A orientação ∆

3449 Palavras
Ravena despencou de barriga em uma fria superfície de pedra. Com o rosto colado no chão, ela ergueu uma sobrancelha. O chão vibrava contra sua bochecha. Ela se encolheu quando ruídos caóticos chegaram aos seus ouvidos, como se milhares de vozes estivessem falando ao mesmo tempo. Cuidadosamente, ela ergueu a cabeça do chão e olhou ao redor e seu queixo caiu. Ela estava cercada por pessoas e quando se colocou de pé, viu que elas estavam reunidas dentro de um salão de reuniões do tamanho de dez campos de futebol. Filas de pessoas de todas as formas, tamanhos e etnias serpenteavam por um labirinto de escritórios e corredores. O ar estava úmido e tinha um perceptível odor do oceano. Ravena se virou bem a tempo de ver o elevador com o chimpanzé desaparecer e voltar para a terra. "Bem, aí se vai um macaco de quem não vou sentir falta", ela resmungou para si mesma. A comoção era mais alta do que em qualquer show de rock. Ravena apertou suas mãos sobre os ouvidos. Havia milhares de pessoas e todas estavam mortas... como ela. Elas empurravam e se acotovelavam umas às outras, ansiosas para chegarem ao começo da fila. Não era exatamente assim que ela imaginava a vida após a morte, ou sequer a morte. Ela tinha apenas dezesseis anos e se sentia invencível. Ravena estava sozinha, perdida e morta e ela sabia que devia estar sentindo algo como felicidade. Afinal de contas, havia acabado de descobrir que havia vida após a morte, mas ela não conseguia. Ao seu lado, um homem de meia idade grandalhão conversava alegremente com um careca. Eles pareciam empolgados a maioria dos mortos ambulantes ao redor dela pareciam felicíssimos, exceto por algumas pessoas que pareciam se sentir como ela: nauseadas e horrorizadas. Sem saber o que fazer, Ravena entrou na fila mais próxima. Ela observava seus pés não estava muito a fim de conversar, especialmente com algum velho gorducho empertigado que parecia ter ganho na loteria. Mas ela ainda não estava pronta para morrer... Não parecia certo. Todas as suas expectativas e sonhos haviam evaporado e havia um buraco frio e silencioso em seu coração. Ela sabia que sua vida havia acabado. —Ahã — Alguém pigarreou. Ravena continuou fitando seus pés. — Com licença, senhorita, você está se sentindo bem? o homem insistiu. Será que seria possível para ela não socializar? Não dava para pular essa parte e simplesmente desaparecer? Infelizmente, para Ravena, isso não parecia uma possibilidade. — Olha, no fim das contas, não é tão r**m assim prosseguiu a voz. Ravena deu uma espiada e viu que a voz pertencia ao velho homem gordo. Ele tinha um sorriso torto estampado no rosto e lambia os lábios com antecipação. — Nós estamos no horizonte! Vivos! Dá para acreditar? Bem, mais ou menos vivos. Nós estamos mortos, mas vivos! Isto não é maravilhoso? Ela levantou a cabeça e tentou forçar um sorriso, mas os cantos da sua boca pareciam estar costurados. — Sim e realmente maravilhoso o homem jogava os braços para o ar enquanto falava. — Isto é tão empolgante! Com um grande esforço, ele saltou no ar e deu um giro. Suas minúsculas pernas chutavam sob sua gigantesca barriga ondulante. Ele planou por meio segundo e pousou com um ecoante bum. — Quem imaginaria que o horizonte realmente existe? A vida após a morte... é real! Se ele já não estivesse morto, Ravena tinha certeza que seu coração explodiria no peito e uma gosma vermelha a acertaria bem nos olhos. Ela estudou o homem por um instante. O que é Horizonte? Ele parou de girar para responder a pergunta. — Utopia, Xangri-lá, Sião. Elísio, Horizonte é a vida após a morte. É real, e nós estamos aqui! Isto não é maravilhoso? Ravena franziu as sobrancelhas enquanto o homem espalhava seu entusiasmo para sua próxima vítima que estava na fila ao lado. Ela sentiu uma presença atrás de si e se virou para ver que pelo menos uma centena de pessoas haviam chegado depois dela. O nível de ruído aumentou, se é que