio deixou pesava como uma tonelada de chumbo sobre o meu peito. Eu perdi o sono. O rosto do meu irmão no caixão, aquela rigidez fria de quem não tem mais vida, não saía da minha mente por nada. E o tapa... meu Deus, o tapa que eu dei na Sara ainda ardia na palma da minha mão como se fosse um pecado mortal que eu nunca ia conseguir confessar. Levantei da cama com o corpo doendo, sentindo cada osso reclamar do peso da idade e do sofrimento. Minha garganta e

