O impacto foi imediato e brutal. Senti uma queimação violenta, como se tivesse aspirado vidro moído banhado em álcool e fogo. Minha garganta travou instantaneamente, o gosto amargo e anestésico desceu rasgando, fazendo minha úvula adormecer e meu palato ficar dormente. Meu coração, que já estava acelerado pelo pânico e pelo luto, deu um solavanco violento no peito e começou a martelar contra as costelas num ritmo frenético, descompassado, como um animal enjaulado tentando escapar. — Sara... você tá bem? Tua pupila tá gigante, tá cobrindo a cor do olho — Júlia sussurrou, se aproximando com cautela, como se eu fosse um bicho selvagem. Eu não respondi. Eu não conseguia processar palavras. Meus sentidos explodiram em uma sinfonia de cores distorcidas. O quarto, que antes era escuro, úmido e

