Lucian Encostei a testa no vidro gelado da janela, tentando controlar a dor no peito. O céu lá fora parecia tão pálido quanto eu me sentia por dentro. Azul desbotado, sem força. Estávamos de volta, supostamente. Mas nada... nada parecia como antes. Não depois do que aconteceu. Atrás de mim, sentada em uma das poltronas da sala, Lyla observava o vazio. Não sei se ela enxergava alguma coisa de verdade, ou se apenas fingia. Às vezes, acho que ela está ali só por educação. Ou talvez por pena. Ela parou de me olhar do mesmo jeito. Não era só o olhar, na verdade. Era tudo. O jeito como ela respirava. Como mantinha os dedos entrelaçados, tencionados, como se estivesse prestes a desabar. Como se estivesse tentando se manter inteira só pela força da vontade. E eu ali, olhando de longe. Porque