aquilo era possível. Ravena abaixou a cabeça e tentou chorar, mas não saiu lágrima alguma. Ela cruzou os braços sobre o peito e fitou o vazio. O tempo parecia não ter efeito algum na Orientação e antes que ela se desse conta, Ravena era a próxima da fila para entrar em um dos vários escritórios que cercavam as filas quilométricas de mortos felizes. Ela franziu a testa e fitou o prédio em sua frente. Por fora, ele parecia um escritório normal: paredes pintadas de bege, carpete industrial bege e janelas de vidro com persianas horizontais beges, criativo. A porta era a única coisa que parecia diferente, era antiga, com um batente de madeira do tamanho de um mamute, e estava decorada com um letreiro néon iluminado onde se lia: Divisão Oráculo # 998-4321, Orientação. Ravena franziu o cenho, ela não tinha certeza se deveria bater ou não. Cedo ou tarde, ela sabia que teria de decidir, pois milhares de mortos impacientes a empurravam ansiosamente para a porta. Ela suspirou. "Tudo bem, vamos ver no que dá." Fechando o punho com a mão direita, Ravena o ergueu em direção à porta, e enquanto sua mão ainda estava no ar, a porta se abriu com um rangido. O escritório estava lotadérrimo, ela se esgueirou para dentro e observou. Uma brisa salgada com fragrância do oceano a envolveu. Centenas de papéis espalhados cobriam o chão e entulhavam as escrivaninhas. Pastas preenchiam o escritório, empilhadas umas sobre as outras, serpenteando até chegar ao teto havia bolas de cristal gigantes por toda parte. Era como uma pista de boliche muito doida. Enormes bolas de vidro rolavam pelo escritório achatando tudo em seu caminho. Velhinhos se equilibravam no topo delas como acrobatas de circo, usando mantos prateados que flutuavam atrás deles. Com os pés descalços, eles manobravam as bolas sem esforço para todas as direções. Como entidades únicas, homem e bola se moviam como um só. As bolas de cristal batiam nas pastas e os homens reviravam seus conteúdos. Eles lançavam suas longas barbas brancas sobre os ombros, folheavam os papéis e causavam uma avalanche de pergaminho branco. Os olhos de Ravena se fixaram em uma folha de papel flutuante que estava vindo na direção dela. Ela deu um pulo, apanhou e leu: Anjo da Guarda: Peterson Jones Ordem de classe nº 4321 Classe: Novato 2º ano, Esquadrão da Guarda W-1, (classe mais baixa) Atribuição: Elizabeth Grand. 5585 Sherbrooke Street, entrada da frente. 11:42 da manhã. Crânio quebrado ao escorregar por 2 lances de escada. Estado: Aprovado, salvou Carga a alma intocada. Ravena balançou a cabeça, ela se inclinou para baixo e pegou outro papel do chão e o leu. Era semelhante, exceto que, desta vez, era Tina Henderson quem havia salvado Affonso Spinelli de engasgar até a morte com uma almôndega no restaurante Lucian's Porte Vino. Todos aqueles papéis eram sobre tarefas de anjos da guarda? Ela deixou o papel escorregar de sua mão e deu uma bisbilhotada nas pastas. Os papéis faziam barulho sob seus pés enquanto ela se movia pelo escritório. No caminho, descobriu várias salas menores das quais mais homens vinham montando suas esferas de vidro como monociclos enormes. Todos eles pareciam muito ocupados no momento... “RAVENA VALENOR!” Ravena quase pulou para fora de sua própria pele. Suas pernas tremiam enquanto ela atravessava as torres de pastas e seguia a voz. Virando a esquina para sua esquerda, ela avistou outro escritório. A porta estava entreaberta. Ali, sobre uma grande bola de cristal, estava outro destes homens, cercado por pilhas de papel. Ele pulou para baixo para uma grande mesa semicircular de madeira. O homem estava com o cenho franzido e gesticulava impacientemente. — Entre, entre! Não há tempo para perder vidas, precisam ser salvas! — ele disse com uma voz estranha e aguda. Ravena se arrastou para dentro do escritório entulhado. Mais pastas estavam empilhadas umas sobre os outras e se espalhavam pelas paredes. Uma piscina redonda de um metro e