Venera realmente teve que viajar pra Coréia do Sul pra resolver o problema que havia surgido, de acordo com a mensagem que me enviou — como ela soube meu número? Não fazia a mínima ideia — e voltaria com sorte apenas na segunda-feira.
Passei o restante do sábado e o domingo em casa, até porque não estava nada animado pra sair, ir correr ou ir para a academia. Precisava colocar a minha mente nos eixos a respeito de tudo que havia acontecido entre mim e a Venera.
Tudo tinha sido real, não tinha sido nada da minha mente poluída e eu simplesmente não conseguia acreditar e muito menos saber como agiria na presença dela quando a visse.
Foi fácil agir tranquilamente na presença dela após o beijo, mas após o sexo seria mais complicado, muito mais complicado do que minha mente conseguiria imaginar.
Além de tudo isso em minha mente, me veio o sentimento de insegurança, pois eu não sabia se ela gostou do sexo ou do oral, e essa insegurança me dizia que depois do meu fracasso na cama, nada mais iria acontecer.
Adormeci com a insegurança em minha mente domingo e quando acordei no dia seguinte com o auxílio do despertador, o maldito sentimento continuava firme e forte presente em meu peito.
Não consegui tomar café da manhã por causa da ansiedade e fui trabalhar de estômago vazio e o coração apertado, mas sempre fazendo de tudo pra mostrar que eu estava bem.
Ninguém precisava saber que eu estava pra baixo!
•••
— Car4lho! — Foi a primeira coisa que o Daren falou quando me viu na copa fazendo uma xícara de café pra mim.
— Que foi? — Me virei em sua direção um tanto assustado.
— Car4lho! — Repetiu olhando fixamente pro meu cabelo.
— F-Ficou bom? — Passei a mão em meu cabelo, tímido.
— Se ficou bom? Porr4 Ares, você está um tremendo gostos0! — Sorri enquanto o mesmo se aproximava de mim. — Parece que até ficou mais jovem que antes, combinou muito com você esse corte!
— Obrigado! — Servi o café já pronto em sua caneca.
— O que te fez cortar ele assim? — Indagou e eu maneei minha cabeça de um lado pro outro sem saber como responder.
— Meio que estava me atrapalhando... — Foi tudo o que eu disse, até por que, não tinha como contar mais que isso sem levantar suspeitas do que havia acontecido entre Venera e eu.
— Atrapalhando... — Deu um gole do seu café olhando fixamente pra mim com os olhos semicerrados. — Hm... — Concordou.
Venera, como se atraída pela a minha mente, adentrou a copa totalmente distraída em seu celular e alheia a presença que estava no cômodo.
— Bom dia! — Falou casualmente sem dar o trabalho de olhar pra cima.
— Bom dia srt. Kim! — Daren falou e saiu da copa deixando-me sozinho com ela, mas antes de sair por completo, sorriu malicioso.
Fiquei em silêncio e somente quando ela parou ao meu lado, inspirou fundo, foi que ela ergueu os olhos em minha direção.
Ela reconheceu meu perfume?
Pensei enquanto seus olhos se arregalaram para os meus cabelos.
— Ares, digo, Sr. Galanis, você... — Perdeu as palavras gesticulando para minha cabeça.
— Ficou bom? — Sua cabeça se moveu várias vezes em concordância com os olhos fixos no meu novo corte.
— Ficou... Uau, ficou perfeito! — Sorriu olhando finalmente para os meus olhos. — Só estou curiosa a respeito do motivo que o fez cortá-lo?
— Estava me atrapalhando! — Repeti a mesma coisa que falei pro Daren a ela.
— Em que exatamente? — Arqueou sua sobrancelha.
Aproximei-me dela para sussurrar em seu ouvido, pois não desejava que mais ninguém ouvisse o que eu falaria.
— Por que toda as vezes que eu fui te chup4r, eles me atrapalharam a ver suas feições de prazer. — Seu corpo todo estremeceu e eu sorri de lado, esquecendo completamente que estava inseguro desde o dia anterior.
