Segundo

2508 Palavras
5:40 da manhã Eu já por acaso mencionei o quanto não gosto de acordar cedo? O quanto é algo horrível ter que levantar todos os dias em um horário onde o sol nem ao menos saiu da cama? Quem inventou isso sinceramente, não tinha nenhum pingo de amor a vida ou simplesmente não gostava nem um pouco do ser humano, isso eu já consegui perceber claramente. Eis, o melhor método de tortura já inventado por alguém fazer o ser humano assalariado acordar tão cedo que nem o sol saiu direito. O despertador em formato de ursinho pooh do lado da minha cama fazia barulho bem alto, dizendo que eu teria que acordar para viver a minha vida adulta, o que sinceramente falando era um saco. Se eu tivesse a escolha com toda a certeza do mundo iria escolher ficar quietinha numa ilha e esquecida pelo resto do universo. Seria a realização do meu sonho, disso não tinha dúvidas. Resmunguei baixinho, me virei na direção contrária e por alguns segundos o silêncio se fez novamente, algo que acabou gerando consequentemente um sorriso em meus lábios. Tinha que ir trabalhar? Eu tinha, porém, ficar na cama por mais alguns poucos segundos, não iria fazer m*l, não é? Abracei o travesseiro, soltando um gemido baixinho com isso e durante esse pouco tempo acabou surgindo um sorriso em meus lábios. Eu precisava apenas de mais alguns minutinhos de sono, então eu teria forças o suficiente para me colocar de pé e ir trabalhar como uma adulta responsável que vez ou outra eu era. Quando achei que finalmente teria alguma espécie de paz, o despertador provou que eu era uma tola em acreditar nisso. O barulho voltou ainda mais insuportável do que estava anteriormente, arregalei os olhos e enfiei a cara no travesseiro para então quem sabe reprimir o grito que desejava sair da minha boca. É, como dizem no momento em que se vira adulto, paz não é nem de longe uma opção e nesse caso ela não era válida de N maneiras. Mesmo a contragosto acabei obrigando meu corpo a se levantar, respirei fundo e contei até dez pedindo que hoje fosse um dia bom e consequentemente não tivesse a vontade de pular no pescoço de alguém ou algo parecido. Seria pedir demais Deus? Pensei ao mesmo tempo, em que levantei minha cabeça um pouco para cima, fazendo uma curta oração. Quando mais nova mamãe dizia que eu era doida e bom… Eu não posso necessariamente discordar dessa afirmação. Espreguicei o corpo e aos poucos fui me levantando, a luz do sol invadia o que eu docemente chamava de casa, já outras pessoas chamariam de cubículo ou carinhosamente falando de lata de sardinha. Esfreguei meus olhos querendo então espantar um pouco da sujeira, abri e fechei várias vezes ambos uma pequena rotina matinal que fazia desde que me entendia por gente. Andei então até ao lado do meu querido sofá-cama, comecei a ajeita ló para abrir um pouco de espaço naquele lugar. Dobrei a coberta e por fim ajeitei os travesseiros da maneira que gostava, sorri após terminar aquele trabalho. Por mais simples que fosse essa tarefa, acabava sempre me arrancando um sorrisinho. Movi meu corpo então na direção oposta, indo até o banheiro para fazer minhas necessidades higiênicas e quem sabe com isso passar a ser gente, ao me olhar no espelho senti que tinha levado um choque elétrico ou algo bem pior. Depois de alguns minutos eu já estava com um visual totalmente diferente de antes, algo totalmente mais agradável e não um visual igual ou semelhante ao de um figurante de filme de terror. O pijama da hello kitty não estava mais no meu corpo e agora os fios dos meus cabelos estavam mais ajeitados que antes, sorri ao me olhar no espelho. Poderia até mesmo não saber fazer nenhuma espécie de maquiagem muito elaborada, ainda assim conseguia me virar muito bem com o que sabia. Sem demora, então peguei minhas coisas e passei a chave pela porta depois de desligar as luzes, tinha que ir trabalhar, eu querendo ou não. Suspirei baixo, hoje era um dia importante e isso me deixava levemente nervosa. Depois de tanto tempo nas sombras, enfim teria a coragem de confessar o meu amor para um colega de trabalho, que muitas vezes eu acabava sempre trocando algumas poucas palavras. Uma vez até acabamos almoçando juntos, tudo bem o refeitório da empresa estava cheio e ele não tinha tantas opções de lugar para sentar, ainda assim aquele dia foi o dia em que um sorriso largo não saiu do meu rosto. Chegar na empresa era em teoria uma tarefa fácil, agora, na prática, não era tanto assim. Uma das partes ruins de cidade grande é que o transporte público está sempre cheio e sinceramente? Isso me irrita um pouco. Eu entendo que há um tempo foi promovido que as pessoas seguissem um estilo de vida mais saudável e