Terceiro

1552 Palavras
12:00 hrs Estava na lanchonete acompanhando Chris em sua rotina matinal. Ele comia uma salada e eu preferi ir de sanduíche, eu estava com muita fome mesmo assim preferi optar por uma opção que não iria me deixar tão enjoada depois, como um sanduíche natural de frango. Infelizmente ter o estômago sensível era uma coisa horrível. E assim como a gente os demais funcionários estavam tirando um tempinho para relaxar em meio ao dia cansativo, em especial Thomas Waston. Suspirava todas as vezes em que meus olhos iam até ele, sorria feito uma boba apaixonada e no instante em que ouvia as palavras de meu querido amigo, parava imediatamente. — Ficar só observando ele de longe não vai fazer ele saber que você existe, sabia disso não é? — retrucou o ruivo enquanto bebia um pouco de suco. Mordisquei os lábios ao mesmo tempo em que processava aquela ideia. Eu gostava, digo, eu tinha uma queda tremenda por ele desde o dia em que a gente se esbarrou acidentalmente pelos corredores da empresa. Apesar do cenário ser um pouco diferente acabou acontecendo aquele clichê de derrubar o que uma das pessoas estava carregando, e para mostrar que veio de um bom lar ajudou me a arrumar aquela bagunça toda ao mesmo tempo em que me lançava palavras gentis, não foi grosso nem nada do tipo e sim um perfeito cavaleiro. Depois que isso aconteceu passamos a nos encontrar com mais frequência, eu é claro adorei esses "encontros inesperados", como ele era novo ainda não sabia muito sobre a empresa consequentemente precisou de alguém para guia ló, e como boa alma samaritana que eu sou - sem o menor dos interesses - tratei de ajudar o rapaz que fazia um sorriso b***a aparecer no meu rosto. Infelizmente - ao que parece - só eu tinha saído com os feitos colaterais de uma paixonite. Thomas infelizmente para a minha sorte, que sinceramente não é lá grande coisa saiu com efeitos colaterais contrários a isso, a popularidade. Bastou apenas alguns dias presente naquele maldito escritório para que todas daquele lugar, não só do andar de marketing soubessem da sua existência e ficassem tão apaixonadas quanto eu. Deus! Onde tem concorrência eu serei desistência. — Eu... O ruivo assim que ouviu tratou de interromper qualquer discurso que quisesse sair da minha boca. — Já pensou em falar com ele sobre isso querida? — fez uma pausa apenas para enfiar um pouco de salada na boca, pode passar o tempo que for eu nunca entenderia o motivo dele fazer dietas tão loucas. — Confessar os seus sentimentos e coisa do tipo? Olhei Chris como se ele fosse louco, meus olhos se arregalaram e por várias vezes a minha boca se abriu em desespero. Levei um pouco de suco até os lábios e molhei a garganta pensando naquele assunto com um pouco mais de cautela. Talvez, não fosse tão r**m assim não é? O mínimo que aconteceria - muito provavelmente - seria ele me dispensar. — Você tem razão. — Falei atraindo o olhar dele. Vi Chris franzir o cenho, confuso já que raramente eu e ele entravamos em acordo. Admito que deixei escapar um riso baixo no momento em que vi isso, afinal de contas as vezes em que eu concordava com ele eram tão raras, que era muito muito mais fácil - talvez - os dinossauros voltarem a vida. — Ficar só olhando não vai fazer com que ele saiba que eu existo ou coisa parecida. — Disse, minha voz era calma e os meus olhos prestavam toda a atenção no ruivo que aos poucos movia a cabeça em uma afirmativa concordando com aquilo. — E é por causa disso que eu vou me declarar pra ele. Eu juro por tudo que é mais sagrado que no momento em que disse tal coisa o homem ficou branco, quase teve um leve infarte. Provavelmente em sua cabeça estava imaginando que eu seguiria um plano simples, iria me tornar amiga dele e todas essas baboseiras. O único problema dessa conta era que eu nunca fui uma pessoa simples, não gosto de jeito algum de coisas simples. Era um pouco mais extravagante e precisava fazer uma coisa que tivesse impacto. E na minha cabeça - ao menos - não tinha algo tão marcante como uma confissão feita de maneira direta e bem clara, se por acaso o homem em questão acabasse me dispensando infelizmente não tinha muito o que eu pudesse fazer ainda assim eu poderia sorrir e dizer de boca cheia que eu ao menos tentei fazer isso. Vi Chris beber