— Você cortou seu cabelo por causa que não estava conseguindo me ver quando estava entre minhas pernas? — Sussurrou constrangida e eu concordei. — Ares, isso é muita loucura de se fazer.
— Não é não... — Afastei-me brevemente dela. — Seu nome é Venera, que significa algo digno de respeito e veneração. E todas as vezes que eu ficar entre suas pernas, chupando até a última gota que a sua boc3ta liberar, estarei fazendo isso. Te venerando. E pra venerar é necessário se ajoelhar, e eu preciso ver minuciosamente a pessoa que estarei venerando.
Quando afastei dela por completo, pude ver seu rosto extremamente corado e mão em sua boca. Seu peito subia e descia em uma respirar profunda e hesitante.
— Tenha um bom dia e um ótimo trabalho srt. Kim! — Realizei uma breve mensura e sai da copa com o copo de café em mãos e uma confiança que não possuía de sábado de tarde até o início da segunda-feira.
Quando retornei todos me olharam da mesma maneira que o Daren e a Verena, e eu apenas ignorei e me sentei na minha cadeira.
— V-Você... — Jennifer apontou pra mim e pigarreou ao ver que a sua voz tinha falhado. — Cortou e ficou muito bom. — Sorriu. — Você ficou mais lindo!
Sorri em agradecimento com o rosto aquecendo levemente.
— Eu tenho um monte de ideias relacionadas ao motivo de você ter cortado o cabelo, tendo base a sua fala... — Daren disse em um tom baixo enquanto eu esperava meu computador ligar.
— E quais são suas ideias? — Relaxei na cadeira e o olhei fixamente ao meu lado.
— Você é como um coelho no CIU, então o motivo do corte deve ter sido por motivos relacionados a s3xo. — Sorriu maliciosamente. — Quem foi a mulher que conseguiu fazer você cortar o cabelo?
— Não tem mulher... — Resmunguei um tanto surpreso por ele saber coisas tão precisas de mim.
— É homem então? — Arregalou os olhos. — Faz tempo desde que você não tr4nsa com homens.
— Vá trabalhar Daren! — Meu amigo soltou uma boa gargalhada. — Odeio quando você mostra que me conhece tão bem assim.
— Conheço você mais do que seus próprios pais. — Se gabou e eu concordei, pois era verdade e era algo digno de se gabar mesmo.
Meus lábios se abriram pra falar algo, mas no mesmo instante Daniel entrou na sala, seu olhar veio automaticamente pra mim e pro Daren.
— Finalmente cortou os cabelos hein. — Sorriu de um jeito estranho enquanto se sentava em sua mesa. — Agora os outros homens da empresa poderão ter alguma chance com as mulheres, já que você as controla com essa sua aparência.
— Aí que você se engana... — Jennifer disse olhando pra Daniel e em seguida pra mim totalmente maliciosa. — Elas vão ficar ainda mais interessadas nele.
— Não entendo vocês mulheres que escolher homens por beleza. — Resmungou Daniel fazendo com que todos ficassem em silêncio.
Mordi o interior da minha bochecha enquanto sentia a raiva tomando conta de cada parte do meu corpo. Daren segurou o meu braço rapidamente em um aviso que era pra eu me conter, afinal como eu disse antes, ele me conhece melhor que meus pais.
— Talvez seja que não vale a pena se relacionar com homens feios como você e eles a tratarem tão r**m quanto você julga que os bonitos tratem... — Exclamei mantendo a minha voz calma, mesmo que por dentro eu estivesse transbordando de raiva. — Se os feios vão a tratar r**m, então por que não ir atrás de um bonito que vai fazer a mesma m3rda. Não é você que fala que as aparências importam? Car4lho!
— Ares... — Daren me chamou e eu o encarei.
Seus olhos se fixaram nos meus olhos por longos segundos e pela a sua expressão eles estavam começando avermelhar, antes de sua cabeça se mover em direção a porta onde Verena estava com a expressão séria.
— Bom dia srt. Kim! — Daniel disse com um sorriso vitorioso nos lábios, provavelmente por Verena ter ouvido minha fala.