consequentemente passassem a se exercitar, isso também incluía abandonar os carros. Quer dizer, não totalmente, já que eu imagino que a grande maioria ainda andava com seus automóveis só vez ou outra submetido a entrar em uma lata de sardinha. No meu caso, infelizmente não sabia ainda dirigir e eu sei o que você está pensando ou pelo menos tenho uma ideia do que seja... Ela tem quase trinta anos de idade e ainda não dirige? Que tipo de adulta s*******o é essa? Bom, a adulta que nos fala muita das vezes é obrigada a escolher entre pagar uma conta ou comer. Digamos que um m****o da equipe de marketing, não tem lá um salário tão grandioso infelizmente, caso contrário juro que estaria vivendo em condições melhores ou pelo menos tentaria. É engraçado como de um segundo pro outro suas tarefas e preocupações aumentam. Em um dia você está lá todo despreocupado vendo desenho no sofá de casa, a sua única preocupação praticamente é se preocupar em tirar boas notas e ser então um bom filho(a) para que os seus pais não tenham que se preocupar muito com você. Soltei um suspiro quando as portas do transporte se abriram e como era de se esperar, estava tão lotado que as pessoas lá dentro tinham que fazer um esforço para então conseguir um espaço para conseguirem ir até o destino. Não fui no primeiro metrô, nem no segundo, só cheguei realmente a embarcar quando o terceiro chegou na plataforma e esse ao menos estava consideravelmente mais vazio, o que fez um sorriso de canto aparecer no meu rosto. Era raro encontrar o transporte público daquele jeito, então não me julgue por aquele sorriso. Entrei sem demora, fiquei em pé mesmo já que iria descer depois de três estações. O lado de dentro dava para respirar, e não tinha a sensação irritante de estar em um lugar apertado, algo que já me ganhou logo de cara. Felizmente eu ainda tinha tempo para chegar a empresa sem me atrasar, só por causa disso o sorriso durou um pouco mais. Não teria que ouvir nenhum comentário engraçadinho de que tinha me atrasado mais uma vez. Só de pensar isso me fez sentir um pouco mais leve, sorria feito uma boba só de pensar naquelas coisas. Depois de um tempo dentro daquele metrô, finalmente cheguei até ao meu destino, algo que durou por mais ou menos uns cinco ou menos de quatro minutos. Desci do metrô junto com algumas pessoas, aquele horário era totalmente agitado, afinal de contas muita gente estava indo trabalhar ou estudar. Andei em linha reta até as escadas, passando pelos degraus com um pouco depressa. É como dizem né? Saio cedo de casa para me atrasar com calma ou como eu gosto também de dizer, é a forma que eu acho de me exercitar um pouco já que todo o segundo, quer dizer, qualquer oportunidade, estou sentada no sofá fazendo altos nada. A vida adulta não é fácil, então não me julgue por ter um lado sedentário. Antes de ir para a empresa parei em uma pequena barraquinha de café que ficava próxima do meu local de trabalho. Não era tão grandiosa, apenas uma barraca de cor branca com algumas coisas para café da manhã. — Olá senhora. — Falou o mais velho assim que me viu abriu um sorriso enorme em seu rosto e acenou com a cabeça. — Como está sendo o seu dia? Edson era um senhor muito simpático que mesmo podendo descansar ele não queria parar de trabalhar, segundo ele acreditava que conseguia fazer o dia das pessoas melhor com um pouco de gentileza e bem... Ele não estava errado, afinal de contas gostava muito daquele lugar era o meu ponto favorito para tomar um bom café da manhã. — Está sendo muito bom. — Respondi com um sorriso pequeno em meu rosto, mordisquei os lábios e prestei atenção na variedade de opções. — Eu vou querer um pretzel e um café sem açúcar, por favor. — Ah! é? — retrucou um pouco curioso assim que me ouviu, seus ouvidos atentos captaram o que eu queria, não demorou nada para aprontar o meu pedido. — E por qual motivo? Se me permite a pergunta, é claro. Dei de ombros, e soltei um riso. — Digamos que hoje é um dia bastante especial, vou finalmente fazer o que me assustava. Primeiro Edson me entregou o pretzel enrolado em alguns papéis para que não sujasse a mão, depois começou a preparar o meu café. — Isso é muito bom senhorita, é um grande avanço eu diria não? — Indagou, ao ouvir a voz apenas afirmei com a cabeça. — Não podemos deixar que o medo nos assuste ou nunca vamos poder experimentar coisas novas. — Disse. Com um sorriso no rosto me entregou o café e como pedia isso todos os dias já sabia o preço, tirei algumas notas de dinheiro do meu bolso dando um pouco a mais do que era realmente, ele merecia. — Obrigada. — Falei já pronta para ir em direção a empresa ao mesmo tempo em que ficava um tanto pensativa com