Pedido de um irmão preocupado

1259 Palavras
[Ares Galanis] — Onde você estava? — Daren indagou assim que me viu saindo do elevador em nosso andar. — Pensei que... — Parou olhando-me atentamente, mais do que eu gostaria. — Iriamos almoçar juntos hoje... — Semicerrou os olhos me analisando de cima embaixo. — Precisava de um pouco de ar fresco. — A mentira saiu rápida e natural. Peguei meu celular percebendo que havia ligações dele. — Foi m*l, estava no silencioso! — Você está com o brilho de quem acabou de t*****r. — Murmurou e eu soltei uma gargalhada indo com ele em direção as nossas mesas. — Acertei? — Não, errou feio. — Olhei para ele e o mesmo apenas arqueou a sobrancelha com um sorriso ladino. — Como que eu vou ter tempo pra t*****r na empresa? — Hm... — Não falou mais nada, porém eu sabia que ele não tinha acreditado em nada do que eu disse, mas também não iria me forçar a falar. Queria muito falar pra ele o que estava acontecendo entre mim e a Verena, porém não cabia a mim falar ou decidir quando falar, mas sim a iniciativa tinha que vir dela, pois ela tinha mais a perder do que eu, um mero funcionário. Em minutos os demais companheiros do escritório foi chegando animados após um bom e delicioso almoço, cumprimentando a mim e ao Daren antes de nos introduzir na conversa. O correto era eu estar com fome, afinal eu tinha apenas tomado meu café da manhã, mas não sentia absolutamente nada de fome, afinal eu estava completamente alimentado e satisfeito com a refeição que tive. “Espero que a reunião ocorra bem.”, pensei. ••• O restante do dia passou mais rápido do que eu imaginava e em um piscar de olhos era a hora de ir embora. Ouvia os planos da Clarice e do Phillipe de saírem para beber ou algo similar e se fosse em outro momento estaria ouvindo e até mesmo concordando em ir, porém meu olhar estava fixo na tela do celular aguardando uma resposta. Tinha mandado uma mensagem para Verena assim que eu vi que a reunião tinha acabado, mesmo sabendo que eu não devia me preocupar, mas ela somente visualizou e não enviou uma resposta. — Deus grego? — Me chamaram. — Sim! — Olhei para a Jennifer em minha frente com um sorriso simples para os demais, porém para eu estava carregado de malicia. — Quer ir jantar comigo? — Indagou e eu a encarei sem saber o que responder, pois aquela era a primeira vez que ela era tão direta assim comigo. — Não ia com o Phillipe? — Questionei olhando em volta percebendo que estava sozinho com ela. “Maldito Daren...”, xinguei meu melhor amigo por ter ido embora sem me avisar. — Não, o que te faz pensar nisso? — Porque vocês são inseparáveis?! — Sorri de lado pegando minha mochila e me levantando da cadeira. — E eu acho que ele gosta de você! — Pode até gostar, mas eu gosto de você. — Meus olhos se arregalaram mesmo sabendo disso a um bom tempo. — Eu sei que você sabe disso também, então o que acha de sair comigo? — Uau... — Umedeci os lábios olhando em volta. — Eu sabia sim, mas... — Cocei a nuca completamente sem palavras. — Como eu posso dizer... — Não vou desistir de você. — Me interrompeu. — Eu gosto de você e farei você gostar de mim! No mesmo instante que seus lábios se fecharam o som de salto alto soou e parou subitamente. Olhamos para a porta no mesmo instante encontrando a Verena com um semblante cansado e com o corpo rígido, como se tivesse ouvido a conversa do início ao fim ou simplesmente por que a reunião não ocorreu bem. — Srt. Kim! — Falamos ao mesmo tempo. Verena sorriu fechado, sua forma de cumprimento mais comum e voltou em direção a sua sala enquanto o meu rosto se contorcia em uma careta. Porra! — Vamos indo embora? — Jennifer indagou e por mais que eu quisesse negar, ficar e depois ir atrás da Verena, sabia que a melhor opção era concordar pra não levantar suspeitas. — Vamos sim! — Sorri fraco vendo o sorriso largo que ela me deu. ••• — Eu te odeio sabia? — Exclamei assim que Daren atendeu a chamada. — Como pode ir embora sem me chamar ou avisar? Pensei que éramos amigos! — Começou a rir. — O que aconteceu? — Indagou após longos minutos rindo da minha situação. Contei tudo que tinha acontecido comigo e a Jennifer na sala. No final, um silêncio reinou na linha, cheguei até pensar que ele desligou e afastei o celular do ouvido. — Porque não dá uma chance pra ela? — Enfim falou. — Eu acho que ela é um ótimo partido pra você esquecer a Verena em vez de simplesmente tentar sair do emprego. — Daren... — Murmurei colocando o celular no modo viva voz enquanto tirava a minha camisa social. — Escuta primeiro, Ares. — Fiquei calado e ele prosseguiu. — Ela é bonita, educada, dedicada, inteligente, simpática e assim em diante. Não é a Verena, eu sei disso, mas é o suficiente pra te fazer esquecer dela. Sentei-me no sofá e suspirei olhando para o teto, pois eu tinha a plena ciência de que o meu “relacionamento” com a Verena não iria durar muito, por isso antes que acabasse — o que eu queria que não acontecesse — queria aproveitar o máximo que conseguisse. — Se continuar querendo só a Verena vai acabar solteiro e alcoólatra por beber demais pra superar ela com outro homem. — Soltei uma risada fraca. — Vai pensar com carinho por mim, seu irmão, que se preocupa com a sua saúde mental? — Pensarei com carinho. — Concordei ouvindo o suspiro de alívio que ele soltou. — Obrigado! — No fundo escutei a sua esposa gritar por ele. — A mulher está chamando, vou desligar, mas qualquer coisa me ligue. — Você também! — A chamada foi encerrada. Suspirei novamente sentindo o pesar das palavras dele em minha consciência. — Esquecer a Verena... — Murmurei pra mim olhando fixamente para o teto da minha sala de estar. — Posso sair machucado no final de todo esse esquema, mas sou adestrado pra ser fiel a quem estou me envolvendo! Batidas soaram na porta e eu estranhei, mas mesmo assim me levantei e caminhei até a porta. Parado em minha frente estava um homem de terno bastante elegante e de aparência cara. — Em que posso te ajudar, sr. Mike Oliver? — Indaguei e ele sorriu ao ver que eu o conhecia. Como que iria esquecer? Foi ele que foi e tentou resolver os problemas que foram causados por causa da má manutenção do apartamento em que vivia. — Boa tarde sr. Galanis, recebemos ontem que você entrou com um processo por causa de todo o problema causado. — Ele disse todo formal e eu mantive a expressão neutra. — Pensei que estava tudo resolvido, é por isso que vim aqui conversar com você. — Aí que você e todo o seu pessoal se engana, não foi eu que entrei com o processo, mas sim Verena Kim, a CEO da empresa Kimoy Cosméticos. — Seus olhos se arregalaram em surpresa. — Lhe desejo boa sorte a você e todo os que trabalham com você. Passar bem e uma boa tarde! — Fechei a porta.
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