meio havia sido instalada no canto do fundo. O aroma da água salgada era forte no pequeno escritório. Um tique-taque baixo a distraía, seguindo o som, Ravena avistou um enorme relógio de corda pendurado na parede à sua esquerda, com seu longo pêndulo balançando da esquerda para a direita. Ela caminhou até a escrivaninha e ficou com as mãos para baixo, ao lado do corpo, enquanto mordia os lábios. Ela abriu a boca para falar... mas fechou novamente. Enquanto estava viva, quando passava por momentos de nervosismo, seu coração batia tão forte no peito que às vezes doía. Mas desta vez sem marteladas ou batidas, apenas nervosismo com um âmago silencioso, isto não era normal. Ela forçou as palavras a saírem de sua boca. — Como... como você sabe o meu nome? O velho finalmente parou de revirar sua escrivaninha e pegou uma pasta. Suas sobrancelhas se ergueram em sua fronte. — Ah, sim, sim, aqui está! Ravena Valenor... dezesseis anos... atingida por um ônibus... uma forma muito h******l de se morrer... sinto muito por isto... a alma já havia sido escolhida para ser guardiã... Ele acariciou sua barba e ficou em silêncio por um instante...Ravena pigarreou. — Hum...com licença, senhor? Hum...o que estou fazendo aqui? A cabeça do homem se ergueu abruptamente. — Fazendo aqui? Bem... você foi escolhida, por isto! E agora nós precisamos apresenta-la ao seu novo trabalho. Tudo bem, vejamos aqui... Qual é a atribuição mesmo...? Puxa. Acho que me esqueci. — um sorriso se abriu no rosto dele — Não é tão fácil quanto parece... ver o futuro. É muito fácil misturar o futuro e o presente! Agora, onde está aquela folha de papel? de Clara para David. — Ela será a sua nova novata.— Hã... É Ravena, não Clara. O oráculo a encarou como se ela tivesse dito a mais estranha das coisas. — Ó, certo! Perdoe-me, Ravena....David riu. — Eles geralmente acertam depois de algumas centenas de vezes. Ravena estudou o rosto de David, seus lábios se abriram e formaram um sorriso maroto. Ele tocou sua mão e a apertou, ela sentiu uma corrente elétrica percorrendo seu corpo até chegar nos dedos dos pés. Seu toque não tinha calor algum e a sensação era bem diferente de quando ela cumprimentava um mortal, mas ele também não era frio. Era perfeitamente cálido. —E aí, garota? — ele disse, enquanto exibia uma fileira de dentes impressionantemente brancos. — Prazer em conhecê-la. E é McGowan não McDonald. — Ele soltou a mão dela e levantou o colarinho de sua jaqueta de couro. —Hum, bem... é que... deixe-me esclarecer as coisas — Ravena gaguejou. — Estou conseguindo um novo emprego como anjo da guarda e você vai ser o meu patrão? É isto que está acontecendo aqui? — Pode ter certeza, gata. — David foi até o oráculo e pegou o documento da mão dela.— Acho que estou ficando louca. — Não... você só está morta....morta, Ravena pensou. Sua vontade era de desaparecer quando ouvia aquela palavra. Ela podia estar morta, mas conseguia sentir uma dor em seu âmago. Ravena não queria estar morta... — Aproxime-se, Clara disse o oráculo. Ele manobrou a bola de cristal para longe da escrivaninha e foi em direção a ela. — É hora de você fazer o juramento! Ou você já fez? Puxa. Lá vamos nós outra vez, misturando tudo! Já nos vimos aqui antes? Ravena balançou a cabeça. — Hã... não! Qual juramento? Eu nunca fiz um juramento. — Ó, bom suspirou o Oráculo. — É o juramento que todos os anjos da guarda devem fazer. Um juramento que só pode ser quebrado quando a alma morre. — Um brilho repentino emanou da bola de cristal, banhando os pés do oráculo com uma suave luz branca. O brilho diminuiu e uma névoa em forma de nuvem se formou dentro do globo. Era como um redemoinho, que mudava de forma a cada giro. O oráculo juntou as mãos enrugadas diante do peito com olhos ainda fixos nos de Ravena. Para a surpresa da garota, os olhos do velho começaram a mudar de cor, perdendo o tom de azul e ficando dourados e brilhantes. Os olhos de Ravena se arregalaram, enquanto