um pouco do seu suco, abriu e fechou os olhos várias vezes ainda um pouco descrente da minha ousadia. — Você só deve estar maluca. — Disse o ruivo com o olhar em mim. — Quando eu disse isso não era isso que pensava, era algo mais simples e d... — Eu sei. — Respondi cortando qualquer coisa que quisesse sair. — Mas, eu estou longe de ser uma pessoa simples Chris. Ouvir aquilo fez o meu querido amigo revirar os olhos e bufar. Era a forma dele de falar que não tinha jeito de conversar comigo, o que eu tivesse em mente era o que seria feito e ponto final. — Não tem jeito de convencer você do contrário não é? — perguntou o dono dos cabelos cor de fogo um pouco esperançoso. Movi a cabeça em negação, um sorriso começou a surgir no meu rosto algo largo que ocupava desde a bochecha esquerda até a direita, parecia uma criança prestes a aprontar algo muito bom. Ao terminar de beber o suco e deixar o copo na mesa vi Chris mover as mãos pro alto, como também soltar um palavrão aquilo me fez rir e muito. — Ao menos então eu posso te ajudar nessa missão? — Ele questionou. Movi a cabeça em uma afirmativa animada ao ouvir tal coisa. Por mais que eu não assumisse isso em voz alta, eu estava nervosa e muito. — Com toda a certeza, sim. {...} Algumas horas depois eu estava andando de um lado pro outro no escritório, já tinha mandado uma das unhas pro túmulo. Digamos que nervosismo mais ansiedade não são nem de longe uma boa combinação. Chris ficou encarregado de entregar a carta já que eu não podia entrar no local de trabalho onde o meu crush trabalhava. O motivo? Bom, digamos que algum tempo atrás eu tenha tido uma pequena discussão com um dos membros da equipe e depois de muito implorar o RH achou melhor não me dispensar afinal de contas eu era um m****o importante da equipe criativa, claro que eu tive que concordar em nunca mais pisar naquele espaço ou a minha carteira de trabalho já não mais faria parte daquela empresa. Chris me perguntou o motivo pelo qual não poderia fazer de forma ainda mais simples, por exemplo, pegar o número dele com alguém e enviar a carta de forma digital dessa forma ao menos teria a certeza de que ele iria ler e consequentemente - talvez - também iria acabar obtendo a resposta. Eu achei a ideia boa, porém, não era isso que queria. Eu era fã dos bons costumes e dos velhos também, escrever uma carta apaixonada como antigamente fez um sorriso em meu rosto aumentar. Como se isso não bastasse é claro, deixei uma coisinha naquele envelope pedi para que o ruivo não abrisse de forma alguma já que seria muito constrangedor ele ver. Mesmo desconfiado Chris aceitou a ideia. E por falar no d***o agora o dono dos cabelos cor de fogo andava em minha direção com um sorriso em seu rosto, aquilo de certa forma acabou por me deixar um pouco aliviada. Ao chegar perto ele agarrou minhas mãos animado, andamos até entrar no elevador. Quando estávamos sozinhos eu o olhei e ele moveu a cabeça em uma rápida afirmativa. Soltei um gritinho animado. — Olha a carta já deve estar sendo linda e vista nesse exato momento. — Anunciou o rapaz com os olhos em mim. — Porém, eu não quero que crie falsas esperanças ele pode muito bem recusar sabe disso não é? Eu sei que aquilo não foi dito com o objetivo de me desanimar e sim de me dar um pequeno choque de realidade ao mesmo tempo em que consequentemente me consolava. Chris podia até ser insensível, menos nesses casos. Com o mesmo sorriso de antes movi a cabeça em afirmativa. Eu estava ciente de todos os riscos e aquilo me encorajava a ir adiante, a adrenalina daquele momento era algo tremendamente saboroso em todos os sentidos possíveis, contudo eu não vou negar que sinto um pouco de medo; seria uma tola se eu não fizesse isso. — Eu sei. — Respondi. — E agradeço por cuidar de mim Chris. Ele sorriu ao ouvir tal coisa, abriu os braços e pediu por um abraço que eu logo aceitei de muito bom grado. Nos separamos no momento exato em que as portas do elevador se abriram, deixando cada um com riso baixo dançando nos lábios quando nossos olhares se cruzaram com os de outras pessoas. Agora estava feito e eu não me arrependia nem um pouco. Ao menos posso dizer com todas as letras que eu tentei, seja a resposta positiva ou negativa.
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