8:00 hrs da manhã, dia seguinte.
Era de manhã quando o sol começou a entrar no meu apartamento, infelizmente acabei deixando as janelas um pouco abertas na noite seguinte, tal coisa me fez sentir um gemido baixinho e um palavrão surgir na minha boca.
Me virei do lado oposto, querendo dormir mais um pouco.
Eu não tinha motivo para acordar, então poderia me dar o luxo de acordar um pouco mais tarde.
Ao menos era isso que eu pensava que faria.
Depois de alguns minutos quieta em minha cama me permiti soltar um sorriso largo em meus lábios, os meus cabelos estavam bagunçados e um pouco de baba saia pelo canto da boca, ou seja, eu estava totalmente não apresentável para uma visita.
Infelizmente a pessoa do outro lado da porta não concordava com a minha - linda - filosofia de dormir até mais tarde e ficar de pijama o dia todo.
A campainha fez um barulho chato e repetitivo durante vários e vários segundos.
No início ignorei tudo aquilo, não queria ver ninguém.
Ao que parece a pessoa também não concordava com isso.
Seja quem for era irritantemente insistente, apertava aquele botão como se sua vida dependesse disso.
Murmurei em voz baixa um palavrão, coloquei minhas pantufas de ursinho Pooh e comecei a caminhar até a porta do apartamento, com uma vontade sem igual - estou sendo irônica - movi os dedos até o molho de chaves largado perto daquele espaço, agarrei um e passei pela fechadura sem ao menos olhar pelo olho mágico para ver quem era.
Sinceramente?Eu deveria ter olhado e então me pouparia de muita dor de cabeça desnecessária.
Meus olhos se arregalaram quando minha mãe apareceu no meu apartamento feito um furacão, me olhou e moveu seu rosto para os lados em uma negativa como sempre fazia, eu odiava aquilo.
Ótimo, o dia nem ao menos começou direito e agora eu tenho que lidar com alguns sermões que não estava nem um pouco afim disso.
Forcei um sorriso ao vê lá ali, vez ou outra aquela mulher me fazia visitas inconvenientes e a única coisa que me incomodava era que ela nunca nem ao menos avisava quando iria vir, se por acaso fizesse isso tentaria bolar alguma coisa para simplesmente fugir daquele encontro chato com quem me deu a vida.
Um dos poucos defeitos de minha mãe, Emily era que adorava fazer surpresas e normalmente a outra pessoa nunca gosta disso.
Forcei um sorriso em meus lábios, respirei fundo tentando pedir por um pouco de paciência.
— Bom dia, mamãe. — Disse. — O quê te traz por aqui tão cedo? — perguntei tentando disfarçar a minha surpresa e ao mesmo tempo tentando me preparar mentalmente para o que poderia vir durante os próximos segundos.
Um verdadeiro teste de paciência.
Como sempre a mulher ali me observou com uma expressão séria, mas também com um toque de preocupação e reprovação.
Senti um leve aperto no coração, pois sabia que ela não apareceria sem motivo ou ao menos que estivesse muito entendida ou não tivesse ninguém para perturbar e normalmente seu alvo favorito era eu.
Me sinto muito honrada por essa escolha.
Ainda com os olhos em mim a mulher soltou a respiração que prendia, parecia que aos poucos retirava um peso enorme dos ombros.
— Desculpe interromper o seu sono minha querida. — Falou deixando uma pausa entre as falas, o olhar dizia muita coisa e eu nem imagina o que poderia ser. — Aconteceu algo importante e achei melhor falar isso pessoalmente do que pelo telefone.
A sua voz era tensa e por causa disso acabei mudando um pouco a postura.
Ok, as coisas mudaram um pouco e isso me assustou muito.
Curiosa e um tanto apreensiva, convidei-a para entrar e se sentar, nos dirigimos até a sala que também era o meu quarto.
Paredes pintadas de branco com alguns detalhes em azul, eu gostava daquela decoração era simples e não doía os olhos quando passava algum tempo olhando.
Os móveis também seguiam o mesmo estilo de decoração, eu gostava de cores claras e que tinham de certa forma alguma sintonia.
Sentamos no sofá e esperei que ela fosse então começar a falar.
O silêncio parecia pesado, e eu estava cada vez mais ansiosa para saber o motivo daquela visita matinal.
Assim como também o olhar dela dizia mais coisa do que sua boca.
Finalmente, Emily suspirou e olhou diretamente nos meus olhos.
— Sua tia Margaret sofreu um acidente de carro ontem à noite. — Falou, o tom de voz era calmo e devagar; cauteloso. — Ela está no hospital em estado grave e os médicos estão fazendo o possível para manter ela viva. — Parou de falar por um curto tempo, seus dedos foram até os meus e consequentemente fez uma leve carícia na palma de minha. — Precisamos ir até lá imediatamente.
Meu coração disparou, e um misto de preocupação e medo tomou conta de mim.
Minha tia Margaret era uma pessoa querida e importante na minha vida, ela era como a minha segunda mãe, eu adorava aquela mulher já que ela praticamente me ajudou a me tornar a pessoa que eu sou atualmente.
Eu devo muito a ela.
Eu não conseguia imaginar o que faria se algo r**m acontecesse a ela.
Não queria imaginar.
Sem hesitar, levantei-me rapidamente e comecei a me arrumar, enquanto minha mãe explicava mais detalhes sobre o acidente.
Vesti uma roupa confortável e coloquei os sapatos, tentando manter a calma diante daquela situação.
Enquanto caminhávamos em direção ao carro, minha mãe segurou minha mão e olhou para mim com ternura.
— Eu sei que isso é um choque, querida, mas precisamos ser fortes nesse momento. — Falou a mais velha. — Sua tia vai precisar de todo o nosso apoio neste momento, vamos fazer o possível para ajudá-la nesse momento.
Assenti, sentindo uma mistura de emoções dentro de mim.
Era difícil processar tudo tão repentinamente, mas eu sabia que precisava ser forte pela minha família.
Entramos no carro e partimos em direção ao hospital.
Eu não conseguia pensar em nada só precisava torcer para que as coisas ficassem melhores.
Internamente eu fazia uma pequena oração, torcendo para que a mulher ficasse bem e nada de r**m acontecesse.