Relaxei na cadeira e olhei fixamente para o meu computador, porém eu pude sentir o olhar fixo dela em mim antes de seguir até a sua sala.
— Parece que se ferrou... — Daniel disse e eu me levantei de repente.
— Não de moral pra ele Ares. — Clarice disse enquanto eu olhava fixamente para o Daniel, imaginando a minha mão socando seu rosto várias e várias vezes.
— Você não é somente aparência como ele julga, e todos sabem muito bem disso. — Jennifer disse de maneira dócil. — Você é cavalheiro, educado, amigável, divertido e um monte de outras coisas.
Daren me puxou de uma vez pra baixo, fazendo com que eu me sentasse na cadeira a contra gosto.
— Não perca a cabeça, deus grego, não com pouca coisa. — Sussurrou apertando a minha nuca.
Concordei e mandei a raiva pro mais baixo que eu conseguia enviar, deixando somente a vontade de socar a cara dele até minha mão parar de funcionar por cansaço, até ver que ele não estava vivo ou se estivesse vivo, estaria sagrando e machucado horrores.
•••
Horas mais tarde, um pouco antes do almoço tive que levar o relatório que obtive das pessoas que foram no evento e que levaram a amostra do novo produto, de como era a embalagem dos produtos e como foi a apresentação da Verena com os slides organizados por mim.
Não li, mas me faltou pouco para que eu o lesse.
Bati duas vezes e entrei quando minha entrada foi permitida.
— Posso ajudar? — Seu olhar estava fixo em uma papelada na mesa, como sempre estava quando eu entrava na sala.
— Trouxe o relatório das pessoas que usaram os produtos, da embalagem e sua aparência, e da apresentação que foi realizada. — Exclamei e enfim ela ergueu a cabeça pra me olhar enquanto eu me aproximava e colocava os documentos em sua mesa.
— Você está com raiva... — Sua fala me pegou completamente de surpresa.
Ninguém conseguia saber quando eu estava com raiva, pois sempre consegui disfarçar muito bem o que estava sentindo. Até mesmo Daren, meu melhor amigo de infância, não sabia dizer as minhas emoções apenas olhando pro meu rosto. Às vezes conseguia, mas em boa parte do tempo, falhava miseravelmente.
Verena, até agora, foi a única que conseguiu!
— Daniel? — Indagou e eu não respondi, mas só de ouvir o nome dele tive que levar minhas mãos até atrás das costas e apertar umas nas outras. — Eu sinto muito por isso, se eu pudesse ou tivesse controle total...
— Não é sua culpa, Verena! — Exclamei enfim com a voz baixa mantendo o contato visual com ela. — Não precisa se desculpar por causa dele e da sua personalidade escrot4... — Sorri fraco. — Eu aguento lidar com ele e seus comentários!
— Você não é nada do que ele diz que é. — Ela se levantou e se aproximou de mim. — Você não é só aparência... — Tentou tirar minhas mãos das costas.
Hesitei e resistir, mas ela insistiu e eu obedeci.
— Você é uma boa pessoa... — Colocou minhas mãos em sua cintura e passou suas mãos em meus ombros. — Educado, amável, cavalheiro, divertido, extremamente sociável... — Abracei-a com força.
Coloquei minha cabeça em sua nuca enquanto ela me abraçava na mesma intensidade que eu.
— Quer que eu continue até te deixar com a estima elevada? — Indagou e eu neguei inspirando e respirando fundo.
— Somente o fato de você tentar me animar vale muito mais que todas as palavras. — Murmurei e ela riu contra o meu pescoço enquanto acariciava meus cabelos. — Obrigado!
— Bem, não quero que a empresa saia nos noticiários por que o deus da guerra perdeu a cabeça e matou um funcionário. — Soou totalmente divertida. — Não me importaria se isso aliviar melhor o que está sentindo!
— Pode deixar que matarei ele um dia por tudo que fez... — Aninhei em seus braços fechando meus olhos deixando com que seu perfume me acalmasse.
"Isso é bom. Porr4, como é bom!", pensei quase me derretendo com seu toque em meus cabelos.