Acordei sentindo que alguém me balançava levemente, virei para o canto e resmunguei de forma quase que inaudível
Alicia — me deixa dormir mãe, só mais um pouquinho
— Acorda marrentinha, temos um longo caminho pela frente – disse a voz da pessoa
Acendendo um sinal de alerta dentro de mim, abri os olhos, logo os fechando por causa da claridade que havia dentro do cômodo que nos encontrávamos
Alicia — ta legal, nossa, já acordei, que saco – reclamei enquanto revirava os olhos – não se pode mais dormir nem no fim do mundo?
Carl — olha, eu poderia listar várias situações em que seria uma péssima ideia dormir, enquanto rola o fim do mundo, mas respondendo a sua pergunta, não, se quisermos chegar ainda hoje na prisão, não você n******e dormir mais, temos que sair tipo agora, em quanto as ruas estão limpas
Alicia — espera, calma lá meu rapaz, prisão? por que não me disse antes?
Carl — você não teria aceitado se eu tivesse falado antes? meu g***o esta “hospedado” em uma prisão, é meio longe, mas é seguro, até então pelo menos
Alicia — não, minha resposta não teria mudado, mas seria bom ser informada, já que eu literalmente posso estar me metendo em uma roubada, indo sobreviver com completos estranhos – olhei para ele enquanto arrumava minhas coisas em minha bolsa, fazendo uma careta como se tudo aquilo fosse muito obvio – vamos, temos um alonga caminhada até lá – terminei de guardar as coisas e coloquei a mochila em minhas costas – não quero me atrasar
Já fazia três horas que estávamos caminhando, ou melhor, corrigindo, o Carl estava andando, eu quase podia ser comparada a um dos zumbis soltos pelo mundo, praticamente me arrastava, o cansaço já se fazia mais do que presente aquela altura do campeonato, tivemos que desviar o caminho original três vezes por causa da tal horda que Carl havia mencionado quando nos conhecemos, aparentemente ela havia se subdivido em outras pequenas hordas
Submersa em pensamentos escutei quando Carl me chamou, diga-se de passagem, por um apelido que ninguém nunca havia me chamado antes
Carl — olha áli, uma casa, digo, um monte de casas
Tendo a atenção chamada para o que ele falava, olhei para onde ele apontava, reconhecendo de imediato o lugar, um turbilhão de sentimentos e memorias voltando a minha mente, estava de volta a minha antiga casa, onde toda essa jornada começou, e onde a vida das pessoas que mais me importavam foi encerrada
Carl — você esta bem? – disse ele em quanto se aproximava de mim – está meio pálida
Alicia — eu .... estou – sai andando na frente para que ele não visse as lagrimas silenciosas que escorriam no canto dos meus olhos
Ao entrarmos em minha antiga casa tudo permanecia do mesmo jeito em que eu me lembrava, só existiam quatro errantes lá dentro, errantes esses que eu e Carl logo demos um jeito de m***r, sem atrair outros da espécie
Alicia — xerife, sobe as escadas e vê se você acha alguma coisa que podemos usar, eu vou ver se tem algum alimento que não esteja estragado
Dito isso segui para a cozinha e vi as chaves do meu pai, que trabalhava na delegacia da cidade, peguei ela nas mãos e logo tive uma brilhante ideia, esbanjando um sorriso em meu rosto
Alicia — CARL, DESCE AQUI
Carl logo apareceu, correndo escada abaixo, ofegante perguntou
— o que, áli?
Alicia — temos um lugar para visitar antes de seguirmos até a prisão – falei animada enquanto ele me olhava sem entender nada