capitulo 8

1159 Palavras
Na manhã seguinte, Suzi acordou antes de todas. O quarto ainda estava em silêncio, apenas o som leve da respiração das outras meninas preenchia o espaço abafado. Ela ficou deitada por alguns minutos. Olhando para o teto. Sem expressão. Sem pressa. Sem pressa… pela primeira vez. Algo tinha mudado. Não era visível de fora. Mas dentro… tudo estava diferente aquilo que ela mais temia aconteceu, e dali em diante ela entendeu que precisava mudar ou aquele mundo iria acabar com ela. O medo ainda existia. A dor também. Mas agora havia outra coisa. Controle. Certeza e vontade de vingança. Suzi se levantou devagar o corpo estava dolorido da noite de ontem mediante a tudo que o Eduardo vez com ela, caminhou até o pequeno espelho quebrado na parede. Observou o próprio reflexo. O rosto ainda bonito. Os olhos mais duros. Ela passou a mão pelo cabelo, ajeitando com calma. Como se estivesse se preparando. Não para agradar. Mas para jogar. Para mostrar que anoite que ela passou, serviu para ensinar uma coisa que se ela não fosse o leão ela seria a presa e isso ela não iria suportar. Durante o café, ninguém falou muito. Uma das meninas — a mesma que havia conversado com ela na noite anterior — sentou ao seu lado. — Sobreviveu — disse, em tom neutro. Suzi pegou o copo. — Ainda tô aqui. A garota assentiu. — Isso já é alguma coisa. Silêncio. — Qual seu nome? — Suzi perguntou. — Lari. Suzi olhou ao redor. — E você? Já tentou sair? Lari soltou um riso baixo. — Todo mundo tenta. Algumas só aprendem que tentar do jeito errado piora tudo. Suzi absorveu aquilo. Guardou. Sabia que tinha que ser esperta se quisesse sair daquele lugar Mais tarde, um dos homens apareceu na porta. — Você — apontou para Suzi. — Vem. Ela se levantou. Sem questionar. Mas também… sem submissão visível. O salão da boate parecia diferente à luz do dia. Menos glamour. Mais real. Eduardo estava lá. Sentado. Observando. Esperando. — Dormiu bem? — perguntou, com um leve sarcasmo. Suzi parou à frente dele. — Sim obrigada A resposta fez ele erguer levemente a sobrancelha. — Melhorando. Ela não respondeu. Apenas sustentou o olhar. — Hoje você sobe de novo — disse ele. Direto. Sem rodeios. Um segundo de silêncio. — Certo — respondeu ela. Simples assim. Eduardo percebeu na hora. Algo tinha mudado. — Sem travar dessa vez? Suzi inclinou levemente a cabeça. — ta bom. Sem travar. A confiança não era exagerada. Era controlada. Calculada. Ele se levantou. Se aproximou. — O que aconteceu você esta diferente? Ela demorou um segundo. — Eu entendi como funciona. Percebi que não adianta lutar contra o inevitável, ou eu só vou sofre. Sei que aqui ninguém me vê como uma jovem de 16 anos e sim como uma mulher pronta a ser usada. Por isso decidir a aceitar minha condição para não sofrer consequência. Eduardo observou mais de perto. Tentando encontrar a rachadura. Mas o que viu… foi diferente. Não era mais desespero. Era… estratégia. Naquela noite, quando a música começou… Suzi entrou no palco. As luzes vieram. Os olhares também. Mas dessa vez… Ela não ficou parada. Cada movimento era pensado. Medido. Não havia entrega. Havia atuação. Certeza que ela iria fazer das sua desgraça a escada para seu sucesso Os homens reagiram. Interesse. Aprovação. Dinheiro. Do outro lado, Eduardo observava. Sem expressão. Mas atento. Muito atento. Marcelo, ao lado, parecia aliviado. — Eu disse que ela aprendia — murmurou. Eduardo não respondeu. Porque aquilo não parecia apenas