o que foi dito. — Tenha um bom dia senhorita. — Desejou. Me chame de louca e talvez eu realmente seja, porém não consegui em nenhum momento em tirar aquelas palavras da mente. No momento em que foram ditas, foram automaticamente grudadas em mim ao ponto de não sair. Mordiscava o meu aperitivo ao mesmo tempo, em que vez ou outra tomava um pouco de café que segurava na minha outra mão, andava com um pouco depressa até o prédio da empresa. Era um prédio assustadoramente bem alto, o bastante para que se você olhasse de lá de cima começasse a ter medo de altura e eu - muito sortuda - trabalhava no penúltimo andar onde a equipe de marketing e criação se encontrava. O lugar era amplo, o espaço totalmente gigantesco, afinal de contas tínhamos praticamente o andar todo somente para gente. Nunca entendi exatamente o motivo pelo qual tinha um espaço tão grande, ainda assim não questionava de forma alguma, era melhor algo muito grande do que um escritório pequeno e chato. O ambiente era muito iluminado, a ventilação era maravilhosa, algo que eu gostava e muito. Caminhei com calma até a minha mesa que ficava mais ou menos no centro daquele ambiente, era algo pequeno mesmo que eu não dividisse aquilo com mais ninguém do escritório. Eu diria com todas as letras do alfabeto que era um cubículo muito jeitosinho, pois, mesmo com o pouco espaço que me foi dado eu consegui transformar aquele ambiente. Mesmo que seja algo tão b***a assim eu fico feliz com aquela pequena realização. Tinha uma personalidade única, com alguns enfeites em cor de rosa e cadernos para anotações assim como lápis e canetinhas que eu considerava algo muito útil visto que era da equipe de marketing, além disso, é claro eu poderia deixar livre a minha liberdade criativa algo que era muito apreciado naquele departamento já que o CEO sempre rejeitava ideias que não fossem originais, afinal de contas Meteo não gostava nem um pouco de clichês e não queria ser um. Ele gostava e tinha uma certa fixação por ser único, por mais que eu entendesse esse lado ainda assim não deixava de ser algo um tanto sinistro. Pois, todas as suas coisas também eram únicas ninguém tinha nada do que ele tinha. Pensar isso me deixava um tanto arrepiada. Mordisquei mais um pouco do meu pequeno aperitivo, com a outra mão usei para molhar os lábios e quem sabe espantar a sensação de garganta seca que estava ali, movi a cabeça para os lados em uma negativa lenta. Ficar pensando no babaca do meu chefe não iria fazer as coisas melhorarem tampouco - nesse caso - fazer com que o tempo passasse rápido. Me sentei na mesa enquanto terminava de comer e assim que fiz tal coisa então limpei a boca com um guardanapo. — Finalmente chegou v***a. — Disse o rapaz que trabalhava do meu lado. Ri, o senso de humor de Chris era algo duvidoso. Tinha cabelos ruivos, pele clara que fazia com que suas sardas criassem um certo nível de destaque em seu rosto. Os olhos verdes e o corpo um pouco esquelético junto das roupas da última coleção de outono eram a graça daquele conjunto. Sorri assim que coloquei meus olhos nele. — A culpa não é minha. — Me defendi dando de ombros, parei um pouquinho apenas para poder ligar o computador. Chris me olhou com a sobrancelha um pouco franzida naquele momento. — É do trânsito. — Completei depois de um tempinho em silêncio. Ele por sua vez soltava uma risada amarga quando ouvia tal coisa. — Toda vez essa desculpa, e toda vez você aparece aqui comendo essas porcarias que acha na rua. — Falou. Ouvi com atenção e aproveitei para deixar um tapinha nos ombros do ruivo, que logo murmurou um sonoro "aí". — Não são porcarias. — Disse. — São pedacinhos de gostosur... — Gostosuras que deixam o meu dia um pouco melhor. — Falou o dono de cabelos cor de fogo, me cortando no meio daquela frase. Mostrei a língua quando terminei de ouvir. É, eu sei um ato muito maduro da minha parte. Parei um pouco de dar atenção ao homem e comecei a digitar algumas coisas no computador, afinal de contas, mesmo que gostasse de ficar conversando eu não era paga para isso; infelizmente. — Então, finalmente decidiu o quê fazer sobre aquele assunto? — perguntou ele, sua voz era baixa como um murmúrio e o olhar que me lançava era tão animado que me fez rir baixinho. Ao me lembrar do assunto fiquei um pouco tensa, desviei o olhar para outra direção e logo então vi o motivo do meu corpo estar daquele jeito. A minha tão linda - drástica - quedinha do trabalho Thomas Waston. Cabelos escuros, pele parda e um sorriso encantador. Para completar o sotaque britânico que mexia com a imaginação de qualquer pessoa naquele escritório. Uma perdição, eu diria.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR