Lyla A porta se fecha atrás de mim com um clique sutil, mas é o som mais alto que já ouvi hoje. Meus passos ecoam no chão de vidro polido, e por um segundo, tudo parece suspenso. O ar, o tempo, a minha própria consciência. Até o som do meu próprio coração parece se apagar por um instante. O exame. O tal exame. Tantas vezes me disseram que era apenas protocolo, apenas rotina. Uma etapa burocrática. Um passo necessário antes de qualquer decisão. Mas nunca nada foi só isso. Não mais. E eu sinto que há algo à espreita, algo esperando para sair da sombra e mudar tudo — outra vez. O centro médico é frio, impessoal. As paredes brancas, as cadeiras transparentes, os instrumentos que parecem reluzir com uma ameaça silenciosa. Tudo me faz sentir como se estivesse sendo observada, desmontada. Um