aprendizado. No palco, Suzi girou lentamente, mantendo o olhar firme em um dos clientes. Sorriso leve. Controlado. Distante. Como se estivesse presente… mas não estivesse ali de verdade. E, naquele momento… ela entendeu algo importante: Eles podiam controlar o corpo dela. Mas não a mente. E era ali que o jogo começava a virar. Jogo de Olhares A música começou mais suave naquela noite. Diferente. Mais lenta. Mais perigosa. Suzi entrou no palco como se já conhecesse cada passo… e cada olhar que a esperava. Mas não era mais sobre obedecer. Era sobre conduzir. Ela não se apressou. Deixou o silêncio entre um movimento e outro crescer. Criar expectativa. Controlar o ritmo. Os homens observavam. Mas, aos poucos… deixavam de apenas olhar. Passavam a reagir. Suzi escolheu o primeiro alvo. Um homem de terno escuro, sentado mais à frente. Postura confiante, mas olhar fácil de ler. Ela se aproximou devagar. Sem tocar. Apenas presença. Um giro lento. Um olhar direto. E um sorriso quase inexistente. O suficiente. Ele se inclinou para frente. Preso. Do outro lado do salão, Eduardo percebeu. Na hora. — Ela mudou — murmurou Marcelo. Eduardo não respondeu. Os olhos fixos nela. Analisando. Calculando. Algo ali incomodava. No palco, Suzi continuava. Não entregava tudo. Sempre deixava faltar algo. Era isso que puxava mais atenção. Mais desejo. Mais dinheiro. Ela passava por um… parava em outro. O jogo era simples. Dar a sensação de escolha. Mas nunca se dar por completo. As notas começaram a surgir. Primeiro discretas. Depois mais frequentes. Um dos clientes levantou, tentando se aproximar mais. Suzi recuou no momento exato. Sorriso leve. Negação suave. Controle total. Eduardo apertou o copo na mão. — Ela tá passando do ponto — disse, baixo. Marcelo olhou de lado. — Ou tá fazendo exatamente o que você queria. Silêncio. Suzi desceu do palco por um momento. Aproximou-se das mesas. Agora mais próxima. Mais perigosa. Ela parou ao lado de outro homem — mais velho, expressão séria. Diferente dos outros. Ela não sorriu. Apenas olhou. Sustentou o silêncio. Ele foi o primeiro a quebrar. — Quanto? Suzi inclinou levemente a cabeça. — Depende. A resposta foi baixa. Mas firme. Eduardo levantou. Aquilo não estava mais confortável. Não era só dinheiro. Era outra coisa. Algo que ele não controlava. Pensou em ir busca-la porem Marcelo segurou seu braço. Num sinal de o que acha que esta fazendo? Suzi voltou ao palco. Como se nada tivesse acontecido. Mas agora… todos estavam mais atentos. Mais envolvidos. Mais presos. — Ela tá escolhendo — disse Eduardo, irritado. Marcelo cruzou os braços. — Sempre foi assim. Você só não tinha percebido. Eduardo ignorou. Mas o olhar escureceu. A última música começou. Suzi se moveu mais uma vez. Segura. Precisa. Intocável. E foi isso que mais chamou atenção. Não era o que ela mostrava. Era o que ela negava. Quando terminou, o salão estava diferente. Mais cheio de murmúrios. Mais dinheiro. Mais interesse. Suzi saiu do palco sem olhar para trás. Mas sentindo. Sabendo. Ela tinha virado o jogo. Um pouco. Do outro lado, Eduardo observava. Imóvel. Mandíbula tensa. Olhos fixos nela. Algo queimava ali. Não era só irritação. Era posse. Misturada com algo novo. Desconfortável. Perigoso. — Cuidado — disse Marcelo, baixo. Eduardo não respondeu. Mas continuou olhando. Porque, pela primeira vez… não era ele quem estava no controle da situação. E isso… ele não sabia aceitar.
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