capitulo 16 Sara

935 Palavras

O Crepúsculo da Doutorinha: O Voo Cego no Abismo O tempo passou arrastado, cada minuto parecendo uma hora de tortura medieval naquele quarto sufocante que cheirava a mofo e arrependimento. Eu não tomei banho, não tirei o vestido sujo que agora era uma segunda pele de luto e lama; fiquei apenas ali, estirada na cama, encarando o teto descascado e sentindo o latejar da bochecha o presente da Tia Zuleide diminuiu para dar lugar a um vazio frio, uma apatia que me consumia as entranhas. O som do morro lá fora entrava pelas frestas da janela como um invasor: o chiado constante dos rádios sintonizados na frequência do crime, o ronco gutural das motos cortando giro nas ruelas, o riso alto e despreocupado de quem não tinha perdido o mundo naquela tarde. Tudo aquilo me lembrava, a cada batida, que

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