ela recuava. — Espere! E se eu não quiser me tornar um anjo da guarda? Não posso simplesmente voltar para casa? — Tudo aquilo estava acontecendo tão rápido que ela não tinha certeza se queria estar ali. O oráculo balançou a cabeça. — Temo que não. É assim que deve ser... não há outro modo a sua vida como você a conhecia acabou. Hoje, você está começando uma nova vida e um novo trabalho. Ravena piscou enquanto sua mente trabalhava em um ritmo estonteante. Aquilo tinha que ser melhor do que estar realmente morta. Os ombros largos do oficial David eram um claro sinal disso... — Aproxime-se! disse o oráculo com seriedade. Lutando contra a vontade de fugir de David e do oráculo, Ravena caminhou adiante. — Espere um minuto... Acho que você está cometendo um erro. Não acho que eu seja a pessoa certa para este trabalho... O oráculo pôs um dedo em seus lábios e aquiesceu imperiosamente. — O Chefe escolheu você, Clara, para integrar o exército Dele, para se tornar um de seus anjos da guarda, uma verdadeira e sagrada honra. — O olhar dourado dele hipnotizava Ravena. — Agora, repita comigo. Ravena concordou e o oráculo continuou: — Eu, Clara Valenor…— É Ravena. — Ó, não! Errei de novo? A minha memória não é o que costumava ser. — O oráculo sorriu e limpou o suor das sobrancelhas. — Vamos começar de novo. — Ele pigarreou. — Eu, Ravena Valenor, me declaro serva da Legião dos Anjos. Eu realizarei de todo o coração os meus deveres como anjo da guarda. Que as testemunhas do meu juramento me obriguem a cumpri-lo. Ravena se sentiu meio boba, mas repetiu tudo, palavra por palavra. — Nós a obrigaremos a cumpri-lo! — juntos declararam o oráculo e David. Então algo estranho aconteceu primeiro, a pele do oráculo começou a reluzir com uma suave cor dourada, então ele se inclinou para frente e pressionou seu polegar sobre a testa de Ravena. Seu toque queimou uma área entre as sobrancelhas dela e enviou uma onda de eletricidade que percorreu todo o seu corpo. De algum modo, ela se sentiu mais pesada, como se o simples toque a houvesse sobrecarregado. Após um momento, o oráculo se inclinou de volta para trás e Ravena observou os olhos dele voltando lentamente à cor azul. A bola de cristal cintilou e depois perdeu subitamente seu brilho. Ela ergueu a mão e tocou a sua testa, passando os dedos sobre o local onde sentiu queimar. Ela franziu as sobrancelhas e dava para sentir o contorno de uma estrela... como a de David o oráculo havia marcado uma nela também. — Eu tenho uma estrela na minha testa? — disse Ravena, o que pareceu mais uma afirmação do que uma pergunta, enquanto ela esfregava o local. Um sorrisinho surgiu em seus lábios. — Este é o símbolo da Legião dos Anjos você é um anjo da guarda agora... você fez o juramento. — O oráculo manobrou sua bola de cristal de volta para o outro lado de sua escrivaninha e se sentou de novo. Ele deu uma olhada no relógio. — E agora você tem um trabalho a fazer. O tempo é precioso! Daniel! David jogou uma mochila preta no ombro e caminhou para a piscina. — Ok! Vamos, garota, temos apenas meia hora para chegar até a Sra. Wil antes que ela morra em um acidente maluco envolvendo uma máquina de lavar louças. Ele subiu em uma escada que havia na beira da piscina e foi até a borda. Ravena franziu o cenho. — Espera! Quer dizer que vamos chegar até a Sra. sabe-se-lá-o-nome pulando nessa piscina? — Isso aí! respondeu David enquanto colocava uma pasta na mochila. Era tudo muito estranho. Mas pensando, por outro lado, ela estava morta, caminhando, conversando e com uma estrela dourada queimada em sua testa. Ravena deu alguns passos hesitantes em direção à piscina. — Mas espera um pouquinho... Por que eu não fui salva? Onde estava o meu anjo da guarda? — Imagens da vida dela cintilaram em sua cabeça... Ravena se lembrou de sua família e de seus amigos — Por que não havia ninguém para me salvar? David fechou o zíper da mochila e a jogou sobre o ombro novamente. Ele voltou os olhos para Ravena e abriu um grande sorriso. — Você foi salva! Bem, a sua alma foi salva, no caso.