Ela gritou, a voz rouca, tremendo de uma fúria que ela segurou por vinte anos de engolir sapos e ouvir as suas humilhações veladas. — Cala essa boca imunda antes que eu te dê outro pra você aprender a respeitar quem te deu o prato de comida e o teto enquanto você dava show de arrogância por aí, se achando melhor que o mundo! — Você... você me bateu... — balbuciei, o gosto de ferro do sangue subindo para a minha boca através de um corte interno no lábio. A dor do tapa não era nada comparada à dor do meu ego sendo estraçalhado diante de uma cozinha de subúrbio. — Bati e bato de novo se você continuar com essa soberba nojenta! — Ela avançou, o dedo apontado na minha cara, invadindo o pouco que sobrava do meu espaço vital. — Eu só não te deixo aqui agora, apodrecendo sozinha nessa lama que v

