Apertava com força o tecido da minha roupa, mordia a boca para conter um palavrão, um hábito bobo que tinha para conter um pouco da minha ansiedade que naquele momento em especial era muita.
Eu sei que não era lá muito funcional, ainda assim era o que me ajudava - em partes - a controlar um pouco esse sentimento que muitas vezes acaba saindo de controle.
Assim que chegamos ao quarto, quer dizer, no momento em que pensamos que entraríamos no quarto onde minha tinha estava, acabamos sendo barradas pela segurança do hospital.
Eu não entendi o motivo já que estávamos com o crachá de visitante, só sei o que me informaram que por ordens médicas ninguém deveria entrar na sala, a paciência estava instável e logo levariam ela para a sala de cirurgia novamente.
Aquilo só serviu para esmagar mais ainda o meu coração dentro do peito.
Minha mãe saiu por um curto instante, ela nunca gostou de ficar em um ambiente como aquele dizia que trazia azar ficar olhando para porta de um hospital, eu não acreditava nisso, ainda assim fiquei ali para saber notícias enquanto Emily - minha mãe - ia para o lado de fora para tomar um pouco de ar e quem sabe arranjar algo para comer, afinal de contas eu nem ao menos havia tomado café.
Quando recebi a notícia, me troquei o mais rápido que pude depois de me lavar no banheiro, coloquei a primeira combinação de roupa na minha frente e passei uma escova nos cabelos apenas para tentar não parecer uma louca.
Coisa que eu sinceramente falando? Fazia com extrema maestria algumas vezes.
Fazia nem meia hora direito que acordei e já me sentia tensa, abria o celular e digitava alguma mensagem para Chris, porém acabava parando no meio do caminho.
Eu ainda estava com raiva dele, muita raiva.
Mesmo assim era costume meu recorrer a ele nessas horas, e por mais que o primeiro sentimento fosse totalmente dominante, deixei que meu dedo discasse o número do meu melhor amigo.
— Alô?
Soltei a respiração e o choro que prendia resolveu escapar naquela hora, maldito seja esse coração de manteiga.
— Amy? — perguntou o ruivo do outro lado da linha. — Você está bem?
A forma que ele falava fazia com que um sorriso aparecesse no meu rosto, eu não disse nenhuma palavra e mesmo assim o rapaz de cabelos cor de fogo conseguia saber quem era.
De fato, ele me conhecia muito bem e isso não poderia negar, mesmo estando com muita raiva.
— Não. — Falei, por alguns segundos deixei que meus olhos se fechassem e por um curto tempo a minha cabeça pendeu para baixo enquanto era segurada por uma de minhas mãos. — Eu tô me sentindo ridícula, eu to com raiva de você e muita por causa daquilo e mesmo assim você é o meu porto seguro, a pessoa que eu mais confio, entende como isso é ridículo?
Respirei fundo, deixando que um silêncio se instalasse entre a gente para ser cortado logo em seguida.
Eu precisava desabafar - colocar tudo para fora - ou eu iria acabar pirando.
E infelizmente ou felizmente a pessoa que eu sentia vontade de fazer isso era ninguém menos do que o meu melhor amigo; Chris.
— Eu não vou mentir, eu não sei o que aconteceu direito já que eu não pedi detalhes mesmo assim eu tô machucada por causa disso e seria totalmente hipócrita se falasse o contrário. — Despejei as palavras presas na minha garganta.
Sabia que aquele não era nem de longe o melhor lugar para se ter aquela conversa, porém, cedo ou mais tarde eu teria que ter ela de todo jeito então que seja antes.
— Amy, eu ...
— Não. — Falei interrompendo qualquer discurso que ele quisesse falar. — Não, não agora por favor Chris.
Eu tinha que colocar para fora, pois, não iria de forma alguma ter a mesma coragem outra vez.
— Mesmo assim eu odeio o fato de que é para você que eu falo todos os meus medos, todos eles. — Falei. — Você esteve comigo boa parte da minha vida Chris, não posso mudar esse fato mesmo que eu esteja com raiva de você assim como também não posso mudar o fato de que você é a pessoa que eu sempre procuro nesses momentos.
Respirei fundo apenas para tomar um pouco de fôlego enquanto limpava as lágrimas que desciam pelo meu rosto.
Engoli em seco por um segundo.
Droga, como eu sou ridícula.
— Eu tô com medo Chris... — Mordisquei a língua por um breve segundo, contive no fundo da garganta um palavrão. — Não, eu estou totalmente apavorada em perder uma pessoa que é muito importante para mim.
— Eu não consigo imaginar pelo o que você está passando agora, e eu espero que tudo saia bem com ela Amy, de verdade, mesmo que as coisas entre a gente não esteja das melhores eu ainda torço pelo seu bem. — Falou o ruivo depois de meio segundo em silêncio. — O quê eu posso fazer para ajudar? — perguntou soltei um riso baixinho, esqueci me por um breve instante de como Chris era superprotetor; era fofo. — Já comeu alguma coisa?
— Não. — Falei baixinho.
— Quer que eu vá até aí? — Perguntou. — Eu posso levar algo para você comer, assim evita de comer as besteiras que você sempre come sabe?
Ri, um riso rouco e por mais incrível que pareça eu não fiquei ofendida com o que ouvi.
— Chris. — Chamei pelo ruivo que não parou nenhum único segundo de criticar a minha escolha de comidas.
Eu sei que não tinha uma alimentação equilibrada, só que ficar jogando na cara desse jeito também não né?
Apesar disso, ignorei aqueles sentimentos e pensamentos eu estava um pouco feliz em poder falar com ele naquele momento, pois, eu realmente precisava do meu melhor amigo comigo.
— Sim? — perguntou.
— Obrigada.