— Há? Pelo olhar de David, ele parecia pensativo. — A sua alma foi escolhida e você foi destinada a se tornar uma AG. Era apenas uma questão de tempo antes que você morresse e fosse enviada para o Horizonte! Estamos ficando com poucos anjos da guarda, entende? E você era a próxima da lista. — Ele deu uma piscadela. — Eu fui escolhida? — Sim. Pelo próprio Chefe ele acha que você tem o que é preciso para este trabalho. Falando no trabalho, temos que ir... — David estendeu a mão e fez um sinal para que ela o acompanhasse. — Mas como você sabe o que vai acontecer com ela, a mulher assim antes que aconteça? — Ravena segurou o corrimão frio da escadinha da piscina — Quero dizer, como isso é possível? — Você se esquece de onde está os oráculos podem ver o futuro e o dom deles. Eles sabem o que acontecerá dias antes de uma pessoa morrer. Então eles designam anjos da guarda para salvarem a alma da pessoa. É o seu trabalho salvá-las, independentemente de qualquer coisa, antes que os demônios as devorem. — Demônios? — Ravena arregalou os olhos, ela sentiu seu corpo ficar tenso e precisou de alguns segundos para se recompor. — Está de brincadeira comigo? — Uma imagem de sua mãe pipocou em sua mente. Ravena voltou sua atenção para o oráculo, que estava ignorando o diálogo completamente. Os olhos dele estavam dourados de novo, ele olhava para o vazio, imóvel como uma estátua. A garota se perguntou se aquele homem estava enxergando o futuro naquele momento. — O oráculo está ocupado agora, ele está fazendo o trabalho dele; agora é a nossa vez. — David agarrou o braço de Ravena e a puxou para cima na escadinha, a colocando ao seu lado o olhar dele se estreitou. — Agora preste atenção, está me ouvindo? — Sou toda ouvidos. — Mas Ravena não conseguia se livrar da sensação de terror. Demônios eram o tema favorito de sua mãe, uma mulher louca com inimigos imaginários... certo? Ning... ninguém disse nada sobre demônios. — Ela tentou parecer corajosa para David, mas sabia que não estava funcionando. — Não se preocupe, nada vai acontecer... Este será um serviço realmente fácil, confie em mim. Estaremos de volta antes que você perceba. Ele sorriu e estudou o rosto dela, seus olhos azuis cintilaram. — Aqui em cima, a água é importante. Lembre-se disto é através dela que passamos do horizonte para a terra — Ele lançou outro sorriso e exibiu seus dentes brilhantes. — Temos que pular dentro dela! Está pronta? — Ele agarrou Ravena pelo cotovelo, puxando-a para frente. Ravena fitou os reflexos na piscina, imaginando demônios saindo da água, demônios que estavam atrás dela. — Tudo bem, então — disse David — quando eu contar até três...—Espere? Espere! Não sei se quero fazer isto...— Um... Ravena remexeu o braço, tentando desesperadamente se livrar das mãos fortes de David. — Dois...— Espere! — gritou Ravena — Eu não sei o que fazer! — Três! — David se jogou da borda da piscina e arrastou Ravena com ele. Ela caiu na água e afundou a sensação não era realmente a de estar debaixo da água. Era mais como estar em meio a uma névoa ou um nevoeiro denso, como quando você fica muito tempo debaixo do chuveiro. De algum modo, Ravena conseguia respirar com facilidade, talvez porque não tivesse pulmões. Ela olhou em volta e tentou procurar por David, mas começou a girar com rapidez horizontalmente — dando berros de estourar o tímpano, enquanto bolhas esbranquiçadas pareciam consumi-la. Uma luz branca explodiu ao seu redor protegendo seus olhos, Ravena conseguiu olhar para baixo. A luz estava brotando dela todo seu corpo estava iluminado por uma luz branca e fluorescente. Ela sentiu um tranco repentino e observou seu corpo se desintegrar em milhões de partículas brilhantes e depois ela começou a flutuar. Com um último clarão de luz, tudo desapareceu.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR