Nono

1053 Palavras
Eu estava nervosa, mordia as minhas unhas para tentar - quem sabe - conter um pouco da ansiedade que morava em mim, porém isso não foi o bastante. A cada vez que o carro cruzava a rua ou andava eu sentia o meu coração apertar por alguns poucos segundos dentro do peito. Fiquei imaginando como estaria o meu tio, e como estaria toda a minha família com uma notícia daquelas. Encostei a cabeça no vidro, fiquei olhando o lado de fora enquanto pensava um pouco na minha infância. *Passado* Era uma tarde bem quente naquele dia, um domingo de sol que aproveitamos do lado de fora da casa, para ser ainda mais clara passamos o dia inteiro no quintal fazendo coisas que a minha mãe não gostaria muito de ver a mocinha dela fazendo. Eu como uma criança muito enérgica acabei sorrindo largo em ver toda aquela bagunça, era divertido estar na presença da minha tia Margaret ela deixava que eu fizesse tudo o que sentisse vontade; quer dizer quase tudo já que não me deixava colocar o dedo na tomada e dizia que lá vivia um monstro que come criancinhas muito levadas por causa disso acabei ficando bem longe de qualquer área da casa que tivesse uma. A minha tia Margaret era um máximo, eu queria ser igual a ela quando crescer; um espírito livre e rebelde. No quintal dos fundos deixamos uma piscina infantil encher de água por alguns poucos minutos, ela lembrava muito um circulo e tinha dois andares com desenhos diversos como: hello kitty, barbie e algumas outras que eu não sabia pronunciar o nome direito. Minha mãe quase nunca deixava que eu usasse aquela "coisa" como ela mesma falava, porém, Margaret a minha tia incentivou ela a pensar de uma maneira diferenciada, por exemplo, seria muito bom que eu aprendesse a nadar já que consequentemente iria me trazer um pouco de independência como também poderia ser muito bom para a minha saúde. A segunda parte pegou a minha mãe de jeito, Emily era uma pessoa que ligava muito para as aparências e com toda certeza saber que a filha está praticando um exercício físico deixou um sorriso largo em seu rosto. Na época eu não ligava muito, agora apenas reviro os olhos quando me lembro dessas coisas. Depois de me sujar de lama brincando de corrida de carrinhos com automóveis improvisados passamos rapidamente para o chuveiro, apenas para tirar a sujeira e mudar de roupa, afinal de contas tínhamos ainda a tarde toda para brincar. Fiquei tanto naquela piscina que a minha pele saiu como a de uma senhora idosa, toda enrugada e isso me fez rir como nunca. Quando começou a anoitecer minha tia então me tirou dali e me deu novamente um banho, desta vez um banho quente para que eu me esquentasse depois de passar horas e horas na piscina. Assim que saí do pequeno lugar que tínhamos como banheiro, vi um enorme banquete e não era um que seria aprovado por nenhuma mãe tampouco um médico. Bolo de chocolate, pão de queijo e mais outras mil coisas. Comemos tudo assistindo algumas coisas, por exemplo, filmes da Disney e alguns desenhos aleatórios que eu achava que a minha tia iria gostar e como a boa pessoa que era aceitou ver tudo aquilo de muito bom grado. Eu adorei aquele dia. **Fim da memória** Lembrar disso fez o meu coração doer mais ainda, lágrimas já tinham caído do meu rosto naquele momento e felizmente chegamos ao hospital. Limpei o rastro delas com uma das mãos ao mesmo tempo em que saia do carro, minha mãe me seguiu pelo pequeno corredor. O hospital era médio tanto por dentro como por fora, não tinha tantos detalhes nas paredes apenas uma parede pintada de cor bem clarinha enquanto vários aparelhos e algumas camas ficavam do lado de fora. Olhei tudo aquilo com atenção não acreditando, porém, lembrei me que o sistema de saúde não era lá dos melhores e o que pude fazer - naquele momento - era torcer para que aquelas pessoas tivessem uma melhora seja em seu estado ou uma melhora no atendimento. Caminhamos até a ala da recepção, tinha poucas pessoas esperando lá. Uma mulher gordinha e baixinha na recepção brincava com seu celular enquanto algumas pessoas reclamavam do péssimo atendimento que ela nem ao menos se dava ao trabalho de falar alguma coisa sobre isso. Olhei aquilo com tamanha repudia. Como poderia alguém trabalhar em um hospital e agir dessa maneira?Pensei mordiscando o canto da boca, era algo que eu fazia sempre quando estava nervosa e não queria simplesmente jogar mil coisas em alguém. Desviei o olhar até minha mãe que me indicava silenciosamente para continuarmos andando. – Onde ela está? – perguntei enquanto olhava Emily. – Está no corredor depois da recepção, acho que podemos ir lá e visitar ela. – Respondeu dividindo sua atenção entre mim e a atendente que até o momento não fez nenhum tipo de protesto ou coisa parecida. Afirmei silenciosamente com a cabeça e comecei a andar junto da mulher ao meu lado. – Ei! – falou a atendente. Seu corpo estava de pé naquele momento e suas mãos estavam no balcão os olhos atentos em nós. – Vocês não podem passar por esses corredores desse jeito, isso não é bagunça. Virei assim que ouvi tal coisa, quis rir com aquele comentário, porém não o fiz. Me aproximei da mesa da recepção e silenciosamente a mulher na minha frente agradeceu. Ela tinha cabelos enrolados e pele um pouco escura, usava um uniforme de cor clara assim como a maioria das coisas naquele lugar tinham, prestou um pouco de atenção no monte de papéis que estava na mesa procurando por alguma coisa. Por mais que eu quisesse causar uma confusão e dizer que o atendimento dela era tão r**m quanto qualquer outra coisa naquele lugar eu não fiz, pois, não tinha tempo para causar uma briga e nem cabeça para lidar com uma naquele momento. Fiz o contrário do que queria, esperei pacientemente por alguma resposta dela e quando obtive apenas recebemos um papel de visitante para no fim adentrar os corredores do hospital. O meu coração batia dentro do peito, eu estava apreensiva. Queria que minha tia estivesse bem, eu torcia para isso. Esteja bem, esteja bem.
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