Senna O som da chaleira apitando na cozinha foi o que me despertou da minha pequena bolha de paz. Um daqueles momentos tão raros que a gente quase duvida que é real. Mas era. Porque quando voltei com a caneca de chá nas mãos, ele ainda estava ali — sentado no sofá, lendo com aquele cenho concentrado e os óculos levemente escorregados no nariz. Lucian. Meu. Mesmo que o mundo lá fora estivesse desabando, mesmo que o passado ainda assombrasse, ali, naquele pequeno apartamento que aos poucos começava a ter mais da minha cara também… eu estava feliz. E, pela primeira vez em tanto tempo, a felicidade não me parecia uma armadilha prestes a ruir. Sentei ao lado dele e encostei a cabeça em seu ombro. Ele passou o braço ao redor do meu corpo de forma instintiva, como se esse encaixe tivesse ex

